Os mais novos não conheciam a horta, e os mais velhos não contactavam com as crianças e jovens do bairro. Mas quando uma associação decidiu misturar os dois mundos, o resultado foi uma grande festa no Bairro 1º de Maio, em Monte Abraão, Sintra.

trouxe ao Bairro 1º de Maio uma festa que começou junto às couves e tomates e se alastrou
para além das fronteiras dos talhões hortícolas (fotografia de João Beijinho/Clarabóia)
O sol, neste sábado à tarde, estava quente e aquecia a Horta Solidária do Bairro 1º de Maio, em Monte Abraão. Já passava da hora do almoço, mas Glória ainda não tinha comido. Colhia alguns produtos para a refeição, enquanto o tempo apertava, porque nesta tarde ainda ia trabalhar. Mas a agricultora urbana que tem um talhão nesta horta “há cinco ou seis anos” encontrou alguns minutos para falar connosco. “A minha horta mantém a minha casa ao nível de saladas. Legumes, nunca mais comprei”, conta-nos enquanto pousa um dos sacos. Por cinco euros mensais, tem água para a rega e planta o que quer – dentro do que o regulamento municipal lhe permite. “Esta altura é em que se planta os produtos para a Primavera-Verão. O tomate, o feijão verde, os pimentos, os pepinos…”, enumera.
Localizada numa encosta junto ao bairro que lhe dá o nome, a Horta Solidária do Bairro 1º de Maio é uma das oito hortas comunitárias sob gestão da Câmara de Sintra; foi uma das primeiras e é também uma das maiores do concelho. Aqui, a população do bairro junta-se para cultivar, regar, colher e também alimentar laços de vizinhança. Que o diga Glória, que vê o espaço como muito mais que um contributo para as contas lá de casa: “Às vezes, eu e mais duas ou três vizinhas que têm aqui horta trazemos um lanchinho e ficamos a conversar”, diz a moradora. “A mim faz muito bem porque eu gosto muito disto. Quem não gostar não consegue ter a horta em condições porque isto dá trabalho – não é só chegar ali e plantar as coisas, depois tem de se cuidar, tem de tratar.”
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