EMEL lança inquérito para perceber desigualdade de género no uso da bicicleta

Fotografia de Américo Simas Coelho/CML

De acordo com dados recentes, 25% das pessoas que utilizam a bicicleta na cidade de Lisboa são do sexo feminino, tendo-se verificado ainda que, em zonas onde não existe infraestrutura segregada, essa percentagem é muito mais baixa – o que poderá ser um indicador de menor segurança de circulação em bicicleta. Para o The Guardian esta percentagem é uma inspiração para cidades como Londres mas a realidade de Lisboa pode ser não tão positiva.

Com o objectivo de identificar factores de desigualdade de género no acesso da bicicleta e sua utilização na cidade de Lisboa, a EMEL está a promover um inquérito no âmbito de um projecto de investigação europeu chamado TinnGO. O inquérito, que pode ser acedido aqui, é focado essencialmente na bicicleta mas abrange os diferentes meios de transporte.

Em comunicado, a EMEL explica que “está fortemente empenhada na defesa e promoção dos princípios de igualdade e de equidade” e que com este instrumento se pretende “analisar percepções, dificuldades e receios na sua utilização, para compreender quais são as barreiras colocadas em particular ao modo bicicleta e quais os factores que levam à sua exclusão”.

As respostas ao inquérito “servirão de suporte ao Plano de Acção de Género e Diversidade (GaDAP), que incluirá linhas de ação que permitam a bicicleta ser sentida como um meio de transporte seguro, confiável e eficiente, aumentando, assim, a sua competitividade e fomentando em simultâneo o seu uso através de uma maior igualdade de acesso”

O inquérito é online, está disponível de 6 a 27 de Abril e pretende ser o mais inclusivo possível, procurando-se nas respostas um público diverso em género e em contextos e experiências. O preenchimento demorará cerca de 10 minutos e pode ser feito aqui.

TInnGO é um projecto de investigação que visa promover a inclusão da perspetiva de género e diversidade no desenvolvimento de políticas e medidas de mobilidade, através da criação de um European Observatory for Gender Smart Transport, que agregue informação útil para a tomada de decisões sobre este tema. Este observatório europeu é constituído por uma rede de 10 hubs nacionais: Reino Unido, Espanha, Portugal, Itália, Escandinávia, Grécia, França, Alemanha, Roménia e Países Bálticos, e tem como foco reunir conhecimento sobre igualdade de género nos transportes, incluindo a disponibilização de casos de estudo que incentivem a adopção de soluções de mobilidade sensíveis ao género e diversidade.