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Moradores conseguem salvar jacarandás no Lumiar

Em Julho, três jacarandás e um cipreste foram marcados para abate na Quinta do Lambert, no Lumiar, para a construção de uma rotunda de acesso ao futuro supermercado Mercadona. A pressão dos moradores levou agora a Câmara de Lisboa a alterar o projecto e a manter todas as árvores.

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Em Julho, três jacarandás e um cipreste foram marcados para abate na Quinta do Lambert, no Lumiar, para a construção de uma rotunda de acesso ao futuro supermercado Mercadona. A pressão dos moradores levou agora a Câmara de Lisboa a alterar o projecto e a manter todas as árvores.

Quatro destas árvores seriam abatidas para a construção de uma rotunda (fotografia LPP)

Um grupo de moradores da Quinta do Lambert, no Lumiar, conseguiu travar o corte de três jacarandás e de um cipreste na sequência da construção de um supermercado Mercadona. As quatro árvores seriam abatidas com as alterações viárias para servir a nova superfície comercial, mas, depois da pressão popular, o desenho foi alterado para preservar as espécies arbóreas.

As árvores que poderiam ser removidas estão no interior de um triângulo formado pelo cruzamento das ruas Agostinho Neto e Amílcar Cabral, local onde está prevista nascer uma rotunda de acesso à futura loja Mercadona. São sete árvores mas só quatro delas estavam em risco de abate.

Ao jornal Público, a Câmara de Lisboa diz agora que o desenho viário “foi aperfeiçoado” e que nenhuma das sete árvores do local será removida, ao contrário do que indicavam os primeiros avisos afixados no Verão em quatro árvores, indicando o seguinte: “Por motivos fitossanitários que alteram a estabilidade desta árvore, podendo pôr em causa a segurança de pessoas e bens, esta árvore será abatida e substituída no âmbito da obra a decorrer.”

Esses avisos remetiam para uma folha técnica, assinada assinada por um elemento da Divisão de Manutenção e Requalificação da Estrutura Verde da Câmara de Lisboa; nesse documento, explicava-se que o “transplante não seria viável para nenhum dos quatro exemplares” identificados e que, dada a regra da autarquia de repor o dobro das árvores abatidas, seriam plantados oito exemplares nas imediações ou num espaço verde da freguesia do Lumiar.

A mobilização começou quando os moradores se aperceberam das folhas afixadas. Shawn Berlin e Céu Pereira, residentes há mais de duas décadas naquela zona, colaram cartazes de protesto nas árvores a denunciar a situação, enviaram queixas à Câmara de Lisboa e lançaram uma petição online. A contestação começou a espalhar-se rapidamente pelas redes, com o apoio de activistas como Nuno Prates, conhecido como Lisbon Gardener, que acusou a autarquia de estar a fazer uma “troca de árvores saudáveis por uma rotunda”.

Uma rotunda estava prevista para este local, levando ao abate de quatro árvores; a rotunda vai ser feita mas preservando todas as árvores, garante a Câmara de Lisboa (fotografia LPP)

A pressão levou a Câmara de Lisboa a rever o projeto. “O desenho final da solução viária foi aperfeiçoado, para ficar mais adaptado ao local de implantação, evitando a remoção das sete árvores existentes na placa central do entroncamento”, confirmou a autarquia ao jornal Público. Apesar de inicialmente estar prevista apenas o abate de quatro árvores, os moradores estavam preocupados que a obra pudesse impactar os sete exemplares.

Apesar da manutenção dos três jacarandás e do cipreste, a obra seguirá com a plantação de 20 novas árvores naquela zona, oito jacarandás e as restantes 12 de outras espécies diferentes. Essa plantação será feita não só com a reformulação do entroncamento entre as ruas Agostinho Neto e Amílcar Cabral com a criação de uma rotunda, mas também no âmbito do loteamento que está a ser criado na Alameda das Linhas de Torres com 400 fogos, que está a envolver a construção de novos arruamentos, incluindo o prolongamento da Rua Ventura Abrantes.

Imagem ilustrativa do NoLiPa, o novo empreendimento que está a nascer junto ao local do futuro supermercado Mercadona (DR)
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