A Linha Amarela passou a ser a segunda do Metro de Lisboa totalmente acessível a pessoas em cadeira de rodas ou com carrinhos de bebé, após a instalação de elevadores nas estações Campo Pequeno e Picoas. Na Linha Verde, os elevadores do Intendente e do Martim Moniz estão quase prontos, restando apenas intervir na estação Anjos.

Há mais quatro estações do Metro de Lisboa com acesso por elevador, permitido a sua utilização por pessoas em cadeira de rodas, com carrinhos de bebé ou que transportem bagagens pesadas. São elas as estações Campo Pequeno e Picoas, da Linha Amarela, que tiveram os respectivos elevadores inaugurados no final de 2025, e as estações Martim Moniz e Intendente, na Linha Verde, cujos elevadores estão prestes a entrar em funcionamento.
Linha Amarela é a segunda da rede a ser totalmente acessível
Nas estações do Campo Pequeno, de Picoas e do Intendente passam a existir três elevadores em cada, que asseguram a ligação entre a rua e o átrio da estação, bem como entre o átrio e cada um dos cais de embarque. Já na estação Martim Moniz foram instalados apenas dois elevadores, uma vez que os mesmos darão acesso directo da rua a cada um dos cais.


Os elevadores das estações Campo Pequeno e Picoas resultaram de um investimento de cerca de três milhões de euros, e abriram em Novembro. O elevador de superfície da estação Campo Pequeno está localizado junto ao Tribunal de Contas, e o da estação Picoas junto ao edifício do MEO/Altice. Estes equipamentos permitem o acesso directo aos átrios das estações. Após passar o passe ou o comprar bilhete, já em zona paga, encontram-se dois elevadores adicionais que asseguram a ligação entre o átrio e cada um dos cais de embarque.

Linha Verde fica mais acessível – fica a faltar a estação Anjos
Prestes a entrar em funcionamento estão os elevadores das estações Intendente e Martim Moniz, na Linha Verde. Na estação do Intendente, o elevador exterior está junto à unidade hoteleira WC by The Beautique Hotels, a poucos metros da Igreja dos Anjos; e permite a mobilidade entre a superfície e o átrio da estação, onde é possível validar o passe ou comprar bilhete. Passando as cancelas, há mais dois elevadores, sendo que cada um permite o acesso a um cais de embarque.

Na estação do Martim Moniz, o sistema é diferente: há dois elevadores apenas, que dão acesso directo aos cais de embarque a partir da superfície – um deles tem um aspecto diferenciado, fazendo lembrar um castelo. Desta forma, a estação passa a ter quatro saídas, quando antes tinha apenas duas, viradas para a Praça do Martim Moniz. As duas novas saídas permitem o acesso directo à Rua da Palma, no final da Avenida Almirante Reis, e a subida (ou descida) é feita exclusivamente por elevador, não existindo escadas rolantes ou escadas convencionais. Nos cais de embarque, junto aos novos elevadores, foram instalados canais de acesso para validação do passe ou compra de bilhete, e máquinas de venda.






O Metro de Lisboa disse ao LPP que os elevadores destas duas estações ficarão disponíveis em breve, uma vez que a obra só ficou concluída no final de Janeiro deste ano. Disse ainda que, relativamente à estação Anjos – que se torna a única estação da Linha Verde sem acessibilidade – está previsto o lançamento do respectivo procedimento de concurso público neste mês, estimando-se a conclusão da instalação em Julho de 2027, data em que, assim, toda a Linha Verde passará a estar acessível a pessoas com mobilidade condicionada, mas também a quem transporte bagagem pesada, carrinhos de bebé ou bicicletas.
86% da rede acessível… em teoria
A Linha Azul é aquela onde existe maior número de estações inacessíveis, já que as estações Avenida, Parque, Jardim Zoológico, Laranjeiras e Alto do Moinho não têm qualquer elevador. Na estação Praça de Espanha, estão a ser instalados elevadores, no entanto. A Linha Vermelha é acessível desde que foi inaugurada em 1998, tendo sido pensada com essa preocupação em mente. Com a conclusão das intervenções nas estações Campo Pequeno, Picoas, Intendente e Martim Moniz, o Metro passa a contar com 48 estações dotadas de elevadores e equipamentos de acessibilidade, o que corresponde a cerca de 86% da totalidade da rede.

“A concretização da acessibilidade para pessoas com mobilidade condicionada constitui uma prioridade estratégica”, diz a transportadora em comunicado, referindo ainda “que tem vindo a adaptar progressivamente as estações mais antigas, originalmente não concebidas com essa finalidade, através da instalação de elevadores que asseguram a ligação entre o cais de embarque e o exterior, sem recurso à utilização de escadas mecânicas e/ou pedonais”. O Metro de Lisboa tem o compromisso de dotar todas as estações da rede destes equipamentos; por outro lado, todas as novas estações (como as futuras estações de Santos e Estrela) serão integralmente acessíveis de base, com soluções universais de mobilidade e sem barreiras arquitectónicas.


Não obstante da instalação de elevadores e de outros equipamentos para permitir o acesso de pessoas de mobilidade condicionada às estações, o Metro de Lisboa tem um problema crónico de avarias – que abrangem também as escadas rolantes. À data e hora de publicação deste artigo, dos 157 elevadores da rede do Metro, 45 estavam fora de serviço, o que corresponde a 28,7%.

Um dos casos mais gritantes decorre na estação Cais do Sodré, uma das mais movimentadas da rede e onde, há largos meses, uma pessoa em cadeira de rodas que chegue da Linha de Cascais, por exemplo, não consegue entrar na rede do Metro de Lisboa.












