Como se aprende português numa escola onde quase metade dos alunos são estrangeiros

No Agrupamento Patrício Prazeres, onde 39% dos alunos têm origem estrangeira, dezenas de crianças migrantes têm tutorias semanais, através do projeto Academia CV.pt, para aprender português. Em Lisboa, onde quase 22% dos alunos estrangeiros do ensino público ainda não falam a língua de Camões, mais três agrupamentos implementaram o projeto e outros criaram respostas semelhantes. De Norte a Sul do país, segundo um estudo que inquiriu 126 agrupamentos, quase todas as escolas já têm iniciativas para apoiar estudantes imigrantes, mas ainda muito “desiguais”. Falta sobretudo “uma solução estruturada”.

No Agrupamento Patrício Prazeres, onde 39% dos alunos têm origem estrangeira, dezenas de crianças migrantes têm tutorias semanais, através do projeto Academia CV.pt, para aprender português. Em Lisboa, onde quase 22% dos alunos estrangeiros do ensino público ainda não falam a língua de Camões, mais três agrupamentos implementaram o projeto e outros criaram respostas semelhantes. De Norte a Sul do país, segundo um estudo que inquiriu 126 agrupamentos, quase todas as escolas já têm iniciativas para apoiar estudantes imigrantes, mas ainda muito “desiguais”. Falta sobretudo “uma solução estruturada”.

Aayan, Luciano, Sheike Raiyan e Raiyan (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

“Casa, obrigado, boa noite…”. Luciano enumera, quase sem fôlego, o comboio de palavras que acabou de escrever. Ao todo, 33. Tal como os outros três colegas estrangeiros, foi desafiado a registar o maior número possível de vocábulos em português que conhece numa folha branca. Depois, recortam as palavras de todos e espalham-nas pela mesa, juntando-as para tentar formar frases.

Este é um dos exercícios realizados nas tutorias individualizadas do Academia CV.pt – Capacitar e Valorizar em Português, um projeto que apoia crianças migrantes na aprendizagem da língua portuguesa e na sua integração no sistema educativo português. O LPP acompanhou recentemente uma dessas sessões na Escola Básica Rosa Lobato Faria, do Agrupamento de Escolas Patrício Prazeres, na freguesia de São Vicente, em Lisboa. O agrupamento, onde quase quatro em cada dez alunos são de origem migrante, aderiu a esta iniciativa em 2018.

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