Sintra instala cacifos para bicicletas, TML prepara rede metropolitana

A Câmara de Sintra instalou três cacifos para bicicletas no concelho. Na área metropolitana de Lisboa, existem mais seis bicicletários do mesmo género. Funcionam todos de forma desintegrada. Mas a TML tem planos para criar uma Rede Metropolitana de Bicicletários de Lisboa, semelhante às que existem em regiões como Paris ou Barcelona.

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A Câmara de Sintra instalou três cacifos para bicicletas no concelho. Na área metropolitana de Lisboa, existem mais seis bicicletários do mesmo género. Funcionam todos de forma desintegrada. Mas a TML tem planos para criar uma Rede Metropolitana de Bicicletários de Lisboa, semelhante às que existem em regiões como Paris ou Barcelona.

Há agora três cacifos para bicicletas em três pontos do concelho de Sintra; a TML está a trabalhar numa Rede Metropolitana de Bicicletários de Lisboa (fotografia LPP)

A Câmara de Sintra instalou três cacifos fechados para bicicletas – dois dos quais junto a estações da Linha de Sintra –, permitindo o parqueamento em segurança de bicicletas pelos passageiros que desejem apanhar o comboio. O mesmo sistema já existe em Setúbal e em estações da Fertagus, mas está neste momento completamente desintegrado. A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) está, no entanto, a trabalhar numa Rede Metropolitana de Bicicletários de Lisboa, à semelhança do que regiões metropolitanas como a de Paris ou a de Barcelona já têm, facilitando o uso da bicicleta em conjunto com o transporte público.

Os cacifos de Sintra

Ao todo, são três os cacifos que a Câmara de Sintra colocou, no final de 2025, em três pontos do concelho. Dois deles estão à porta de estações de comboio, um em Queluz-Belas e outro em Mercês, junto a ciclovias. Há ainda um cacifo instalado na Casa da Cultura Lívio de Morais, em Mira-Sintra, onde também passa uma ciclovia. Estas três infraestruturas contam, cada uma, com espaço para 12 bicicletas e podem ser utilizadas através da app (iOS e Android) da Biciway, a empresa de Cascais que comercializa este tipo de cacifos.

Para abrir qualquer um destes bicicletários, é preciso instalar a aplicação da Biciway e fazer uma reserva de lugar, com duração de 24 horas. Uma vez reservado esse lugar, basta estar próximo do cacifo para abri-lo com o telemóvel e a mesma app. O custo é gratuito.

Os três bicicletários de Sintra foram adquiridos no âmbito do programa Comunidades Em Acção, uma iniciativa da Área Metropolitana de Lisboa, apoiada pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), para dinamizar zonas menos desfavorecidas da região.

Bicicletários iguais aos da Fertagus e de Setúbal

Os cacifos de Sintra juntam-se a cinco que a Fertagus colocou, também em 2025, em cinco estações de comboio: Corroios, Foros da Amora, Fogueteiro, Coina e Penalva. Estes bicicletários, também de utilização gratuita, funcionam com a mesma app da Biciway e têm a mesma capacidade para 12 bicicletas.

Também em Setúbal, existe um bicicletário. Está localizado junto à Interface de Transportes de Setúbal (ITS), onde param os comboios da Fertagus e da CP, os autocarros da Carris Metropolitana, e os serviços de longo curso da Rede Expressos e da Flixbus, e foi lá colocado em 2022 pela Câmara de Setúbal em parceria com a TML. Tem capacidade para 12 bicicletas mas o acesso é diferente: para abrir o cacifo é preciso utilizar o passe Navegante. Por esse motivo, este bicicletário não aparece mapeado na app da Biciway, apesar de também ser comercializado por esta empresa.

Na verdade, os bicicletários de Setúbal, da Fertagus e de Sintra são o mesmo modelo da Biciway, apesar de terem sido colocados no terreno por entidades diferentes, com dinâmicas ligeiramente distintas – se a Fertagus e a Câmara de Setúbal pensaram na ligação entre a bicicleta e o transporte público, a Câmara de Sintra não teve exclusivamente esta preocupação em vista, tendo privilegiado a ligação a ciclovias.

Uma rede à escala metropolitana

A TML quer criar uma Rede Metropolitana de Bicicletários de Lisboa (fotografia LPP)

Para integrar os bicicletários da área metropolitana de Lisboa numa rede única, que funcione de forma integrada, a TML, em conjunto com os municípios da região e a Infraestruturas de Portugal (IP) está a preparar o lançamento de uma Rede Metropolitana de Bicicletários de Lisboa.

O principal objectivo é a “criação de uma infraestrutura metropolitana de estacionamento seguro, abrigado e de longa duração para bicicletas, localizada em interfaces de transporte público, com o objetivo de facilitar a articulação entre o modo ciclável e os transportes colectivos”, diz a TML. O intuito não é fazer o que regiões metropolitanas como a de Paris ou a de Barcelona já fizeram há vários anos, oferecendo estacionamentos seguros para bicicletas junto a interfaces de transporte, integrados dentro do mesmo sistema e branding.

A rede vai poder ser usada com o passe Navegante, à semelhança do que já acontece em Setúbal, “permitindo que os utilizadores acedam aos equipamentos através dos seus títulos de transporte, gratuitamente, de forma simples e integrada”. A ideia é trabalhar numa lógica de “integração física e funcional dos diferentes modos de transporte na área metropolitana de Lisboa”.

Segundo a TML, pretende-se eliminar uma das principais barreiras à utilização do modo ciclável, que se prende com a inexistência de locais seguros para estacionamento nas interfaces, e promover as viagens multimodais, permitindo às pessoas realizarem parte do percurso em bicicleta e prosseguirem em transporte público.

Dessa forma, é possível também aumentar a área de influência das interfaces de transporte já existentes, permitindo captar utilizadores que se encontram fora da distância pedonal. Isto porque 15 minutos a pé correspondem a cinco minutos de bicicleta, pelo que, de bicicleta, é possível chegar mais longe no mesmo tempo de deslocação que se faria a caminhar.

Um primeiro passo da criação da Rede Metropolitana de Bicicletários poderia passar pela integração dos nove cacifos já existentes na região no sistema Navegante e nessa rede. Também poderia fazer sentido integrar a rede de Biciparks da EMEL, que corresponde uma rede de 14 parques seguros para bicicletas pela cidade. O acesso a estes Biciparks, localizados em estacionamentos da EMEL, já é feito pelo cartão Navegante e é gratuito para quem não tenha automóvel (ou seja, dístico de residente).

A EMEL tem o plano a longo prazo de alargar este rede de Biciparks a interfaces de transporte, como o Campo Grande, Sete Rios ou o Oriente, mas nunca chego a dar passos nesse sentido. Nos planos da empresa municipal de mobilidade de Lisboa também está colocar cacifos na rua, tendo já sido prometido um na Parada do Alto de São João – promessa que não chegou a ser cumprida.

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