Margarida sente falta de cultura em Loures. E quer mudar isso

Margarida Miguel quer criar a Pulso, uma associação cultural em Loures, e para isso lançou uma campanha de crowdfunding. O plano é ter um espaço para todas as idades, com concertos, sessões de cinema, workshops e outras atividades, e também com um café e cowork. Enquanto não há espaço próprio, já há uma agenda em movimento.

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Margarida Miguel quer criar a Pulso, uma associação cultural em Loures, e para isso lançou uma campanha de crowdfunding. O plano é ter um espaço para todas as idades, com concertos, sessões de cinema, workshops e outras atividades, e também com um café e cowork. Enquanto não há espaço próprio, já há uma agenda em movimento.

Margarida Miguel, 27 anos, designer (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

Margarida Miguel nasceu em Loures, onde vive hoje. É designer, tem 27 anos, e no ano passado um episódio de depressão fê-la perceber que sentia falta de pertencer a uma comunidade, algo que perdeu à medida que foi crescendo. Foi então que, movida pelo gosto pelas artes, decidiu organizar um crowdfunding para criar a Pulso, uma associação cultural em Loures que acolherá eventos culturais, workshops, concertos, sessões de cinema e muito mais.

“Sempre vivi em Loures – à excepção de um período de tempo em que vivi na Azambuja – e desde muito nova que ia a museus ou eventos em Lisboa, porque é onde há tudo”, começa por contar a designer. “Quando estava a viver na Azambuja também senti muita falta da parte cultural. Até cheguei a procurar coisas do género em Santarém, já que estava perto de lá, e encontrei algumas, mas não tinha nada a ver com o que há em Lisboa. Quando voltei para Loures, achei que era fixe ter uma associação cultural mais perto daqui.”

Uma associação que quer ser um refúgio

A sua vontade é criar “um lugar vivo, inclusivo e profundamente enraizado na comunidade”, tal como se lê na descrição da campanha de angariação de fundos no GoFundMe. Além de um centro cultural com oficinas e workshops, a Pulso – cujo nome vem da expressão “medir o pulso” – prevê ser café, “um espaço seguro de conversa, criação e convivência”; ponto de encontro intergeracional, com atividades para todas as idades; casa artística, com residências; cowork, a pensar em quem trabalha em casa; e, acima de tudo, “um refúgio para quem precisa de comunidade, cultura e pertença”.

A campanha de crowdfunding junta quase 1 200 € à data deste artigo (captura de ecrã LPP)

Não há falta de espaços, há falta de apoios 

A inspiração vem de outras associações que a designer conhece ou frequenta em Lisboa, como o Casulo, no Areeiro, a Com Calma, em Benfica, o Espaço Arroios, ou a Fábrica de Alternativas, em Algés. “Já falei com as pessoas por trás do Casulo e da Fábrica de Alternativas para perceber como as fundaram e o que precisaram – no fundo, para partilharem comigo como é ter uma associação. É uma forma interessante de nos ajudarmos e fazermos parcerias. Há associações que têm eventos fixes e a minha ideia seria trazê-los para Loures”, antecipa.

Desde o lançamento da campanha em janeiro foram angariados quase 1 200€. O objetivo é chegar aos 7 000€ para cobrir os primeiros seis meses de renda do espaço e obras de remodelação que possam ser necessárias. “Estou muito dependente destas doações”, afirma Margarida, explicando que não tem apoios da parte da Câmara Municipal de Loures, visto que para usufruir dos fundos para estas associações é preciso ter, pelo menos, um ano de atividade.

“Conheço uma pessoa que trabalha na área da cultura na Câmara e falei com ela para perceber se havia alguém com quem devesse falar, nem que fosse para saber se havia um espaço que me pudessem ceder. A informação que esta pessoa me passou foi que mesmo ela, que trabalha há 40 anos na Câmara, tenta fazer muita coisa e, muitas vezes, as portas não se abrem. Se para quem está lá dentro é difícil, para quem vem de fora é ainda pior”, diz a designer. “A Câmara passa a ideia de que apoia o empreendedorismo jovem e que tem eventos para jovens, mas depois, na prática, fica um bocado aquém”, lamenta.

O problema não é a falta de espaços, acredita Margarida. Há infraestruturas, por exemplo no Parque da Cidade, ou bibliotecas onde a Câmara dinamiza eventos culturais pontuais, como exposições. No entanto, segundo a designer, estes espaços poderiam ser mais utilizados do que são atualmente.

A primeira programação  

Margarida começou a programar eventos num café no Infantado (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

Enquanto não há um espaço próprio, os encontros acontecem no café Ayo Brunch & Lounge, no Infantado. É uma forma de dar a conhecer o café, bem como o projeto da Pulso. O primeiro evento foi um “Silent Book Club”, uma sessão de leitura em conjunto que se realizou no passado domingo, dia 22 de fevereiro, da parte da manhã. Nos próximos meses, há ideias de organizar neste mesmo café – que fica mesmo ao lado do LoureShopping – uma conversa sobre saúde mental, um concerto, uma noite de cinema e outra de jogos de tabuleiro, e uma feira de artistas.

Desde que lançou o crowfunding, Margarida Miguel nota que há inúmeras pessoas interessadas no projeto que dizem também sentir falta de um espaço cultural em Loures. “Na primeira semana angariei logo 500 €, o que foi incrível. Entretanto, por causa da campanha, várias pessoas vieram falar comigo e mostraram-se disponíveis para se juntar à associação e ajudar-me naquilo que eu precisasse”, diz. As expetativas são altas. Falta só, primeiro, angariar dinheiro suficiente para abrir portas.

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