Nos últimos fins-de-semana de Maio, o festival Jardins Abertos convida-nos a parar um bocado e a descobrir os jardins de Lisboa. Aqueles mais conhecidos que continuam a ter histórias que não conhecemos, mas também os mais recônditos.

Nos fins de semana de 23/24 e 30/31 de Maio, os portões dos jardins de Lisboa voltam a abrir-se para a 15ª edição do festival Jardins Abertos. Entre palácios, hortas comunitárias, florestas urbanas e projectos de vizinhança, há muito para visitar e conhecer durante dois fins-de-semana. Visitas livres, guiadas e actividades que nos convidam a encontrar tempo e amizades.
Nesta edição, juntam-se novos espaços que reforçam a diversidade e o envolvimento local, como o espaço comunitário da Escola Gil Vicente, mantido pelo projecto Cultiva, o “Provisório” da Quinta do Ferro e os canteiros dos moradores da Rua Cidade de Manchester – exemplos verdes de como a cidade se constrói a partir da iniciativa e da vontade partilhada de quem nela habita. O festival Jardins Abertos vai também dar a conhecer iniciativas como o espaço Nova Bela Flor, em Campolide, onde se promove a educação ambiental e a literacia alimentar; ou a Horta do Alto da Eira, um projecto social e experimental que tem como base a construção e dinamização de uma horta comunitária onde todos constroem e cultivam para todos.


Ao mesmo tempo, o festival é uma oportunidade para visitar e conhecer melhor espaços da cidade como a Estufa Fria, o jardim da Liga para a Protecção da Natureza, os Jardins da Gulbenkian, o jardim do Tribunal Constitucional, o jardim do recente Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), os jardins do Palácio Fronteira, a Quinta Conde dos Arcos ou o extraordinário Parque Botânico do Monteiro-Mor.
As actividades propostas nesta edição destacam-se pela sua dimensão participativa. Vai haver acções de jardinagem que convidam a pôr as mãos na terra, e almoços comunitários que prolongarão estes encontros, fortalecendo laços e valorizando o tempo em comum. O festival encerrará com uma celebração primaveril, no Parque Botânico do Monteiro-Mor, com curadoria da dupla Joy Food: uma refeição colectiva onde o alimento se transforma em ritual de encontro e partilha. À volta da mesa, o tempo abranda, as ideias cruzam-se e desenham-se novas possibilidades de futuro.
O festival Jardins Abertos nasceu do desejo de reencontrar a cidade através da natureza, transformando jardins e espaços verdes em lugares de encontro e partilha. Uma vontade que rapidamente se tornou coletiva e, como uma semente lançada à terra, assim o festival criou raízes e cresceu. A primeira edição foi imaginada por Tomás Tojo, atual director do festival, e Rosana Ribeiro, com o apoio de um pequeno grupo de voluntários. Esta equipa apresentou uma proposta simples e inovadora: um percurso guiado pela cidade, integrando a visita a jardins especiais e singulares, muitos até então pouco conhecidos.

Dos 80 visitantes da primeira edição, o festival Jardins Abertos conta agora com dezenas de milhares de participantes todos os anos. Desde 2017, abriu centenas de jardins ao público, desenvolvendo visitas guiadas, oficinas e diferentes atividades que cruzam botânica, arte e sustentabilidade. Ao longo deste caminho, afirmou-se como um projecto cultural e ambiental de referência, promovendo a sensibilização ambiental, o envolvimento comunitário e uma relação mais atenta, sensível e responsável com os espaços verdes urbanos.
O 15º Jardins Abertos volta a ser um convite aberto a participar e a cuidar. A fazer parte de uma comunidade onde cada gesto conta e a presença é transformadora. Quando agimos em conjunto, tornamo-nos terreno fértil para possibilidades antes impensáveis. Este é um evento inteiramente gratuito e co-organizado pela associação Jardins Abertos com a Câmara de Lisboa.
A programação completa está disponível em jardinsabertos.com.











