O Ruas Abertas é um projecto comunitário da Junta de Freguesia de Arroios que visa abrir temporariamente ruas à vida de bairro, encerrando-as às circulação rodoviária. Moradores, comerciantes e associações podem candidatar-se e propor uma “Rua Aberta” por mês.

A Junta de Freguesia de Arroios lançou no passado sábado, 31 de Janeiro, o programa Ruas Abertas, uma iniciativa que pretende abrir temporariamente ruas da freguesia à comunidade, encerrando-as à circulação rodoviária por períodos curtos, para promover espaços pedonais, onde se pode caminhar, brincar, descansar e viver o bairro.
A ideia da Junta de Arroios é convidar moradores, associações locais e comerciantes a mobilizarem-se para transformar uma qualquer rua da freguesia numa Rua Aberta, isto é, num espaço que, por algumas horas, ao fim-de-semana, deixar de ser de apenas circulação e passa a ser um ponto de encontro.
“Em Arroios, acreditamos que o espaço público deve servir as pessoas: quem aqui vive, trabalha, cuida, brinca, cria e constrói comunidade todos os dias. O projecto Ruas Abertas nasce dessa convicção simples: as ruas podem ser mais do que carros em movimento; podem ser encontros em movimento”, indica a Junta de Freguesia na apresentação do projecto. “Porque uma freguesia mais justa, mais viva e mais humana constrói-se assim: abrindo espaço, abrindo tempo, abrindo ruas.”
A primeira Rua Aberta decorreu no dia 31 de Janeiro na Rua Maria, com encerramento temporário à circulação automóvel de um troço desse arruamento entre as 12 e 16 horas, no troço entre os números 55 e 71. Durante este período, essa rua transformou-se num espaço pedonal, de encontro, com actividades de bairro como jogos, convívio e momentos culturais, num ambiente pensado para ser calmo, seguro e inclusivo.
A Junta de Arroios quer promover uma Rua Aberta por mês, sempre ao fim-de-semana e com duração máxima de quatro horas. A autarquia vai receber candidaturas, que precisam de ser colectivas (um mínimo de três residentes ou comerciantes, ou uma associação), e analisá-la. Quando aprovada, a Junta define as condições necessárias para que tudo aconteça com segurança, como a delimitação do troço a encerrar à circulação rodoviária, a colocação de sinalização temporária, a garantia de acessos essenciais (incluindo emergência), e toda a comunicação.
“Este é um projecto feito com quem aqui mora, não apenas para quem aqui mora. Qualquer pessoa pode propor a sua rua. A Junta escuta, avalia em conjunto, cuida da segurança e da logística e ajuda a tornar possível aquilo que a comunidade imagina”, refere a Junta de Arroios. “Criamos, assim, tempo e espaço para caminhar com calma, para as crianças brincarem em segurança, para a vizinhança se encontrar, para o comércio local ganhar nova energia e para a cultura de bairro sair à rua.”
As ruas não estão pré-definidas, mas têm de ser dentro da freguesia de Arroios. A Junta disponibiliza no seu site o regulamento, o formulário de candidatura e um perguntas frequentes. Todas as informações sobre este projecto podem ser encontradas aqui.
O encerramento de ruas à circulação rodoviária para promoção da circulação pedonal, estadia e de actividades não é algo novo em Lisboa. Em 2019, a Câmara de Lisboa, então liderada pelo socialista Fernando Medina, lançou o programa A Rua É Sua com o encerramento da Avenida da Liberdade no último domingo do mês, iniciativa que terminou com o Covid-19. Mas a pandemia relançou o programa com iniciativas em mais ruas da cidade, nomeadamente em locais com restauração e comércio, numa altura em que o distanciamento social era necessário.
Em 2023, o Conselho de Cidadãos, organizado no primeiro mandato de Carlos Moedas na Câmara de Lisboa, propôs o encerramento ao trânsito de ruas de bairro aos fins-de-semana. Uma ideia que o então e actual Presidente da Câmara concordou, apesar de nunca a ter implementado. Mas Moedas defendeu a transformação de ruas em espaços de encontro e de brincadeira, sem carros, em oposição ao encerramento da Avenida da Liberdade aos domingos.



















