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“Ponte da Galp” acusa sinais de desgaste e falta de manutenção

Ponte ciclopedonal sobre a Segunda Circular, que liga Telheiras às Torres de Lisboa, foi inaugurada em 2015, custou o dobro do esperado à autarquia e apresenta hoje vários perigos para quem a percorre de bicicleta.

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

O problema não é novo mas é digno de relato, à medida que a procura pela bicicleta como meio de transporte aumenta na cidade de Lisboa. A ponte ciclopedonal que une a zona de Telheiras às Torres de Lisboa, mais conhecida como “ponte da Galp”, apresenta sinais de perigo, de desgaste e de falta de manutenção para quem pedala pela cidade, mas também para todas as pessoas que a usam para transpor o obstáculo urbano da Segunda Circular.

Uma das situações de perigo mais frequentes acontece nas entradas ou saídas da ponte, onde as grelhas de escoamento de água estão frequentemente danificadas, provocando um buraco para quem atravessa de bicicleta. É sempre recomendado abrandar nestes locais e verificar o estado da grelha, não vá um pneu de ar furar, uma roda ficar presa no buraco ou alguém ali colocar o pé por acidente e cair. Recentemente, foi colocada uma fita vermelha numa das grelhas para alertar para o perigo, mas a fita não terá durado muito tempo.

Outro perigo tem a ver com o desaparecimento de dois balizadores que sinalizavam as escadas e protegiam de eventuais quedas de bicicleta. A ponte assenta sobre a Segunda Circular como uma aranha, contando com duas rampas de cada lado e com um total de três escadas. Para quem não conheça o local e esteja a circular naquela ponte pela primeira vez de bicicleta, saberia pela localização dos balizadores qual o caminho a seguir – a inclinação pode não permitir a visibilidade da existência de escadas à distância.

Já numa das rampas de acesso às Torres de Lisboa, que permite a ligação à ciclovia que segue pelo Estádio Universitário, existe um pequeno alto que parece resultar do desgaste natural dos materiais e de uma manutenção pouco frequente e que, à medida que o tempo passa, tem-se tornado mais acentuado. Este alto pode, para os mais distraídos, também representar um furo inesperado, uma vez que conta com irregularidades de cimento e de metal. Pode também servir para uma queda acidental de quem esteja a pé.

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

Ao final da tarde e de noite, soma-te outro problema: uma parte substancial da iluminação desta ponte não está a funcionar, tornando o atravessamento mais inseguro numa zona já por si escura. A ponte é iluminada através de um conjunto de lâmpadas embutidas no gradeamento laranja, mas há muitas que estão desligadas.

A história da ponte da Galp

Estávamos em 2009 quando a Câmara de Lisboa olhava para a bicicleta sobretudo como um elemento de lazer e de desporto. As ciclovias em Lisboa eram poucas e atravessavam a cidade com muitas curvas, desvios pelos espaços verdes da cidade e trajectos por vezes pouco convidativos para o dia-a-dia. Na altura, a Galp foi um patrocinador importante de uma série de ciclovias construídas em Lisboa e que ainda hoje existem, podendo ser identificadas com umas placas metálicas no piso com o logótipo da energética e sinalética própria.

A ponte ciclopedonal sobre a Segunda Circular e entre Telheiras e das Torres de Lisboa enquadrava-se neste trabalho conjunto de colaboração entre a autarquia e a Galp. O projecto começou em 2009 mas o concurso público só foi lançado em 2011 e a inauguração aconteceu apenas em 2015 pelo Presidente da Câmara, António Costa. Foram seis anos para construir uma ponte e um investimento de 1,365 milhões de euros – inicialmente a obra iria custar 1,2 milhões, encareceu 160 mil euros durante as promessas. A Galp meteu 900 mil euros; a autarquia ia dar 465 mil euros, mas, em 2017, a factura acabou por dobrar para 778,95 mil. Portanto, no total, o custo da obra rondou os 1,7 milhões.

Não existindo dados concretos, a “ponte da Galp” será utilizada por vários ciclistas diariamente, incluindo utilizadores da GIRA, uma vez que apresenta uma inclinação aceitável e ajuda a transpor o obstáculo da Segunda Circular. A ponte permite, por exemplo, chegar facilmente à Praça de Espanha e à zona do Saldanha através da Avenida dos Combatentes, num trajecto mais directo e com menos cruzamentos e semáforos que a ligação pelo Campo Grande, Entrecampos e Avenida da República. Também recentemente, esta ponte passou a ter um novo acesso a partir da ciclovia da Rua Fernando Namora, em Telheiras: além das vias partilhadas 30+bici que foram criadas por altura da ponte, passou a existir uma zona de coexistência com um pequeno jardim nas traseiras da Escola Básica São Vicente.

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

A pé, a ponte pode ser usada para quem trabalhe nas Torres de Lisboa e saía na estação de metro de Telheiras, por exemplo. Sem esta ponte, a alternativa seria passar por baixo do viaduto da Segunda Circular através da Estrada da Luz, um trajecto menos directo e mais demorado. Não há muitas pontes a permitir atravessar a Segunda Circular. A mais próxima fica na zona do Estádio Universitário e da Escola Alemã e é a única além desta apta tanto para peões, como para ciclistas e para pessoas de mobilidade reduzida.

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