Marvila tem o parque que a população pediu

Marvila tem um novo parque urbano. Nasce entre a biblioteca e o apeadeiro ferroviário, num terreno que há oito anos os moradores sonhavam ver transformado num espaço verde.
“Eu dizia que não havia de morrer sem conseguir um parque” (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

Marvila tem um novo parque urbano. Nasce entre a biblioteca e o apeadeiro ferroviário, num terreno que há oito anos os moradores sonhavam ver transformado num espaço verde.

“Isto foi uma conquista de todos os moradores e grupo comunitário. Nós estamos agradecidíssimos, é um dia inesquecível.” Ernesto Serafim não se contém a falar do novo Parque Urbano Mar e Vila, no bairro dos Alfinetes, em Marvila. Como outros vizinhos, Ernesto vive nos Alfinetes desde que, em 2001, foi ali realojado no âmbito do PER (Programa Especial de Realojamento) – antes de lhe ter sido concedido um T3, vivia numa barraca que o próprio tinha construído perto da Curraleira. O parque, uma infraestrutura social há muito necessária no bairro, é hoje uma realidade, após anos de luta de Ernesto e de outros vizinhos.

Em 2001, também Cristina Santos veio para os Alfinetes morar, no contexto dos realojamentos do PER. “Morava na Curraleira, e aquilo eram barracas, mas tínhamos uma quinta onde havia cavalos e brincávamos lá em segurança, tanto eu como as minhas filhas”, conta. “Aqui recebemos melhores condições, mas não havia sítios para as crianças brincarem. Como um vizinho diz, deram-nos a casa, mas faltava o bairro.” A observação de Cristina é uma das críticas mais comuns feitas ao PER, uma iniciativa do Governo de Cavaco Silva que se focou em acabar com o flagelo das barracas que assolava as periferias da capital, para onde muitas pessoas oriundas de outras partes do país tinham vindo morar na segunda metade do século XX, dada a maior concentração de emprego. Se o PER foi importante nesse aspecto, permitindo a criação de novos bairros mais ou menos integrados na cidade, o foco esteve em providenciar habitação, deixando em segundo plano outras funções sociais.

Assim, os novos bairros PER nasceram sem equipamentos sociais, culturais e de lazer.
Construído entre 1995 e 1998, o bairro dos Alfinetes foi ganhando essas infraestruturas ao longo dos últimos anos. Em 2016, por exemplo, a Biblioteca de Marvila tornou-se mais do que um local de livros e de estudo: afirmou-se como um pólo cultural e social agregador do bairro. Ao lado, há hoje um parque de fitness ou um ringue com balizas e tabelas de basquetebol, que também funcionam como locais de encontro. Mas faltava um grande espaço verde.

Inaugurado a 18 de Abril pelo Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), o Parque Urbano Mar e Vila resulta de um desígnio expresso da população, que lutou por esta infraestrutura ao longo de vários anos – um trabalho colectivo de muita resistência, que começou a dar os primeiros frutos no primeiro mandato do socialista Fernando Medina, antecessor de Moedas. “Foi uma luta de todos os moradores. Eu pensava que era só eu a querer um parque, mas andávamos todos a lutar pelo mesmo; tínhamos todos o mesmo desejo, o de ter um parque para todos nós”, desabafa Cristina. “Foi um trabalho muito moroso, muito doloroso”, completa Ernesto.

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