Parado desde a pandemia, o histórico Transpraia pode voltar a ligar as praias da Costa da Caparica e da Fonte da Telha. O novo proprietário, o francês Gregory Bernard, quer transformar o antigo comboio em mais do que um simples meio de transporte para veraneantes. Mas o regresso do Transpraia vai depender do apoio e da vontade da Câmara de Almada.

Corria o ano de 2020 quando a pandemia chegou a Portugal e foram impostas regras de distanciamento social. Estas regras que se aplicavam a todos os espaços públicos, incluindo os transportes, não deixaram de fora o Transpraia, fazendo com que a lotação tivesse de ser reduzida. E a impossibilidade de transportar mais passageiros foi a paragem final de um negócio que já não ia de feição.
Inaugurado a 29 de Junho de 1960, o Transpraia era um pequeno comboio sazonal que ligava a Costa da Caparica à Praia da Fonte da Telha, percorrendo cerca de oito a nove quilómetros. Com duas dezenas de paragens ao longo da frente marítima de Almada, servindo as várias praias e os seus banhistas, o serviço funcionava apenas nos meses de Verão, entre Junho e Setembro. Conhecido como o mini-comboio ou comboiozinho da Caparica, simplificou o acesso a praias mais remotas, numa altura em que as ligações rodoviárias não eram tão facilitadas.
Oferecendo frequências de 30 minutos e viagens de cerca de 25 minutos, variando consoante a procura ao longo do percurso, o Transpraia tinha bilhetes a custar entre três euros, para um trajecto de ida só na primeira zona (Costa-Riviera), e oito euros, para uma viagem completa (duas zonas) de ida e volta. As crianças pagavam 50% das tarifas, e havia bilhetes de 10 viagens a 22 ou 33 euros, dependendo do número de zonas. O serviço funcionava entre as nove e 20 horas, havendo uma frota composta por quatro locomotivas a diesel, com motor da Mercedes-Benz, e 20 carruagens.


A inauguração do Transpraia contou com um aparato oficial que incluiu representantes políticos e outros convidados. Entre 1960 e 1963, funcionou num troço de quatro quilómetros entre o centro da Costa, junto à Praia do Barbas, e a Praia da Riviera, onde ainda hoje se encontra o barracão de oficina e de armazenamento do material circulante. O prolongamento da Riviera até à Fonte da Telha abriu a 20 de Julho de 1963. Chegou a ser equacionada uma extensão do Transpraia até ao Cabo Espichel, num percurso que teria 20 quilómetros no total, mas o plano foi abandonado cedo.





