Numa antiga casa de fados em Alcântara, abriu portas, no final de Março, a Casa Palestina. Criado por mulheres portuguesas e palestinianas, o novo espaço cultural quer ser ponto de encontro da comunidade palestiniana, lugar de debate e de desconstrução de estereótipos. E mostrar a Palestina para lá da guerra.

“Parece uma casa muito portuguesa, mas, ao mesmo tempo, muito palestiniana”, diz Carolina Pereira à porta da recém-inaugurada Casa Palestina, em Lisboa. A descrição de uma das fundadoras do primeiro espaço cultural palestiniano em Portugal ganha mais sentido assim que se entra e se percorre as várias salas do rés-do-chão de uma antiga casa de fados em Alcântara.
A calçada portuguesa e os azulejos nas paredes, que já faziam parte do edifício, convivem agora com os tabaqs (bandejas tradicionais palestinianas), peças de tatreez (bordado palestiniano feito à mão), candeeiros, tapetes e outros artigos vindos da Palestina.
“A Palestina tem mesmo muitas coisas parecidas com Portugal, no fundo são heranças mútuas”, explica Carolina Pereira, que realizou um documentário em Gaza nos últimos dois anos e já esteve várias vezes neste país do Médio Oriente. A “hospitalidade das pessoas, os azulejos, o ponto cruz ou o café, assim como os trajes, a música folclore e os movimentos das danças tradicionais, muito parecidos com os portugueses” são algumas das “semelhanças culturais” que encontrou quando visitou a Palestina. Mas não se ficam por aqui. “Há mais de mil palavras que usamos que vêm do árabe, e não são só aquelas que começam por ‘al’, como Algarve ou Alcântara. Também há ditados populares iguais, coisas corriqueiras que ficaram de geração em geração, e acho que as pessoas vão sentir essa identificação quando entrarem”, acredita.
Esta reportagem está disponível exclusivamente na 7ª edição do Jornal LPP. Compra aqui em papel ou PDF, e apoia o jornalismo da tua cidade/região.





