A Junta de Freguesia de Arroios quer criar uma rede de estacionamento coberto e seguro para bicicletas, e lançou um inquérito para conhecer as necessidades da população. Os resultados preliminares mostram que há procura por este tipo de serviços.

A Junta de Freguesia de Arroios quer criar uma rede de estacionamento coberto e seguro para bicicletas na freguesia e lançou um inquérito para conhecer as necessidades e preferências da população. Desde 30 de Abril respondeu mais de uma centena de pessoas – a maioria tem bicicleta mas não tem estacionamento seguro para a mesma, dizendo que estaria disposto a pagar entre sete a oito euros por mês por um serviço desse género.
A falta de estacionamento seguro para bicicletas é um dos principais entraves à adopção deste meio de transporte, referem vários estudos, análises e outros inquéritos. Em freguesias como Arroios, com alta densidade populacional e onde os prédios não têm garagem nem espaços para o parqueamento destes veículos, muitas pessoas optam por levar as bicicletas para casa – o que nem sempre é prático ou sequer possível devido às escadas apertadas –, outras por deixar as bicicletas na rua – com todos os riscos de roubo que existem. Outras, ainda, usam sistemas partilhados como a GIRA, ou não andam de bicicleta sequer.
A rede de bicicletários que a Junta de Freguesia de Arroios quer montar na freguesia consistiria em estruturas fechadas na via pública, acessíveis mediante o pagamento de uma mensalidade – uma solução inédita em Lisboa e que pode ajudar na adoptação da bicicleta como meio de transporte. Para saber onde e como o fazer, a autarquia montou um inquérito online, onde a população não só pode partilhar as suas necessidades como indicar as ruas onde mais esse bicicletários fazem falta.

Os primeiros resultados do inquérito, recolhidos entre 30 de Abril e 24 de Maio de 2026, mostram que a Rua Febo Moniz (21 pedidos), a Rua António Pedro (18 pedidos) e a Praça das Novas Nações (15 pedidos) são as mais requisitadas. A vasta maioria dos respondentes avalia a actual oferta de estacionamento nas ruas de Arroios como fraca ou muito fraca ao nível de segurança, o que reforça a importância de haver soluções cobertas e seguras.




Em apenas 25 dias, o inquérito reuniu 117 respondentes, e os dados revelam que 89,7% dos inquiridos não tem acesso a estacionamento seguro para a sua bicicleta, apesar de 83,8% possuir bicicleta própria. A maioria dos respondentes são utilizadores reguladores: pedalam mais de três vezes por semana, seja para ir para o trabalho, para lazer ou para compras (este é o caso de 43% dos inquiridos). O inquérito mostra ainda que 23,9% tem bicicletas de carga, pelo que os bicicletários devem incluir espaços adaptados para estes veículos.
Quanto à disponibilidade a pagar, o preço considerado justo situa-se em média nos 8,60 € por mês, com uma janela de preço entre os 5 e um máximo de 13 €/mês para potenciar a adesão. Por outro lado, 52,1% dos inquiridos têm entre 35–44 anos, maioritariamente trabalhadores, o que significa que os horários de acesso devem responder a padrões de commute.
O inquérito continua disponível na plataforma Decidir Arroios, que promove a participação dos moradores no desenho de soluções para o território. Os moradores podem selecionar até três locais no mapa, votar em locais já identificados por outros e responder a um questionário sobre mobilidade e preferências de serviço. A participação está disponível em bicipark.decidimosarroios.pt.
BiciParks da EMEL sem crescimento, enquanto TML preparar uma Rede Metropolitana de Bicicletários

Algumas cidades europeias têm apostado na instalação de parques cobertos para bicicletas na via pública ou em parques de estacionamento públicos. Lisboa tem, desde 2021, uma rede de BiciParks operada pela EMEL, que conta com 14 espaços fechados, acessíveis com o cartão Navegante, onde quem não tem dístico automóvel pode estacionar a sua bicicleta gratuitamente. Sintra instalou alguns parques para bicicletas junto a ciclovias e estações de comboio; e a TML está a trabalhar numa Rede Metropolitana de Bicicletários.

A rede de BiciParks de Lisboa não tem conhecido um crescimento nos últimos anos – com a excepção do parque de estacionamento da Calçada do Combro, na freguesia da Misericórdia, que ganhou um BiciPark no ano passado. A Câmara de Lisboa e a EMEL chegaram a falar em criar BiciParks na rua, junto a interfaces de transporte, mas a medida nunca chegou a avançar. De qualquer modo, freguesias como Arroios ou Penha de França, com elevadas densidades populacionais e com os problemas de estacionamento de bicicletas identificados previamente, não têm acesso ao serviço BiciPark.












