Mais de 50 anos depois do fim da ponte, Seixal e Barreiro voltam a estar directamente ligados. Aos sábados, a TTSL está a operar, em regime experimental, uma “ponte fluvial” de 10 minutos entre as duas cidades. É a primeira vez em duas décadas que é lançada uma nova carreira no Tejo.

Desde o fim da ponte e do comboio que fazia a ligação directa, pela foz do rio Coina no Tejo, entre o Seixal e o Barreiro que os dois municípios ficaram distantes. Não geograficamente, mas em termos de mobilidade. Uma viagem que se fazia em cinco minutos de comboio passou a durar meia hora de carro e quase uma hora de autocarro. A partir deste sábado, 27 de Junho, viajar entre o Seixal e o Barreiro voltou a ficar mais curto: a TTSL (Transtejo Soflusa) passou a operar uma carreira fluvial de 10 minutos entre os dois municípios. É a primeira vez em 20 anos que a operadora fluvial lança uma nova ligação no Tejo.
A nova “ponte fluvial” entre o Seixal e o Barreiro vai estar em período experimental aos sábados apenas. São seis horários por dia entre os dois municípios, sendo que dois desses horários têm conexão directa ao Cais do Sodré, em Lisboa. Assim, de manhã há um barco a sair às 10h15 do Seixal e a chegar ao Barreiro às 10h25, partindo cinco minutos depois para regressar ao Seixal às 10h40. De tarde, há um a partir do Seixal às 14h15 e a chegar ao Barreiro 10 minutos depois, para partir às 14h30 e atracar no Seixal às 14h40.

Quanto ao triângulo directo entre o Cais do Sodré, Seixal e Barreiro, esta ligação existe tanto a meio da manhã como a meio da tarde: às 11h00 sai-se do Cais, às 11h30 do Seixal, às 11h45 do Barreiro e às 12h15 regressa-se ao Cais; de tarde, os horários são 16h15, 16h45, 17h00 e 17h30, respectivamente. A viagem completa tem a duração de 1h15, sendo a mais longa de toda a operação da TTSL neste momento.
Rui Rei, Presidente da TTSL, fala numa “ambição de todas as populações que moram em ambas as margens do Tejo” e numa decisão alinhada com o Governo central, que é responsável pela empresa fluvial: “É preciso consolidar, normalizar, estabilizar e dar mais oferta de transporte público, dentro das condições que temos”, indica Rui.
“É para fazer”

“Eu diria que nos últimos quase 30 anos, 20 e poucos, as ligações fluviais do Tejo tiveram uma certa regressão, tiveram diminuição de ligações e houve uma degradação do serviço de certa forma”, indica o Presidente da TTSL, que, desde que assumiu o cargo em Outubro de 2025, tem procurado mudar o transporte fluvial com novas ligações e melhorias na ligação com outros modos de transporte. “O discurso que nós estamos a ter é um discurso com consequências. Não é um discurso de propaganda, é um discurso de consequência. É para fazer.”
A ponte fluvial Seixal-Barreiro sábado, mas o objectivo é “fazê-la durante todos os dias, ou seja, todos os dias da semana fazer”. Para Rui Rei, não há dúvidas de que a ligação entre o Cais do Sodré, Seixal e o Barreiro “terá que ser feita todos os dias”, mas, quanto à ligação entre as duas cidades da Margem Sul, “temos que ver se é durante os dias todos, se é mais aos fins-de-semana”. “É isso que agora nós vamos afinar”, garante o responsável.

Por agora, os horários experimentais ao sábado significam um aumento da oferta no Seixal, que costumava ter frequência mais reduzidas ao fim-de-semana; mas é também um reforço no Barreiro, que “para lá do Terreno do Paço, passa a poder ir com essas carreiras ao Cais do Rei”. “No futuro próximo, podemos vir a pensar na possibilidade de termos a ligação entre o Cais do Sodré, Seixal, Barreiro e Terreiro do Paço. Temos que testar, temos que avaliar”, diz Rui Rei.
Para criar novas ligações no Tejo, é fundamental o “grande esforço invisível que ninguém vê”, que passa por preparar as equipas, “ter mais quadros dentro da empresa” (“havia pessoas para subir dentro da empresa há 30 anos a mestres”, exemplifica) e também por “ter o resto dos navios reparados”. “Ninguém vê a quantidade de embarcações que estão a ser reparadas e que estavam velhas e sem reparação”, refere o Presidente da transportadora fluvial. O futuro da TTSL passa também por contratar mais pessoas: “Contratámos agora há meia dúzia de dias 10 pessoas para a operação e vamos contratar mais 10.”

Algés em Julho, Parque das Nações em 2027
Para breve, está o lançamento da ligação fluvial entre Algés e a Trafaria. A estreia será a 9 de Julho, no primeiro dia do festival NOS Alive. Mas o objectivo é ter esta carreira a funcionar todos os dias. O pontão e o cais está, neste momento, em construção.
Também o Parque das Nações vai voltar a ter barcos, mais de 20 anos depois de ter perdido esse serviço. O cais que foi construído por ocasião da Expo’98 e que deixou de ter barcos em 2006 será reactivado; para tal, a TTSL está a trabalhar com a Câmara de Lisboa. O objectivo é que em em 2027 os barcos que vão ao Cais do Sodré e ao Terreiro do Paço possam ir também ao Parque das Nações, revelou a autarquia presidida por Carlos Moedas.
No ano seguinte, a Câmara de Lisboa quer ter um terminal no Parque Tejo, junto ao recinto do Rock In Rio, que “poderá ser provisório”, disse a vereadora Joana Baptista (independente indicada pelo PSD) à Rádio Renascença, à margem da conferência de imprensa de balanço da 11º edição do Rock in Rio Lisboa, que terminou no domingo. “Mas se for bem-sucedido, por que não ficar definitivo?”, questionou Joana Baptista.









