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”Uma Pontinha de Sombra”: uma ideia para refrescar quem espera pelo transporte

Quem espera pelo autocarro na interface da Pontinha não tem muitas formas de se abrigar do sol ou da chuva. "Uma Pontinha de Sombra", ideia vencedora de um concurso lançado pelo jornal Mensagem de Lisboa, propõe mudar isso, instalando estruturas de ensombramento e descanso.

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Quem espera pelo autocarro na interface da Pontinha não tem muitas formas de se abrigar do sol ou da chuva. “Uma Pontinha de Sombra”, ideia vencedora de um concurso lançado pelo jornal Mensagem de Lisboa, propõe mudar isso, instalando estruturas de ensombramento e descanso.

A Pontinha é uma das interfaces de transporte mais interessantes de Lisboa. Ali, tocam-se três municípios: Lisboa, Amadora e Odivelas. E cruzam-se várias linhas da Carris e da Carris Metropolitana com a Linha Azul do Metro de Lisboa. Apesar de haver várias árvores – e um Parque Verde mesmo ao lado –, mais sombra e espaço para sentar nunca é demais. É isso que “Uma Pontinha de Sombra” promete: um pouco de conforto para quem ali cruza caminhos, à espera do autocarro que o leve a casa ou do amigo que ainda há de chegar.

“Uma Pontinha de Sombra” surgiu em resposta ao concurso Ideias à Rua, lançado pelo jornal Mensagem de Lisboa, cujo propósito é combater a escassez de espaços de permanência e convívio na cidade, capazes de se adaptar e resistir às diferentes condições climatéricas. As propostas deveriam contemplar soluções de cariz temporário, económicas, e tendo preferencialmente a possibilidade de serem replicadas noutras zonas da cidade.

Foram submetidas cerca de 40 ideias a concurso, das quais nove foram seleccionadas para apresentação e votação durante o Festival de Histórias Verdadeiras, que a Mensagem organizou nos dias 20 e 21 de Junho no CCB. O projecto vencedor foi escolhido com base numa combinação da avaliação de especialistas e da votação do público presente no festival.

Da autoria de Anastácia Moreira, Carolina Fontes, Gonçalo Martins e Sara Cherry, a proposta destina-se à praça pedonal que envolve a estação de metro da Pontinha que serve também de ponto de transbordo, aglomerando muitas pessoas que, naquele ponto, trocam para o autocarro ou descem deste. Sendo um ponto de ligação para outros concelhos como a Amadora e Odivelas, a Pontinha “recebe todos os dias pessoas que aguardam algum tempo, tempo esse que, num bom dia, varia entre 10 a 30 minutos”, descrevem os autores da proposta. “Durante esse período, verifica-se a inexistência de espaços de refúgio, lugares para sentar e descansar, zonas de sombra para os dias de sol e de proteção da chuva nos de Inverno.”

O “Uma Pontinha de Sombra” consiste em estruturas de ensombramento e descanso, “compostas por dois módulos que se distinguem pelas suas alturas” – um tem 2,80 metros e o outro 3,30 metros – e com uma cor vibrante, como o vermelho, prometendo, dessa forma, animar o espaço. As estruturas e os assentos são feitas com “tubos redondos de ferro”, sendo que a cobertura é uma “chapa metálica perfurada” que permite não só filtrar a luz, como iluminar o chão com “padrões e texturas que se sobrepõem”, oferecendo um “jogo de interseção e sobreposição de sombras”.

É possível impermeabilizar a cobertura “através da aplicação de uma placa de metacrilato”, indicam os autores. Os módulos são portáteis, podendo ser movidos e “dispostos pelas zonas de maior afluência, apoiando quem espera pelo transporte” – ou ainda aplicados noutras zonas da cidade, explicam.

A concretização desta ideia fica agora do lado da Mensagem de Lisboa. Seria construída a peça de mobiliário em parceria com os proponentes da solução, membros do júri e entidades parceiras da iniciativa, como a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Lisboa e Vale do Tejo (OA-SRLVT) De acordo com o jornal, a instalação “acontecerá em modo experimental, dependerá da articulação com as entidades autárquicas competentes”.

Jornalismo com ideias para a cidade

Há muito que a Mensagem de Lisboa procura ser mais que um jornal de Lisboa e há muito que quer o seu impacto na cidade vá além das páginas da sua edição online. No seu 5º aniversário, ofereceu um banco à cidade – um gesto simbólico, em colaboração com o ateliê de arquitectura Artéria, que consistiu na construção e instalação de um pequeno banco em madeira num pequeno largo junto ao Jardim Zoológico, na freguesia de São Domingos de Benfica.

O concurso Ideias À Rua deu continuidade a esse objectivo de um impacto mais material, lançando o convite à comunidade de leitores e de cidadãos de Lisboa para proporem ideias de pequena escala e baixo custo que possam ser implementadas na cidade, pelo menos de forma temporária. O júri que avaliou as propostas foi composto por António Lopes (IGOT-UL), Frederico Raposo (jornalista da Mensagem de Lisboa), Margarida Marques (arquitecta no Rés-do-Chão), Pedro Novo (responsável da Ordem dos Arquitectos) e Pedro Campos Costa.

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