Um retrato do arrendamento na área metropolitana de Lisboa

Relatório destaca um "mercado inacessível, inseguro e insatisfatório", onde a sobrecarga excessiva com o pagamento da renda é regra e os inquilinos têm de pedir apoios para conseguir sustentar as despesas.

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Relatório destaca um “mercado inacessível, inseguro e insatisfatório”, onde a sobrecarga excessiva com o pagamento da renda é regra e os inquilinos têm de pedir apoios para conseguir sustentar as despesas.

Amadora, área metropolitana de Lisboa (fotografia LPP)

Foi apresentado o primeiro estudo sobre o mercado do arrendamento na área metropolitana de Lisboa – um trabalho realizado pela associação Habita em colaboração com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com financiamento europeu. Este relatório foi lançado em Abril deste ano, mas destacamo-lo agora porque não o fizemos antes e porque Lisboa aprovou um novo Regulamento do Alojamento Local (AL).

O Retrato do Arrendamento na Área Metropolitana de Lisboa (DR)

Carlotta Monini, Raquel Ribeiro, Ana Cordeiro Santos e Rita Silva, autoras do estudo, fornecem um retrato de um mercado do arrendamento inacessível, inseguro e insatisfatório, onde a sobrecarga excessiva com o pagamento da renda é regra e os inquilinos têm de pedir apoios para conseguir sustentar as despesas. O relatório evidencia uma condição inquilina feita de diversas formas de coabitar, muitas vezes forçadas, e de más condições de habitabilidade, tendo apenas 13% dos inquilinos entrevistados declara viver em casas sem problema.

O estado destaca também uma precariedade altíssima (53% sente insegurança relativamente à permanência na habitação que aluga), que tem efeitos sobre a saúde mental e física das pessoas e que produz despejos invisibilizados e assédio habitacional das pessoas mais vulneráveis.

Através de novos dados e de uma profunda e atenta análise, as autoras oferecem uma ferramenta fundamental para todas as pessoas e colectivos que lutam pelo direito à habitação. Conhecer a realidade habitacional é o primeiro passo para uma acção coletiva que consiga mudar o status quo, destaca a Habita, associação pelo direito à habitação e à cidade.

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