Os primeiros semáforos automáticos para bicicletas em Lisboa

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

Quem percorrer a ciclovia da Avenida Lusíada vai encontrar dois semáforos no lado de Benfica, em dois atravessamentos de bicicletas que, sem essa semaforização, seriam complicados dado o elevado volume de tráfego na zona. Até aqui tudo habitual: semáforos em ciclovias começaram a ser comuns em Lisboa em 2017, com a infraestrutura na Avenida da República. A novidade: estes semáforos são automáticos e dão prioridade à bicicleta.

Na Holanda, são comuns semáforos deste género: detectam a aproximação de ciclistas e dão-lhes prioridade (verde) nas intersecções. Em alguns casos, esses semáforos “observam” antecipadamente a aproximação de quem se desloca de bicicleta para que, à chegada ao cruzamento, a pessoa não tenha de parar e possa seguir em frente. O vídeo do canal de YouTube Not Just Bikes mostra como é que este processo decorre ao vivo:

Em Lisboa, não temos (ainda?) um sistema tão sofisticado mas a semaforização na ciclovia da Avenida Lusíada é uma estreia na cidade. Os sensores estão colocados no topo dos semáforos e, apesar de levarem o ciclista a parar à sua frente, em alguns segundos abrem um amarelo intermitente para este e colocam vermelho para o restante tráfego. O ciclista pode, assim, avançar em segurança. “Este tipo de sensores são accionados ao detectarem movimento, pelo que muitas vezes não podem estar direccionados para ciclistas que se encontrem a 10 ou 15 metros, por exemplo, pois corremos o risco que reajam a outro tipo de utilizadores”, explica a EMEL ao Lisboa Para Pessoas.

A EMEL é desde 2019 a entidade responsável pela gestão da rede semafórica de Lisboa, estando neste momento a modernizá-la “com a introdução de tecnologia de última geração”. “Neste sentido, a introdução de sensores do tipo radar é apenas uma das diversas tecnologias já instaladas, nomeadamente sensores wireless, ópticas de peão com contador de tempo integrado e controladores de tráfego de ultima geração.”

A empresa municipal, que gere a mobilidade na cidade além do estacionamento, prevê mais semáforos deste género em ciclovias sempre que “essa necessidade surgir”. Noutros pontos de Lisboa, os semáforos em ciclovia são de dois tipos: ou com tempos fixos, coordenados com o restante tráfego, ou com um botão que o ciclista tem de premir para pedir passagem. No caso da Lusíada, a bicicleta também “pede licença” mas o utilizador não tem de fazer nada.

São duas intersecções semaforizadas em toda a extensão de mais de 2,7 km de ciclovia, que permite a ligação directa entre a zona de Carnide e Benfica e o centro da cidade. Os semáforos estão instalados na zona do Jardim Ferreira de Mira, onde se situa o Hospital da Luz e o Centro Comercial Colombo. Num deles, a presença do ciclista “não é detectada de uma forma tão célebre”, refere a EMEL, enquanto que no outro o sinal de passagem é dado quase imediatamente, como o Lisboa Para Pessoas teve oportunidade de confirmar (ver vídeo).

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

“A programação realizada teve por base todo o ecossistema presente nesta zona, tendo como princípio o não bloqueamento do canal ciclável nos pontos de conflito com os veículos motorizados e, claro, a garantia de que existisse o mínimo de congestionamento possível para a saída de veículos de emergência vindos do Hospital da Luz.” A EMEL diz que continuará a monitorizar a performance destes cruzamentos como um todo e que procederá a “alterações e melhorias sempre que forem identificadas”; a empresa acredita, no entanto, que “a programação realizada é a que dá melhores garantias ao nível da segurança e fluidez”.