Associação Sirigaita inaugura “nova sede” em edifício vazio da Câmara de Lisboa

“Tanto património vazio, tanta Sirigaita sem casa”. Cansada e inconformada, a Sirigaita decidiu inaugurar a “nova sede” no edifício que a Câmara de Lisboa lhe terá prometido. Associação acusa a autarquia de deixar património vazio enquanto colectividades desaparecem.

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“Tanto património vazio, tanta Sirigaita sem casa”. Cansada e inconformada, a Sirigaita decidiu inaugurar a “nova sede” no edifício que a Câmara de Lisboa lhe terá prometido. Associação acusa a autarquia de deixar património vazio enquanto colectividades desaparecem.

Foi proposta um espaço neste edifício à Sirigaita, mas a Câmara de Lisboa terá mudado de ideias uma semana depois (fotografia cortesia de Sirigaita/DR)

Nesta terça-feira, 19 de Maio, membros da associação Sirigaita encenaram a inauguração da sua “nova sede” no número 78B da Rua dos Lagares, na Mouraria, numa acção de protesto contra a Câmara Municipal de Lisboa. A fachada do edifício encontrava-se tapada e, ao ser desvelada, revelou uma faixa com a frase: “Tanto património vazio, tanta Sirigaita sem casa”.

O espaço comercial deste edifício, cedido à Câmara de Lisboa, encontra-se vazio desde 2019. Há já três anos que a Sirigaita – associação cultural que enfrenta desde 2024 um processo judicial de despejo – solicita à autarquia a cedência de um espaço municipal. A associação, sediada num rés-do-chão na Rua dos Anjos, diz que a actual crise da habitação e da especulação imobiliária tornou praticamente impossível a sobrevivência de associações e colectividades sem fins lucrativos na cidade. E tem assistido à saída de algumas da zona de Arroios.

No final de 2025, a autarquia mostrou o espaço da Rua dos Lagares à Sirigaita como uma possível solução para realojamento da associação. Apesar do interesse demonstrado pela colectividade e da disponibilidade para realizar as obras necessárias, a autarquia terá retirado a proposta uma semana depois, alegando que o espaço estaria destinado a uma cantina social – mas, de acordo com a Sirigaita, o Alvará de Utilização não comprova este destino.

Segundo a Sirigaita, apesar das sucessivas tentativas de esclarecimento e negociação, a Câmara de Lisboa nunca conseguiu explicar porque é que aquele espaço não pode ser cedido à associação, nem por que razão permanece abandonado há sete anos.

“A cidade está a morrer. Todos os anos, várias colectividades e associações fecham portas porque são despejadas ou porque não conseguem suportar aumentos abusivos de rendas. Enquanto isso, a Câmara assobia para o lado e mantém espaços vazios”, diz Catarina Carvalho, membro da Sirigaita, numa nota de imprensa. “Há três anos que pedimos um espaço para continuar o nosso trabalho e há três anos que nos atiram areia para os olhos. Bem sabemos que este espaço pode ficar vazio por mais dez anos. Mas não o vamos permitir.”

A Sirigaita ocupa há sete anos o espaço do 12F da Rua dos Anjos. No início de 2024, o proprietário do imóvel iniciou um processo judicial de despejo. O prédio pertence à empresa Bagoandas Imóveis Lda, detentora de dezenas de alojamentos locais no centro de Lisboa, sublinha a associação. Antes de ser a casa da Sirigaita, aquela morada era morada de uma outra associação cultura, a Mob, que deixou de ter actividade em 2018.

Criada também em 2018, a Sirigaita recuperou o espaço anteriormente utilizado pela Mob. Desde então, tem acolhido diversos colectivos e grupos de base, disponibilizando espaço para reuniões, trabalho, criação artística e organização comunitária. Além da programação cultural regular, a associação promove actividades de fortalecimento comunitário e dinamização do bairro, contribuindo para criar laços de vizinhança e valorizar a diversidade social do Intendente.

O LPP contactou a Câmara de Lisboa sobre este tema e aguarda respostas.

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