Um pequeno festival sobre alimentação colocou-nos a reflectir sobre o passado, presente e futuro da Quinta do Ferro. Um bairro isolado e precário em Lisboa que, depois de décadas de promessas e adiamentos, está finalmente em obras.

“Por aqui, passam tuk-tuks a dizer que é a favela portuguesa”. A frase é de Miles Supico, proprietário de um terreno no número 70 da principal rua que atravessa a Quinta do Ferro, em Lisboa. Vamos conhecê-lo melhor nesta reportagem.
Já estivemos muitas vezes à entrada da Quinta do Ferro. Muitas vezes vimos aquele edifício alto de quatro andares, com janelas e portas cobertas de tijolo. Mas poucas vezes atravessámos o bairro e quando o fizemos foi sempre com o sentimento de que não pertencíamos ali. Com a sensação de que nos olhavam com alguma desconfiança, mesmo que ninguém nos estivesse a ver. No primeiro fim-de-semana de Novembro, foi diferente: entrámos na Quinta do Ferro e vivemos o bairro como nunca o tínhamos experienciado. O pretexto foi um pequeno festival que colocou a alimentação no coração do bairro para discutir o seu passado, presente e futuro.
A Quinta do Ferro fica perto da Graça e do Campo de Santa Clara, conhecido pela Feira da Ladra. É um território “a consolidar” à luz do Plano Director Municipal (PDM) em vigor. Uma zona que, até há pouco tempo, passava despercebida mas que começou a tornar-se ponto de passagem de turistas, a pé ou em tuk-tuks. E que começou, também, a entrar no radar de comunicação da Câmara de Lisboa, que, aliás, está agora a intervir no espaço público (através da empresa municipal SRU Lisboa) com infraestruturas de mobilidade, acessibilidade, saneamento e iluminação há muito reivindicadas pelos moradores.
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