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Obras do Metro de Lisboa cortam ciclovia em Santos

Por causa das obras da Linha Circular do Metro de Lisboa, a ciclovia da Avenida 24 de Julho foi cortada sem aviso nem alternativa, o que tem deixado os ciclistas desorientados e sem forma de fazer uma centena de metros em segurança.

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Por causa das obras da Linha Circular do Metro de Lisboa, a ciclovia da Avenida 24 de Julho foi cortada sem aviso nem alternativa, o que tem deixado os ciclistas desorientados e sem forma de fazer uma centena de metros em segurança.

A ciclovia da Avenida 24 de Julho foi cortada, sem aviso nem alternativa (fotografia LPP)

A ciclovia da Avenida 24 de Julho, em Santos, está interrompida por causa das obras de expansão do Metro de Lisboa. O troço entre a sede da EDP e o Jardim Nuno Álvares/IADE encontra-se cortado, deixando os ciclistas sem alternativa para fazer cerca de 125 metros. Não só não há percurso alternativo, como não há qualquer aviso no local. Para peões existe um desvio marcado, mas que triplica a distância a percorrer – várias pessoas preferem, por isso, arriscar a caminhar junto aos carros, que contam com três vias de circulação.

É a primeira vez desde o início das obras da Linha Circular na zona de Santos que não foi criado qualquer desvio funcional para bicicletas. Até agora, em todas as fases anteriores da empreitada, tinham sido sempre mantidos percursos alternativos para quem se desloca fora de um automóvel.

O desvio sinalizado, pensado exclusivamente para quem vai a pé, obriga a contornar um quarteirão inteiro. Para quem vem do Cais do Sodré pela Avenida 24 de Julho, este trajecto alternativo começa no Boqueirão do Douro, um arruamento sem trânsito, vira para a Rua Dom Luís I e termina na Avenida Dom Carlos I. O que seria um percurso directo e curto de 125 metros transforma-se no triplo, cerca de 340 metros. A diferença é suficiente para que haja quem prefira arriscar e seguir em frente pela faixa de rodagem, ignorando o desvio.

Para as bicicletas, o problema é mais complexo. A ciclovia da Avenida 24 de Julho é bidirecional, o que significa que qualquer desvio teria de garantir circulação nos dois sentidos. O percurso alternativo para peões poderia ter sido adaptado para ser partilhado por ciclistas se tivesse sido criado um contra-fluxo na Rua Dom Luís I: as bicicletas partilhariam espaço com os carros ao longo do desvio, mas teriam esse contra-fluxo para poderem circular em sentido contrário, já que a Rua Dom Luís I é de sentido único. Uma solução tecnicamente possível – e que já foi aplicada noutros contextos na cidade –, mas que desta vez não foi equacionada.

Além disso, havia espaço para fazer diferente, evitando que peões tenham de dar uma grande volta e que as bicicletas fiquem sem alternativa. Na zona das obras, a faixa de rodagem tem três vias: uma no sentido Alcântara–Cais do Sodré e duas no sentido inverso. Bastaria reduzir para duas vias totais para sobrar espaço suficiente para manter um corredor directo na própria avenida, acessível tanto a peões como a ciclistas, sem desvios, sem voltas ao quarteirão. A opção não foi tomada, mostrando que foi tida em conta apenas a circulação automóvel.

Noutras obras, como as do Plano Geral de Drenagem, foram sempre tidas em conta alternativas para quem se desloca a pé ou de bicicleta. Seja em Santa Apolónia ou no Beato, a empreitada de escavação dos dois mega-túneis garantiu percursos cicláveis e pedonais alternativos.

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