Carlos Moedas vai entregar as responsabilidades da saúde, do desperdício alimentar e das candidaturas a projectos europeus a vereadora que deixou o Chega. Com Ana Cristina Marques a tempo inteiro, Moedas passa a ter uma equipa maioritária.

Pela primeira vez desde 2017, vai haver uma maioria na Câmara Municipal de Lisboa, facilitando a aprovação de propostas e documentos. Carlos Moedas vai entregar pelouros à vereadora Ana Cristina Marques, que foi eleita na lista do Chega mas desfiliou-se do partido no passado mês de Janeiro por desentendimento. Com Ana Cristina Marques do seu lado, Moedas passa a ter nove vereadores com pelouro, garantindo, assim, um executivo maioritário.
Quem é Ana Cristina Marques? E como chegámos até aqui?
Doutorada em medicina dentária, Ana Cristina Marques foi eleita vereadora na Câmara de Lisboa pela lista do Chega. Era o número dois dessa lista, logo a seguir a Bruno Mascarenhas. Contabilizados e confirmados os votos das autárquicas de 2025, o Chega conseguiu eleger dois vereadores, enquanto que a CDU elegeu apenas um, João Ferreira. Por seu lado, a coligação Viver Lisboa, do PS, Livre e BE, encabeçada por Alexandra Leitão, elegeu sete vereadores – o mesmo número que a coligação Por Ti, Lisboa, do PSD, CDS e IL, liderada por Carlos Moedas. Matemática feita, isto significava que Moedas não tinha maioria garantida, tendo, nestes primeiros meses de mandato, conseguido entendimentos com o Chega para aprovação do Orçamento Municipal e de outras propostas.
Todavia, no final de Janeiro, Ana Cristina Marques anunciou a sua saída do Chega, passando a vereadora independente. Ou seja, o Chega perdia na Câmara de Lisboa uma vereadora, passando a ter apenas um representante. “Informo que irei assumir o mandato na qualidade de vereadora independente. Esta decisão prende-se com incompatibilidades políticas intransponíveis dentro do gabinete da vereação do partido Chega”, disse num comunicado enviado à agência Lusa. “Não posso permanecer como uma vereadora meramente decorativa, sem qualquer tipo de meios que permitam exercer um mandato competente em benefício da cidade de Lisboa”, adicionou.
E agora?

Com a passagem de Ana Cristina Marques a independente, Carlos Moedas terá visto uma oportunidade para criar uma maioria na Câmara lisboeta, o que já não acontecia desde que o socialista Fernando Medina perdeu a maioria que tinha (entregue pelo seu antecessor, António Costa) quando foi a eleições em 2017. Na prática, Ana Cristina Marques vai receber pelouros e passará a estar em regime de tempo inteiro, tal como os vereadores com que Moedas já conta.
A Ana Cristina serão “atribuídas competências nas áreas da saúde e do desperdício alimentar, assim como no âmbito do grupo de trabalho responsável pelas candidaturas a projectos europeus”, indica o departamento de comunicação da Câmara de Lisboa. “Com esta alteração, que resulta na formação de uma maioria com nove eleitos (num total de 17), serão reforçadas as condições para a governação estável e coesa da autarquia, permitindo ao executivo liderado por Carlos Moedas concretizar o programa sufragado pelos lisboetas para o quadriénio 2025-2029.”
A promoção de Ana Simões Silva a vereadora da coligação Por Ti, Lisboa vai acontecer na próxima sexta-feira, 13 de Fevereiro, às 9h30, data e hora para as quais está marcada uma reunião extraordinária do executivo camarário (que, sublinhe-se, integra os vereadores com pelouro, que estão a tempo inteiro, e os vereadores sem pelouro, como os do PS ou do Chega) destinada a formalizar a decisão. Assim, Carlos Moedas passa a ter maioria na Câmara de Lisboa, depois de nas últimas autárquicas ter ficado a um eleito de a alcançar.
Em declarações ao Observador, Moedas diz que “é uma boa notícia para a cidade de Lisboa e para os lisboetas”. “Esta maioria garante estabilidade e coesão à governação e oferece garantias de que o programa que foi sufragado pelos lisboetas, o projeto transformador que temos vindo a pôr em marcha, será executado com sucesso”, acrescenta o Presidente da Câmara de Lisboa.









