No Lumiar, os pilaretes da ciclovia da Alameda das Linhas de Torres foram substituídos por novos segregadores, desenvolvidos internamente pela Câmara de Lisboa. Contudo, poucos dias após a instalação, vários destes elementos já estavam danificados.

A Câmara de Lisboa começou a instalar. no Lumiar, um novo modelo de barreiras para ciclovias, criado internamente, com o objectivo de substituir progressivamente os balizadores verticais de plástico/borracha, vulgo pilaretes, que têm sido usados nos últimos anos. A estreia ocorreu na Alameda das Linhas de Torres, entre a Rua Cordeiro Ferreira e a Avenida Rainha Dona Amélia, onde, no final do mês de Outubro, os pilaretes começaram a ser trocados pela nova solução.
Lisboa cria o seu próprio segregador
A autarquia lisboeta tinha anunciado, no início deste ano, que estava a trabalhar no seu próprio segregador para ciclovias, seguindo uma abordagem seguida noutras cidades europeias, como Madrid ou Paris. “Estamos a desenvolver um segregador. É desenho nosso. As peças encaixam-se uma na outra, e é aparafusa em três pontos: nas rótulas, de um lado e do outro, e a meio. E é parafusada ao longo do chão”, detalhou João Rocha e Castro, arquitecto paisagista, responsável pelo Grupo de Trabalho da Câmara de Lisboa para a rede ciclável, criado em 2024.



“Estamos a pensar que com as nossas brigadas, podemos fazer isto internamente. A peça só pesa 42 kg. Pode ser manuseada por duas pessoas.” Para o responsável, este segregador tem um design rasteiro, cumprindo a função de delimitar o canal ciclável sem perturbar a paisagem urbana. “Contribui claramente para a definição urbana do que é uma avenida e do que é uma rua”, defendeu João Rocha e Castro, que falava numa sessão promovida pela Lisboa E-Nova.
A Câmara de Lisboa quer eliminar a utilização de balizadores verticais de plástico para delimitar as ciclovias De acordo com o arquitecto, esses balizadores estragam-se com facilidade. “Cada carro que bate naquilo naquilo ou com um autocarro a fazer a curva, fica tudo partido. Uma rua é toda trabalhada e um mês depois parece que não é arranjada há 10 anos”, explicou.
Estreia conturbada
Se a questão estética é pertinente – e os segregadores desenhados pela Câmara de Lisboa parecem integrar-se bem na paisagem urbana –, importa também olhar para a qualidade e resistência da solução. Os novos balizadores começaram a ser instalados na Alameda das Linhas de Torres, num troço de ciclovia que já contava com balizadores em estado razoável. E prometiam melhorar aquela artéria central da freguesia do Lumiar e também da cidade. Poucos dias depois, porém, vários dos novos elementos apresentavam danos visíveis, sobretudo nas curvas e nas zonas onde a ciclovia cruza as faixas de rodagem. Alguns estavam rachados, outros totalmente destruídos – sinal de que poderão não ser muito resistentes.


As peças danificadas foram substituídas entretanto, mas, mesmo após essas correções, continuam a registar-se fissuras, como testemunhou o LPP no local.
Estes novos segregadores foram produzidos pela empresa portuguesa CITILAB, especializada em mobiliário urbano, a partir de um desenho do Município lisboeta. Ainda não foi publicado no portal Base qualquer contrato relativo a este investimento público, pelo que não são conhecidos os custos nem o processo de adjudicação. De acordo com o Base, é a primeira vez que a CITILAB colabora na produção de delimitadores de ciclovia.


A instalação destas novas barreiras na ciclovia da Alameda das Linhas de Torres foi conduzida pela EMEL, no âmbito de um programa de manutenção de ciclovias mandatado pela autarquia, que inclui repinturas, reposição de sinalização e substituição de elementos danificados. Segundo a empresa municipal, este tipo de intervenções visa “garantir condições ideais de segurança a quem opta pela bicicleta”.








