Em Arroios, um colectivo constrói, passo a passo, uma alternativa ao modelo tradicional de organização social e económica. Entre mercearia, cultura, trabalho e habitação, a Rizoma propõe uma vida partilhada onde cada voz conta.

Rizoma pode ser o nome de um caule que cresce na horizontal, como o do bambu ou do gengibre. Começa pequena e vai pouco a pouco crescendo, ganhando por vezes brotos em toda a sua largura. Rizoma é também o nome de uma cooperativa em Lisboa que nos últimos cinco anos também foi crescendo, num formato de organização também ele horizontal, onde a palavra de cada um vale por cada qual e também por todos.
Tem casa em Arroios onde tem crescido também na vertical, mas só se olharmos para a arquitectura do espaço. É entre a cave, o primeiro e o segundo andar que se distribuem várias das secções que compõem um colectivo que propõe uma visão integral de serviços que satisfaçam a maior parte das necessidades de quem integra este capital essencialmente humano. Há espaço para crescer e muito mais espaço para largar sementes rizomáticas que façam nascer ou reforçar outros colectivos. Ou não fizesse da união a força.
Degrau a degrau
Bíblias, muitas bíblias. Há não muito tempo, era isto que essencialmente ocupava a casa onde hoje habita a cooperativa Rizoma. Mas no antigo espaço da Sociedade Bíblica de Portugal há hoje, distribuídos pelos vários espaços, uma mercearia, uma cantina comunitária, um bar, um espaço cultural, um cowork e muitos projectos preparados para fazer crescer ainda mais esta cooperativa, que hoje conta com mais de 700 membros.
São Mariana Reboleira, Filipe Barroso e Vattani Saray que nos recebem. Apenas três das centenas de cooperantes que a Rizoma conseguiu reunir, com um propósito comum: uma espécie de sociedade dentro de uma sociedade, que integre o máximo de áreas que consigam satisfazer a maior parte das necessidades do colectivo. É, por isso, uma cooperativa integral. E o primeiro espaço que dá as boas-vindas a quem entra é mesmo uma mercearia, exclusiva a cooperantes.





