Em Arroios, os moradores juntam-se para construir um espaço de descanso para todos

A Junta de Freguesia de Arroios, em conjunto com o FabLab Lisboa e o atelier de arquitectura Rés do Chão, está a convidar quem mora na freguesia a desenhar e construir o parklet que vai nascer na Rua José Estevão em Setembro. Durante o Verão, estão previstas várias oficinas.

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A Junta de Freguesia de Arroios, em conjunto com o FabLab Lisboa e o atelier de arquitectura Rés do Chão, está a convidar quem mora na freguesia a desenhar e construir o parklet que vai nascer na Rua José Estevão em Setembro. Durante o Verão, estão previstas várias oficinas.

O projeto para transformar dois lugares de estacionamento num parklet (fotografia cortesia de Sofia Ferraz/Junta de Freguesia de Arroios)

Todos os fins-de-semana, o Jardim Constantino acolhe gente de todas as idades. No parque infantil brincam crianças; nos bancos ao seu redor sentam-se pais e avós; nas mesas há quem se junte para jogar às cartas; e na esplanada do quiosque, as cadeiras costumam ser ocupadas por fãs de futebol, que encontram ali um ponto de encontro habitual. No último sábado de maio houve também quem rumasse ao jardim em Arroios para fazer parte de uma sessão participativa aberta à comunidade sobre o futuro parklet que vai ser instalado na Rua José Estevão, a poucos metros dali.

O projeto para transformar dois lugares de estacionamento num parklet – um espaço verde e de descanso – venceu o Orçamento Participativo de Arroios de 2025, tendo levado a Junta de Freguesia, em conjunto com o FabLab Lisboa e o atelier de arquitectura Rés do Chão, a organizar três sessões participativas ao longo da tarde de 30 de maio. Através de oficinas de co-criação, os participantes foram convidados a discutir ideias para o desenho do novo equipamento urbano e a experimentar diferentes configurações, recorrendo a modelos em escala – de plantas, bancos ou mesas –, desenvolvidos a partir do mobiliário que está a ser concebido em parceria com o FabLab Lisboa, o espaço municipal de fabricação e experimentação da cidade.

Nós somos os responsáveis por desenhar o mobiliário, que será feito por voluntários. É suposto ser um trabalho colaborativo, em que vamos utilizar máquinas apenas para aquilo que é mesmo necessário, para que o máximo seja feito de forma manual. A ideia é pensar em mobiliário mais humano, mais próximo das pessoas e não tão tech”, resume Armando Mayta, um dos voluntários do FabLab Lisboa ligados ao projeto, que considera as oficinas de co-criação uma peça importante de todo o processo.

Uma criação colaborativa

“Como parte da equipa de criação, é muito interessante. Nós temos uma visão, mas ouvir o usuário real – que chegou aqui sem saber o que fazemos – fez-me pensar outra vez em tudo para poder adaptar com as ideias das pessoas. É realmente um processo conjunto e teria de ser sempre assim. Quem utiliza o espaço é quem sabe o que lá vai precisar”, continua o membro do laboratório criativo de fabricação digital e prototipagem, inserido no Mercado do Forno do Tijolo. 

“Ter cinco pessoas a conversar, a entender o ponto de vista dos outros, é super relevante. No final, não vai sair uma proposta vencedora. Vai sair um conjunto de propostas a partir daquilo que foi discutido em todos os grupos e que, depois de se perceber o que é tecnicamente viável e possível produzir, vão ser implementadas”, diz Inês Sebastián, co-fundadora do atelier de arquitetura, urbanismo e participação Rés do Chão.

Recorrendo a plantas do espaço que vai ser ocupado pelo parklet e a pequenos modelos de cartão de bancos, canteiros, mesas, cadeiras ou espreguiçadeiras, os diferentes grupos de participantes – uns estavam previamente inscritos para participar na oficina, outros apenas passavam pelo jardim quando decidiram juntar-se – discutiram e desenharam aquele que seria o seu parklet ideal.

“Este modelo de exercício foi extremamente útil. Às vezes, uma folha em branco pode ser assustadora, porque não sabemos o que é possível fazer, mas poder mexer nos objetos – colocar a árvore aqui e não ali, pôr ao lado ou atrás do banco, por exemplo – ajudou a tornar tudo mais acessível e muito mais concreto”, acredita Marta Cabral, membro da cooperativa Rizoma, que está sediada na Rua José Estevão, à frente do lugar onde será instalado o parklet.

Segundo João Farinha, que também faz parte da Rizoma, este projeto representa uma “oportunidade em que ganham todos”. “Temos, logo à nossa frente, duas árvores que acabaram por morrer e, neste momento, é um espaço sem sombra, que não é convidativo para estar. É uma oportunidade em que ganha a rua e a Rizoma também pode participar e fazer a manutenção de um espaço que é de todos.”

Depois da fase de prototipagem, o atelier Rés do Chão está agora encarregado de identificar as preferências da população para o parklet e elaborar um relatório. Seguir-se-ão oficinas, organizadas pelo FabLab Lisboa, com técnicos especializados, para construir as peças de mobiliário modulares, para que, no futuro, possam ser transportadas e utilizadas noutras zonas da freguesia – o Mercado de Arroios, que há uns anos chegou a ter um parklet, é uma dessas zonas. Ainda não há datas para as oficinas de construção, mas a inauguração do parklet está prevista para setembro.

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