Nos 50 anos, TTSL promete novas ligações no Tejo

Uma nova travessia fluvial entre Lisboa, Seixal e Barreiro, o regresso dos barcos ao Parque das Nações e a ligação entre Algés e Trafaria. Nos 50 anos, a operadora fluvial TTSL anuncia ideias de novas ligações no Tejo e outros planos.

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Uma nova travessia fluvial entre Lisboa, Seixal e Barreiro, o regresso dos barcos ao Parque das Nações e a ligação entre Algés e Trafaria. Nos 50 anos, a operadora fluvial TTSL anuncia ideias de novas ligações no Tejo e outros planos.

A TTSL fez 50 anos (fotografia Francisco Romão Pereira/LPP)

Uma nova travessia entre Lisboa, Seixal e o Barreiro, a reactivação do terminal fluvial do Parque dos Nações e a já anunciada ligação entre Algés e Trafaria. São estes os planos que a operadora fluvial TTSL (Transtejo Soflusa) tem em marcha e que deverá concretizar nos próximos anos. O anúncio foi feito por Rui Rei, que assumiu a presidência da TTSL em Outubro de 2025, deixando o cargo similar que ocupava na empresa de mobilidade de Oeiras, a Parques Tejo.

Ligar Seixal, Barreiro e Lisboa directamente

“Fazemos iniciar em breve uma ligação do Seixal ao Barreiro e ao Cais do Sodré. Nós com a operação eléctrica que temos no Seixal ainda temos margem de crescimento ao fim-de-semana. Depois veremos aos dias de semana”, anunciou Rui Rei à Antena 1. “Esta ligação serve para incrementar o Seixal e ao mesmo tempo para incrementar o Barreiro e trazê-lo para um ponto diferente da cidade de Lisboa, que é o Cais do Sodré”, acrescentou o responsável, referindo que esta novidade será lançada “até Março”.

Ao fim-de-semana, a oferta é mais reduzida no Seixal (fotografia LPP)

Seixal e Barreiro estão frente a frente no mapa, separados por poucos quilómetros. Mas, sem a antiga ponte que em tempos uniu as duas margens – e sem que uma nova travessia tenha saído do papel –, a deslocação entre os dois concelhos pode demorar cerca de uma hora, nomeadamente de autocarro.

O projecto do Arco Ribeirinho Sul, a cargo da sociedade Parques do Tejo, prevê uma ponte entre o Seixal e o Barreiro, com metro à superfície, reforçando a ligação entre as duas margens. Enquanto a infraestrutura não avança, o rio pode assumir-se como solução imediata para aproximar os dois concelhos. Uma travessia fluvial entre Seixal, Barreiro e Lisboa poderá não só encurtar distâncias entre as duas localidades da Margem Sul, como também reforçar a ligação do Seixal à capital ao fim-de-semana, período em que a oferta actual é limitada.

Regresso ao Parque das Nações

Uma nova carreira Barreiro-Seixal-Lisboa não é a única ligação em estudo pela TTSL, que está também a olhar para um regresso dos barcos ao Parque das Nações, freguesia que perdeu esse transporte fluvial depois da Expo’98 – apesar do crescimento populacional e do aumento da concentração de empregos que tem registado nas últimas décadas. Importa sublinhar que as ligações rodoviárias entre o Parque das Nações e a Margem Sul, designadamente com concelhos como Montijo e Alcochete, têm registado um crescimento de oferta e de passageiros desde a entrada em funcionamento da Carris Metropolitana, em 2022.

Antigo terminal fluvial do Parque das Nações (fotografia LPP)

Tendo o transporte fluvial maior capacidade, é efectivamente de considerar a reactivação do terminal do Parque das Nações. Contudo, se isso acontecer, “nunca antes de 2028”, referiu Rui Rei à Antena 1. Para o responsável, transporte público fluvial no Parque das Nações “é uma certeza desde que os estudos validem as percepções que temos do passado e das necessidades actuais” e se comprove a “condições de navegabilidade naquela zona, porque tem muita concentração de areias, de lodos”.

De Algés à Trafaria, e outros planos

Mais cedo poderá avançar a travessia fluvial entre Algés e a Trafaria, uma solução defendida pelas câmaras de Almada e de Oeiras; esta última é uma autarquia com a qual Rui Rei tem um passado de proximidade porque liderou a Parques Tejo. “Durante o ano de 2027 poderemos iniciar uma operação em testes em Algés. Para isso precisamos de terminar os estudos e precisamos da colaboração da Câmara de Oeiras, da Câmara de Lisboa e da APL (Administração do Porto de Lisboa)”, referiu Rui Rei aos jornalistas.

Nos 50 anos da TTSL, Rui Rei falou ainda na “obrigação que a Transtejo tem” de diversificar receitas – uma obrigação “para com o acionista Estado, para com os cidadãos da área metropolitana, e para com os portugueses que suportam todas as empresas públicas e a nossa empresa em particular”. Segundo o Presidente da operadora, “os terminais são de serviço público, mas também servem a operação privada no Tejo. Não há razão nenhuma para que os terminais não sirvam também os operadores privados de serviço de turismo no Tejo”, disse Rui Rei aos jornalistas, citado pelo jornal ECO.

A TTSL tem estado a renovar a sua frota com novos barcos eléctricos (fotografia Francisco Romão Pereira/LPP)

“Os terminais têm de ser factores geradores de tráfego e receita para o serviço público. Não podemos esperar que seja só o Estado, permanentemente, a colocar cá os recursos necessários. Temos condições para aliviar um pouco o Estado, no futuro, desse compromisso, porque temos lugares e condições premium para gerar receitas que suportam o serviço público.”

Neste momento, a TTSL já tem consigo os 10 barcos eléctricos que foram encomendados em 2020 e que começaram e chegar em 2023. A operação eléctrica arrancou no Seixal e foi sendo alargada a Cacilhas e ao Montijo. O objectivo é que estes novos navios sirvam por completo estas três ligações, ficando apenas a ligação ao Barreiro e a Porto Brandão/Trafaria com as embarcações antigas. No total, a TTSL conta com uma frota de 29 navios, dos quais 10 são eléctricos. Entre esses 29 estão também os antigos cacilheiros, que irá desaparecer gradualmente do Tejo, existindo a pretensão da empresa fluvial de se dedicar à operação turística com estes velhos barcos – uma forma também de criar receitas adicionais para financiar o transporte público.

Nos próximos anos da TTSL, poderá estar ainda um negócio de táxis no Tejo – uma ideia também antiga e que já tem vindo a ser discutida – e está certamente o novo terminal de Cacilhas, cujo estudo será apresentado em Abril e que completará o interface com o metro e os autocarros.

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