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Cacilhas começa a despedir-se dos cacilheiros


Entrou esta segunda-feira ao serviço o primeiro barco eléctrico na ligação entre Cacilhas e o Cais do Sodré, levando à reposição dos horários originais. Cacilhas começa, assim, a despedir-se dos seus emblemáticos cacilheiros.

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Entrou esta segunda-feira ao serviço o primeiro barco eléctrico na ligação entre Cacilhas e o Cais do Sodré, levando à reposição dos horários originais. Cacilhas começa, assim, a despedir-se dos seus emblemáticos cacilheiros.

Um barco eléctrico reforça desde esta segunda-feira, 3 de Novembro, a ligação fluvial entre Cacilhas e o Cais do Sodré (fotografia LPP)

A Transtejo Soflusa (TTSL) iniciou esta segunda-feira, 3 de Novembro, a operação do primeiro barco eléctrico na ligação fluvial entre Cacilhas e o Cais do Sodré, dando início à substituição progressiva dos tradicionais cacilheiros e catamarãs nesta ligação. A renovação da frota, iniciada em 2021, consiste na aquisição de 10 navios elétricos para substituir todos barcos a diesel nas ligações de Cacilhas, Seixal e Montijo. O investimento, de 52,44 milhões de euros, é financiado por fundos europeus e implica a descontinuação das antigas embarcações.

A frota da TTSL é composta por três cacilheiros – “Dafundo”, “Seixalense” e “Sintrense” –, que datam dos anos 1980 e têm capacidade para 408 passageiros. Os novos barcos eléctricos, construídos pela espanhola Astilleros Gondán, oferecem 30% mais capacidade (540 passageiros), acessibilidade reforçada para pessoas com mobilidade reduzida, e espaço para 20 bicicletas.

Os cacilheiros eram os barcos que, como o nome indica, partiam de Cacilhas com destino a Lisboa. Com tons alaranjados, tornaram-se um ícone do Tejo, nos dois lados das margens. Chegaram a operar nas ligações para o Seixal, Montijo, Barreiro, Trafaria e Porto Brandão noutros tempos, antes de terem sido substituídos pelos catamarãs azuis e brancos.

Com 40,15 metros de comprimento e 12 metros de largura, os novos barcos 100% eléctricos permitem alcançar uma velocidade de cerca de 30 km/h, sendo a mesma assegurada por um sistema de propulsão “Battery System”, baseado em acumuladores e motores eléctricos, que asseguram uma autonomia de 70 minutos em operação contínua. Existem carregadores rápidos em cada terminal fluvial para ir assegurando o carregamento dos barcos. No interior, estes novos barcos contam com um espaço mais moderno e confortável com os antigos cacilheiros, com ar condicionado moderno, tomadas eléctricas e WCs.

Horários retomados em Cacilhas

A TTSL repôs os horários originais na ligação Cacilhas-Cais do Sodré: em vez de quatro barcos por horas, voltaram a existir sete (fotografia LPP)

Entre Cacilhas e Lisboa, o novo navio eléctrico opera, por agora, apenas nas horas de ponta, juntamente com um cacilheiro e uma embarcação a diesel. A TTSL pretende electrificar totalmente a ligação entre Cacilhas, em Almada, e o Cais do Sodré, em Lisboa, com três a quatro navios elétricos em operação regular.

Durante vários meses, para fazer face a limitações operacionais, a operadora anunciou ajustes de horários em várias ligações, como o LPP reportou. No caso de Cacilhas, entre as seis da manhã e as 11 horas partiam quatro barcos por hora para o Cais do Sodré, número que se repetia no sentido inverso entre as 15 e as 19 horas. Com o regresso do horário completo de dias úteis, a oferta foi reforçada com sete partidas por hora de manhã e de tarde, como nota a Antena 1. Assim, com o arranque da operação eléctrica em Cacilhas, foram acrescentadas 38 ligações e 75 mil lugares mensais, segundo contas da TTSL.

A ligação entre o Seixal e o Cais do Sodré é, para já, a única totalmente operada por navios 100% elétricos. A TTSL prevê a progressiva afetação da nova frota às ligações de Cacilhas e do Montijo, onde os primeiros barcos elétricos também já começaram a operar. A empresa já recebeu os 10 navios elétricos encomendados em 2021, concluindo assim o processo de renovação da frota. O último a chegar, no final de outubro, foi o “Peneireiro-Cinzento”. O plano da TTSL passa por eletrificar por completo as operações fluviais de Cacilhas, Seixal e Montijo, com oito navios em serviço regular e dois de reserva.

De fora da electrificação, ficam as ligações entre Lisboa e o Barreiro, onde continuarão a circular os catamarãs a diesel. Entre a Trafaria, Porto Brandão e Belém, mantém-se os ferrys também a diesel. A TTSL sublinha que esta “operação mista” com barcos eléctricos e a diesel contribui para uma mobilidade mais sustentável no Tejo, reduzindo emissões e melhorando a experiência dos passageiros. A TTSL tem de tirar de circulação os barcos a diesel de Cacilhas, Montijo e Seixal, porque foi esse o compromisso que fez para ter esta renovação de frota financiada com fundos comunitários. Esses barcos terão de ser abatidos, explicou a empresa ao LPP. No entanto, a empresa também admitiu estar a estudar formas de preservar algumas das embarcações mais antigas, nomeadamente os icónicos cacilheiros.

Recorde-se que a renovação da frota fluvial da área metropolitana de Lisboa tem um custo global de 96,895 milhões de euros, divididos entre 79,981 milhões para os navios e respectivas baterias, 14,446 milhões para as estações de carregamento e 2,5 milhões para outras despesas relacionadas com este projecto, sendo o apoiado pelo Fundo Ambiental do Governo português e por fundos comunitários. As ligações fluviais de Cacilhas, Montijo e Seixal são usadas por mais de sete milhões de passageiros por ano, numa região com cerca de três milhões de habitantes e que está cortada por um largo estuário do Tejo.

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