“As pessoas não querem saber onde termina a Carris ou começa a Carris Metropolitana, querem simplesmente viajar de forma fácil”, entende Carlos Moedas, Presidente do Conselho Metropolitano de Lisboa.

A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), responsável pela operação da Carris Metropolitana, e a Carris assinaram nesta quarta-feira, 1 de Abril, no Museu da Carris, um protocolo de cooperação estratégica que “visa reforçar a integração, eficiência e coerência do sistema de transportes na área metropolitana de Lisboa”, é indicado em comunicado.
O protocolo estabelece um “quadro geral de cooperação estratégica entre as duas entidades”, com o objectivo de “reforçar a integração e a eficiência do sistema de transportes públicos na cidade de Lisboa e na área metropolitana”. Tendo em conta a forte interligação entre as redes e serviços prestados pela Carris e pela Carris Metropolitana, o acordo procura “melhorar a experiência dos passageiros, garantir maior coordenação operacional e promover uma mobilidade mais simples, coerente e sustentável”, refere-se na mesma nota.
De acordo com a TML e a Carris, a cooperação abrangerá áreas como sistemas de informação, planeamento da rede, infraestruturas, atendimento ao público e formação, promovendo a partilha de recursos e conhecimento. “Pretende-se, assim, potenciar sinergias, otimizar custos e assegurar um serviço público mais eficiente, mantendo sempre a autonomia e as competências próprias de cada entidade”, indicam as duas empresas.
Na prática, a Carris e a Carris Metropolitana vão conversar mais uma com a outra, dialogando em questões de rede e de oferta, com o intuito de haver uma maior integração e menor duplicação de recursos. Recorde-se que a Carris Metropolitana foi lançada gradualmente entre 2022 e 2023, unificando numa só marca a operação de autocarros municipais em 15 concelhos e a de autocarros intermunicipais nos 18 municípios da região metropolitana de Lisboa. Apenas os municípios do Barreiro, de Cascais e de Lisboa mantiveram as suas empresas rodoviárias de transporte: os TCB, a MobiCascais e a Carris, respectivamente.
Fim da exclusividade?
No caso da Carris, a relação entre a Carris e a Carris Metropolitana é mais complicada, uma vez que o contrato da empresa detida pela Câmara de Lisboa prevê a exclusividade do transporte rodoviário de passageiros dentro da cidade. Isso leva a que as pessoas em Lisboa não possam utilizar os autocarros da Carris Metropolitana a não ser que se desloquem para fora do concelho.
Entre o Campo Grande e o Aeroporto, na freguesia de Santa Clara, entre Campolide e Alcântara, entre o centro histórico de Belém e o bairro do Restelo, ou entre o Parque das Nações e Sacavém, há várias linhas da Carris Metropolitana que poderiam ser úteis aos passageiros da capital, não fosse a impossibilidade de entrar e sair livremente dos autocarros nesses percursos dentro do concelho de Lisboa. Os eixos mencionados são corredores onde a oferta da Carris Metropolitana poderia complementar a da Carris, que é muitas vezes insuficiente. Esta situação não acontece nem no Barreiro, nem em Cascais, onde os passageiros podem escolher livremente entre a Carris Metropolitana, os TCB e a MobiCascais, apanhando o autocarro que passar primeiro na paragem em direcção ao destino pretendido.
À RTP Antena 1, Carlos Humberto de Carvalho, Presidente da TML, explicou que o fim da exclusividade da Carris na capital “é um dos dos assuntos que está em discussão na sucessão da assinatura do protocolo”, esclarecendo que a possibilidade de a Carris Metropolitana fazer serviço em Lisboa “não está decidida ainda” mas poderá passar apenas por “alguns percursos onde isso se justificar”. Para já, “este acordo visa as questões da integração, da bilhética, mas também a cooperação na formação de trabalhadores, e eventualmente a utilização de equipamentos de uma e de outra entidade”.
“Uma afirmação política estratégica”
Para o Presidente do Conselho Metropolitano e também da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, este protocolo traduz uma visão clara para o futuro da mobilidade: “As pessoas não querem saber onde termina a Carris ou começa a Carris Metropolitana, querem simplesmente viajar de forma fácil e eficiente. Não deve haver fragmentação, deve haver sistema.”
O responsável sublinhou ainda que “a articulação entre a TML e a Carris é uma afirmação política estratégica”, acrescentando que o acordo, assinado no dia em que se assinalaram os sete anos do sistema de bilhética Navegante, reforça um caminho de políticas públicas orientadas para resultados concretos na vida das pessoas. “A ambição só faz sentido com rigor, e é essa combinação que permite melhorar o serviço e a cidade, colocando Lisboa e a Área Metropolitana na vanguarda europeia através do uso inteligente dos dados”, afirmou.
Por seu lado, Rui Lopo, actual Presidente da Carris e antigo administrador da TML, destacou que “esta parceria reforça a capacidade de resposta do sistema de transporte público, permitindo uma maior articulação entre redes e uma melhoria concreta da experiência dos passageiros”.
A assinatura do protocolo ocorreu no dia em que se celebraram as Jornadas Navegante 2026, um evento anual promovido pela TML, que reuniram decisores políticos, operadores e especialistas para debater os desafios e o futuro da mobilidade na região. Ao longo do evento, foi destacado o papel do Navegante enquanto infraestrutura de integração e conhecimento, capaz de transformar dados em ferramentas de planeamento e melhoria contínua do sistema de transportes.
No encerramento das Jornadas, que desta vez decorreram sem transmissão online, o presidente da TML, Carlos Humberto de Carvalho, sublinhou o momento de transformação do sistema: “O Navegante já não é apenas um sistema de bilhética, é uma infraestrutura que liga operadores, dados e municípios. O desafio agora é transformar esse conhecimento em ação, colocando as pessoas no centro e afirmando o transporte público como uma prioridade nas nossas cidades.”










