
Mais de 50% dos inquiridos usa o automóvel como principal meio de transporte num dia normal em Lisboa; o valor está acima da média de 46% correspondente às 83 cidades analisadas no mais recente estudo da Comissão Europeia (CE) sobre a qualidade de vida citadina. Lisboa é uma cidade onde se anda muito de carro, mas não aquela onde mais se anda. No topo das 83 cidades analisadas pela CE está Braga com 61%. O mesmo estudo sugere que, no geral, quanto menor a dimensão da cidade menos usado é o carro – Braga, que tem menos de 250 mil habitantes, não segue esta tendência.

O mesmo documento e que as capitais costumam ser as cidades onde menos se conduz por terem bons serviços de transporte públicos. É o caso de Berlim, Atenas, Oslo, Londres ou Paris, capitais que surgem entre as 10 cidades onde menos se usa o automóvel, com percentagens entre os 33 e 38%, mas também de cidades como Groningen e Amesterdão, na Holanda, e de Copenhaga, na Dinamarca, com uma forte tradição de duas rodas e onde o uso do automóvel ronda os 29-31%. “Por um lado, os destinos numa cidade precisam de estar acessíveis às pessoas que vivem dentro e fora da cidade. Por outro, o transporte urbano pode gerar problemas como congestionamento, acidentes rodoviários, ruído e poluição atmosférica, bem como a emissão de gases com efeito de estufa. Nesse sentido, as redes de transporte urbanas devem optimizar a infra-estrutura, oferecer serviços eficientes e incentivar à mudança para modos de transporte mais sustentáveis”, lê-se no relatório do estudo da CE.
Em relação aos transportes públicos, o estudo da Comissão Europeia aponta que quem vive numa capital está, de um modo geral, mais satisfeito com os transportes públicos em relação a quem reside noutras cidades e que na Europa do Sul é onde os níveis de insatisfação são superiores. Em cidades onde a satisfação com os transportes públicos é superior também o seu uso é mais elevado. A satisfação com os transportes públicos tem também uma relação muito forte com a satisfação em geral das pessoas com a cidade onde vivem.



Lisboa é das cidades onde menos se usa os transportes públicos, com menos de 40% dos inquiridos a dizer que recorrem a esta forma de mobilidade no dia normal. Londres, Praga, Paris, Ostrava e Estocolmo são as cidades onde mais se anda de transportes públicos, com 55 a 59% a fazê-lo numa base diária; Braga está entre as 10 cidades onde estes são menos usados, com uma percentagem de apenas 29%.
A Comissão Europeia olhou ainda para os níveis de adopção da bicicleta. O topo da tabela é ocupado por Groningen, na Holanda, curiosamente a cidade das 83 onde menos se anda de automóvel e de transportes públicos: 42% dos inquiridos naquela cidade usam a bicicleta num dia normal. Já para Lisboa é a 8ª cidade onde a bicicleta é menos popular. “Durante o confinamento do Covid-19, muitas cidades na Europa aumentaram o espaço de pedestres e ciclistas. Agora que a Europa está a sair deste confinamento, manter e expandir as redes cicláveis pode levar mais pessoas a optar pela bicicleta em detrimento do automóvel ou da opção pelo transporte público”, reflecte o relatório.

A CE analisou ainda, como factores determinantes à qualidade de vida numa cidade, a existência de espaços verdes, a qualidade do espaço público, o ruído e ainda a poluição atmosférica. Em relação às áreas verdes, a satisfação em Lisboa é de cerca de 70%, bem abaixo de cidades como Londres, Paris, Berlim, Helsínquia ou Copenhaga. É também uma cidade onde a satisfação em relação ao espaço público está abaixo da média das 83 cidades, que se situa pouco acima dos 80%. Em relação à qualidade do ar em Lisboa, o relatório assinala que a satisfação aumentou 5 pontos percentuais em relação a 2015 e que a satisfação com o ruído na cidade também melhorou, neste caso 6 pontos percentuais.
O estudo completo da Comissão Europeia tem 108 páginas e pode ser consultado aqui. De seguida, disponibilizamos o capítulo referente à mobilidade, espaços verde e poluição.









