Jardim da Estrela está em obras e vai ser o primeiro refúgio climático de Lisboa

O Jardim da Estrela vai ser o primeiro refúgio climático da cidade e está a ser requalificado com novos tapetes de relva, a reabilitação dos lagos e novos canteiros. Em breve, terás o jardim de volta para os teus piqueniques.

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O Jardim da Estrela vai ser o primeiro refúgio climático da cidade e está a ser requalificado com novos tapetes de relva, a reabilitação dos lagos e novos canteiros. Em breve, terás o jardim de volta para os teus piqueniques.

O Jardim da Estrela está a receber novos relvados (fotografia LPP)

É um jardim histórico da cidade. Foi, aliás, o primeiro jardim público de Lisboa e continua a ser um espaço que junta casais de namorados, famílias com as suas crianças e piqueniques de amigos. O Jardim da Estrela, também conhecido como Jardim Guerra Junqueiro, vai ser o primeiro refúgio climático de uma rede que a Câmara de Lisboa está ainda a preparar. E tem estado em obras a pensar no regresso do tempo quente.

A intensa utilização dos relvados do Jardim da Estrela para convívios entre amigos, piqueniques, práticas desportivas e outras actividades levou, ao longo do tempo, à degradação dos mesmos. Situação que a autarquia começou, recentemente, a rectificar. “Sendo um jardim histórico e de proximidade, o Jardim da Estrela sofre forte pressão de utilização, com impactos negativos como buracos nos canteiros provocados por cães, instalação de equipamentos de treino nas árvores ou festas nos relvados, que danificam fortemente a vegetação”, explica a Câmara de Lisboa numa declaração escrita ao LPP.

Estão a ser plantados mais de 20 mil arbustos (fotografia LPP)

Durante os últimos meses, o Jardim da Estrela tem estado em obras em vários dos seus espaços. Estão a ser colocados novos tapetes de relva para cobrir as áreas que tinham ficado praticamente despedidas, plantadas mais de 20 mil arbustos e outras plantas, e ainda realizadas mondas e retanchas nos canteiros. Além destes trabalhos mais visíveis a quem passeia pelo jardim, está a ser feita a manutenção e reparação de mobiliário urbano, muros e pavimentos, a reparação e pintura dos portões e a recuperação das valetas de drenagem.

Outra parte importante desta requalificação do Jardim da Estrela, entretanto já concluída, foi a impermeabilização dos dois lagos, que “apresentavam fissuras que provocavam perdas de água”. Esta impermeabilização “permitirá reduzir consumos e garantir uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos”, garante a autarquia na mesma resposta escrita.

Já concluída a impermeabilização dos dois lagos (fotografias LPP)

Quanto ao coreto, que tem estado interdito há largos quatro anos para obras de recuperação que nunca mais avançam, a Câmara de Lisboa indica que está concluído o projecto de execução com a validação da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), encontrando-se em “em preparação o lançamento da empreitada de recuperação”. “Paralelamente, os serviços municipais irão iniciar, desde já, os trabalhos preliminares de pintura”, indica.

O coreto vai ser recuperado em breve, promete a autarquia (fotografia LPP)

Porque os cidadãos também devem ser activos na manutenção dos espaços verdes da cidade, a Câmara de Lisboa preparou uma campanha de sensibilização para “sensibilizar para os impactos da utilização incorreta dos jardins e parques”, bem como “incentivar boas práticas que garantam a preservação e a valorização destes espaços”. Esta campanha consiste na instalação de sinalética, o que já aconteceu no Jardim da Estrela, bem como com divulgação digital e acções no terreno, previstas para breve.

Entre a aquisição de relvados, de plantas e a recuperação dos lagos, a requalificação do Jardim da Estrela está a custar mais de 166,6 mil euros à Câmara de Lisboa – valor que não integra os custos internos.

O primeiro refúgio climático de Lisboa

O renovado Jardim da Estrela é o primeiro espaço da cidade a integrar a Rede de Refúgios Climáticos de Lisboa, que está ainda em criação “em articulação com as entidades competentes”. Esta rede, que “será activada em situações de calor ou frio extremos”, é “constituída por espaços públicos, como parques e jardins, e por equipamentos edificados acessíveis à população, com diferentes usos e funcionalidades, que garantam conforto térmico durante eventos climáticos extremos, especialmente para os grupos mais vulneráveis”.

Além do Jardim da Estrela, esta rede vai integrar a Quinta Pedagógica dos Olivais, mas a autarquia diz que o projecto está ainda “em fase de desenvolvimento e consolidação, pelo que novos locais estão a ser avaliados para integração”. “A divulgação pública do projecto será feita assim que a identificação e validação dos espaços estejam concluídas”, acrescenta.

O primeiro refúgio climático de Lisboa (fotografia LPP)

Ainda assim, a Câmara de Lisboa avança que, no que toca a refúgios com vista a proteger do calor, este terão “por base o Mapa da Ilha de Calor Urbano, que assinala as zonas mais sobreaquecidas da cidade, devido à sua elevada artificialização e baixa ventilação natural”. Na entrada do Jardim da Estrela, é possível encontrar o logótipo que o identifica como um refúgio climático.

“Paralelamente, no âmbito do projecto europeu ‘Cool Noons’, está a ser delineada uma rede de rotas urbanas com menor exposição ao calor, que inclui zonas verdes, espaços públicos sombreados e edifícios climatizados – como museus ou igrejas – que funcionam como pontos de refúgio durante ondas de calor”, explica o município, referindo que todas estas medidas fazem parte da estratégia da capital de adaptação às alterações climáticas.

O Jardim da Estrela foi oficialmente inaugurado a 3 de abril de 1852 e é um dos poucos jardins românticos da cidade. Projectado por Bonard e João Francisco, foi pensado como um espaço de lazer burguês, inspirado nos parques ingleses. Com 4,6 hectares, alberga espécies exóticas, lagos, grutas e esculturas, além de um coreto. Situado em frente à Basílica da Estrela, mantém-se como um dos recantos mais emblemáticos e tranquilos de Lisboa. Conta com dois quiosques-bar, um quiosque-biblioteca, um parque infantil e um miradouro. No lado poente-norte do jardim, situa-se a Casa do Jardim da Estrela, um equipamento cultural gerido pela Câmara Municipal de Lisboa integrado na rede Um Teatro Em Cada Bairro.

Vê aqui as fotos da intervenção no Jardim da Estrela:

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