Revista de Imprensa #1

Sempre que se justificar, faremos aqui uma revista de imprensa – um apanhado do que de melhor se publicou na comunicação social em Portugal e lá fora sobre mobilidade e sustentabilidade em Lisboa. Nesta primeira edição, falamos do futuro do Martim Moniz e também de Carlos Moedas e da sua posição em relação às ciclovias.

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O Martim Moniz está outra vez em debate. E sim, é possível fazer ali um jardim | Mensagem

No final do ano passado, a Câmara de Lisboa colocou o futuro do Martim Moniz nas mãos dos cidadãos: que futuro querem para aquela praça?, foi a pergunta lançada através de um processo de discussão pública, aberto a todos os que quisessem partilhar ideias. Uma das propostas mais interessantes envolve a criação de um jardim. O jornalista Frederico Raposo, do jornal Mensagem de Lisboa, foi perceber se é possível o jardim no Martim Moniz.

As primeiras entrevistas de Carlos Moedas | RTP3 e Expresso

Carlos Moedas vai ser, pelo PSD e CDS, o principal adversário de Fernando Medina à Câmara de Lisboa. Na sua primeira grande entrevista, à RTP3, há uma semana, Moedas falou no conceito da “cidade dos 15 minutos, uma ideia do urbanista franco-colombiano Carlos Moreno de encurtar as distâncias nas cidades, permitindo que as pessoas tenham tudo aquilo de que precisam a 15 minutos a pé ou de bicicleta, sem precisarem do carro.

O ex-comissário europeu admitiu a necessidade de reduzir a entrada de automóveis em Lisboa porque “o futuro das cidade vai ter menos carros” e falou em parques dissuasores nos limites urbanos; disse que a transformação da cidade não pode se imposta – “não é tirando aqui o estacionamento para pôr mais uma ciclovia”, “temos de pensar isso com as pessoas”.

Já esta semana, ao Expresso, Carlos Moedas esclareceu a sua posição em relação à infra-estrutura ciclável, que tem sido uma das apostas de Medina para a mobilidade de Lisboa: “Ciclovias: muitas. Defensor das ciclovias e das ‘cidades dos 15 minutos’, quer parques de estacionamento verticais para compensar redução do espaço”, lê-se numa caixa que acompanha a entrevista no jornal e na qual são resumidas algumas posições do candidato.

Segundo a mesma entrevista, Moedas opõe-se à futura linha circular do Metro, pois preferia uma expansão para a zona ocidental da cidade; diz que Lisboa tem das “piores linhas da Europa” e que “devíamos conseguir ir de metro para todo o lado”. Afasta “posições ideológicas cegas” e “estabilidade de políticas” em relação a se a Carris deve ser privatizada – como o Governo de Passos Coelho (que integrou) pretendia – ou municipalizada – como o é hoje.

Lisboa: Medina versus Moedas | Sandra Marques Pereira, Público

A socióloga Sandra Marques Pereira faz uma análise dos dois candidatos mais fortes à Câmara de Lisboa e da entrevista de Moedas à RTP3. A investigadora escreve que “eleger como prioridade no seu programa para Lisboa a preparação da cidade para a próxima pandemia, como Moedas propõe, é um pouco deprimente e bastante redutor” e questiona o conceito de cidade dos 15 minutos que o adversário do PSD/CDS trouxe de Paris: “um conceito discutível que recentemente se tornou no novo mantra do urbanismo para consumo imediato e que, entendido como solução urbanística única para a cidade, pode promover o paroquialismo e a segregação das vivências urbanas”.

Já do lado de Medina, Sandra Marques Pereira aponta que “não há uma Lisboa de Medina, mas sim uma Lisboa de Salgado para a qual o contributo de António Costa, enquanto presidente de câmara, terá sido mais importante que o do próprio Medina”. E conclui “a candidatura de Medina é, acima de tudo, a candidatura da herança de Salgado, mas sem o próprio, e com um conjunto de problemas para resolver, agora com menos dinheiro”.

Nós, a cidade e a mobilidade | Patrícia Melo, Público

Patrícia Melo, investigadora na área da economia urbana, escreve num artigo de opinião no Público que “uma redução de apenas 10%” no estacionamento legal à superfície em Lisboa “permitiria recuperar o equivalente a dez Praças do Comércio em Lisboa”. “Se a nossa ambição permitisse ainda reduzir em 10% a área da rede rodoviária, teríamos, no mínimo, mais 21 Praças do Comércio em Lisboa”, escreve.

“O espaço recuperado permitiria alargar passeios, melhorar a velocidade e competitividade do transporte coletivo e ciclável, e reduzir a sinistralidade rodoviária. Para além de melhorarem a nossa saúde e a qualidade de vida, estas medidas trariam benefícios económicos ao aumentar a atractividade do comércio local.”

Europe doubles down on cycling in post-Covid recovery plans | The Guardian

Laura Laker, jornalista freelancer, escreve no jornal britânco The Guardian sobre como várias cidades europeias estão a apostar na bicicleta na sua recuperação pós-Covid, e dá o exemplo de Lisboa. O jornal cita o relatório do Instituto Superior Técnico que dá conta de um aumento de 25% dos ciclistas na cidade e fala dos planos da autarquia para chegar a 200 km cicláveis este ano, alargar o espaço pedonal e expandir as zonas 30 km/h, por exemplo.