É uma das ondas de vandalismo mais significativas desde o lançamento da GIRA, em 2018. Centenas de docas têm sido forçadas e as bicicletas roubadas – são encontradas depois abandonadas em “estado deplorável”. A EMEL garante estar a fazer tudo para repor o serviço, mas há estações que são de novo vandalizadas depois de reparadas.

Abrem as docas, interferem com os circuitos electrónicos e conseguem, depois, retirar as bicicletas. Isto tudo sem usar a aplicação. Desde o início deste ano, centenas de docas da GIRA têm sido vandalizadas um pouco por toda a cidade, o o que tem perturbado o normal funcionamento do sistema de bicicletas partilhadas de Lisboa. As bicicletas que se encontravam estacionadas nessas têm sido “frequentemente abandonadas” dentro e fora do concelho, “num estado deplorável, sem condições de utilização”, refere a EMEL. A empresa de mobilidade de Lisboa está a trabalhar para resolver o problema.


Quem usa a GIRA regularmente já se terá deparado com estações inteiras desligadas e com docas abertas. As docas do sistema de bicicletas partilhadas de Lisboa estão a ser sistematicamente forçadas e as bicicletas removidas – em muitos casos, com os componentes electrónicos à vista. Num balanço feito ao LPP a 30 de Abril, a EMEL confirmava “a ocorrência, em 2026, de 272 actos de vandalismo que afetaram de forma severa 81 estações, com maior incidência nas freguesias de Benfica, Carnide, Estrela e São Domingos de Benfica”.

Esta onda de vandalismo – uma das mais significativas desde o lançamento da GIRA, em 2018 – começou nas docas de ‘segunda geração’ (identificadas pelos dois bonecos luminosos no painel), alegadamente mais fáceis de abrir, mas entretanto alargou-se também às de ‘primeira geração’ (as que têm a bola que ora está verde, ora está vermelha).
Os furtos não têm acontecido apenas em zonas remotas da cidade – têm ocorrido também no centro de Lisboa. Na última semana, o vandalismo afectou sobretudo as estações do eixo da Avenida Almirante Reis, nas freguesias de Arroios e da Penha de França, duas das zonas mais densamente povoadas da capital. Sempre que uma estação ou doca é sabotada, pode ficar dias ou semanas indisponível. Foi o caso de outras estações importantes igualmente afectadas, como a da interface de transportes da Pontinha ou a da estação de comboios de Benfica, que só recentemente foram reabertas.
Reincidências dificultam reposição do serviço

A EMEL diz que tem procedido “de forma sistemática à reposição do serviço, reabrindo as estações com a maior celeridade possível após cada incidente”, mas diz que têm existido situações de reincidência “em estações que tinham acabado de ser reparadas e colocadas em operação”. De qualquer modo, a empresa garante ter participado as ocorrências à PSP e estar a desenvolver “soluções técnicas” para prevenir novos episódios, sem detalhar quais. Em paralelo, a EMEL está “a preparar um trabalho de proximidade com as juntas de freguesia, associações locais e escolas, com o intuito de promover o diálogo e o envolvimento da comunidade como forma de incentivar condutas mais responsáveis”.
A empresa não quantificou o impacto financeiro total, limitando-se a referir que “tem um impacto relevante, com consequências negativas na experiência do utilizador e na gestão operacional da rede”. Mas tem havido casos em que as docas foram integralmente substituídas por novas, como aconteceu no terminal do Colégio Militar, o que poderá levar a uma expansão mais lenta da rede – uma vez que a aquisição de novos equipamentos é um processo limitado, que depende da disponibilidade de verbas e do lançamento de novos procedimentos concursais.
“O sistema GIRA constitui hoje uma solução de mobilidade segura e acessível na cidade de Lisboa. Nesse sentido, apelamos a um uso consciente e respeitador do bem comum, reiterando o compromisso da EMEL com a proteção do património público, o respeito pelos direitos dos clientes e a rejeição inequívoca de qualquer acto que vise a destruição de equipamentos ou cause transtornos à comunidade”, apela a EMEL.


A GIRA conta com mais de 200 estações espalhadas pela cidade, ainda que com maior presença em algumas freguesias do que noutras. No início de 2026, estavam disponíveis mais de 1200 bicicletas em circulação — número que chegou a cair para menos de 1000 com a vaga de vandalismo das últimas semanas. Os dados da EMEL indicam, porém, que a reposição tem sido feita: em alguns dias de Abril, a frota em circulação voltou a aproximar-se das 1200 bicicletas.











