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Movimento anti-Metro surge na Costa da Caparica

Um movimento de cidadãos tem-se mobilizado contra a expansão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e à Trafaria, contestando a sua passagem pela Avenida Afonso de Albuquerque.

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Um movimento de cidadãos tem-se mobilizado contra a expansão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e à Trafaria, contestando a sua passagem pela Avenida Afonso de Albuquerque.

Monte da Caparica é uma das últimas estações da Linha 3 do MTS (fotografia LPP)

Um movimento de cidadãos está a contestar a expansão do Metro Sul do Tejo até à Costa da Caparica e à Trafaria, em particular o traçado que passa pela Avenida Afonso de Albuquerque, desde a Costa da Caparica até à Trafaria. Foi lançada uma petição que junta mais de 1400 assinaturas, entre moradores e comerciantes, e outros apoiantes.

O movimento considera que o metro ligeiro de superfície não é uma solução para uma cidade pequena com a Costa da Caparica. Dizem que esse sistema de transporte tem um “elevado custo de construção e manutenção”, o que se traduz em “investimentos avultados que poderão não ser compensados pelo volume de passageiros transportados”. “Este factor levanta dúvidas sobre a viabilidade económica do projeto na Costa da Caparica, especialmente quando existem alternativas mais acessíveis e flexíveis, como o reforço da rede de autocarros e a criação de corredores dedicados para transportes públicos.”

Os argumentos

Na petição é referido que a “construção de um metropolitano de superfície teria um impacto significativo no ambiente e na paisagem da Costa da Caparica”, “incluindo a impermeabilização das áreas, abate de árvores e poluição sonora”. Os peticionários temem que o prolongamento da Linha 3 do Metro Sul do Tejo provoque uma “descaracterização da cidade, com abate de árvores na Avenida Afonso de Albuquerque”. São ainda apontados pelos peticionários “impactos negativos no fluxo do trânsito e estacionamento local, com a redução das faixas de rodagem”, e “transtornos consideráveis aos moradores e comerciantes locais” durante o período de obras.

Em alternativa, a petição sugere “melhoria da rede de autocarros” e a aposta numa solução de BRT, o que “permitiria um transporte mais eficaz sem os custos e impactos negativos associados a um metropolitano de superfície”. O BRT (ou Metrobus) é um sistema de autocarros que circula em vias dedicadas e com menos paragens, funcionando de forma semelhante a um metro ligeiro de superfície. É mais barato de implementar no imediato, mas pode revelar-se mais caro a longo prazo, devido à menor durabilidade dos autocarros face a veículos eléctricos/comboios ligeiros. Além disso, tem menor capacidade de transporte e uma eficácia mais limitada na transferência de utilizadores do transporte individual para o transporte público. Para muitos, o BRT é uma solução “melhor que nada”, mas as pessoas tendem a preferir um metro “a sério”, mais confortável.

Avenida Afonso de Albuquerque (fotografia LPP)

A petição está a ser conduzida pelo movimento Cidadania Na Costa, que foi lançado por oito pessoas “com histórias e percursos distintos” : Diogo Faria de Oliveira, Catarina Pinto da Costa, Jorge Peixoto, Cláudia Almeida, João Sousa Morais, Raquel de Castro Lopo, Joana Jesus e Daniel Queiroz. Dizem que “qualidade de vida e equilíbrio ambiental não são luxos, são direitos” e que vão “até onde for preciso”. “Ouvimos todos, mas não admitimos que negligenciem a nossa terra, a nossa identidade, a nossa cultura e a nossa forma de viver, por caprichos eleitoralistas, guerras de poder ou conveniências de ocasião”, indicam numa apresentação do movimento, referindo ainda que são “apartidários porque só assim se constrói com todos e com independência, emocional e intelectual”.

O movimento tem feito algumas acções de protesto na Costa da Caparica, desde a afixação de cartazes a manifestações na rua. Caso queiras saber mais sobre este movimento e o que defende podes ler esta entrevista ao Almadense.

A participação pública

Entretanto, recorde-se que o processo de expansão do Metro à Costa da Caparica e à Trafaria arrancou com uma fase de participação pública entre 30 de janeiro e 21 de Março deste ano, que combinou a participação online – mediante o preenchimento de um formulário disponibilizado no site da Câmara de Almada – com quatro sessões presenciais de participação presencial. Ao longo deste período, foram recolhidos 1 214 contributos, entre perguntas, sugestões e pareceres relacionados com o projecto.

O Relatório Final da Participação Pública, da responsabilidade da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT), sintetiza todo este processo de participação pública. “Entre os contributos recebidos, destacaram-se os relacionados com a ligação do metro de superfície com outros modos de transporte, nomeadamente os barcos e os autocarros, e a localização das novas interfaces, incluindo a da estação fluvial da Trafaria e a nova interface planeada para a entrada da Costa da Caparica. A Avenida Afonso de Albuquerque foi um dos pontos mais debatidos, principalmente quanto ao impacto do projeto nos esquemas de trânsito, arborização, segurança e descaracterização da avenida”, pode ler-se no documento, que pode ser consultado em baixo.

A Avenida Afonso de Albuquerque foi tema recorrente neste processo de participação pública, com a discussão da viabilidade da construção do metro na avenida face a outros modos de transporte e a preocupação da manutenção do número de vias de trânsito actual. Surgiu também a sugestão de se criar uma linha entre a FCT e a Costa da Caparica e outra entre a FCT e a Trafaria, evitando assim a passagem pela referida avenida.

O relatório está agora em análise pelo grupo de trabalho para o prolongamento do Metro Sul do Tejo que integra elementos do Metro de Lisboa, da Câmara de Almada e da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML). Em cima da mesa, está uma extensão da Linha 3 desde a estação Universidade até à Trafaria, passando pela Costa da Caparica, onde está prevista uma nova grande interface de mobilidade. Este novo corredor servirá vários aglomerados populacionais, assegurando uma melhor conectividade destes territórios à actual rede do Metro Sul do Tejo.

As primeiras imagens

A expansão do Metro à Costa da Caparica e à Trafaria ainda seguirá um processo moroso, com a concretização do estudo prévio e com a avaliação de impacto ambiental. No entanto, Inês de Medeiros, reeleita Presidente da Câmara de Almada no passado dia 12 de Outubro, já deixou garantias de que o metro não vai tirar vias à Avenida Afonso de Albuquerque e reforçou o compromisso com o prolongamento até à Trafaria.

Num vídeo promocional, publicado nas redes sociais durante a campanha eleitoral, foram partilhadas imagens preliminares de como poderá ficar o avenida com a integração do canal do metro ligeiro de superfície. Questionado pelo LPP, a Câmara de Almada recusou-se a prestar mais informações ou a facultar as imagens reproduzidas no vídeo.

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