Acabam-se as corridas em vão para tentar apanhar o metro. Vai ser possível saber o tempo de espera dos próximos três comboios, não só nos cais de embarque, como também nos átrios das estações. Novos painéis estão em teste na estação Jardim Zoológico.

O Metro de Lisboa vai ter novos painéis de informação ao público nas estações e os primeiros novos modelos estão em teste, desde Maio, na estação Jardim Zoológico, em Sete Rios. Estes painéis mostram não só o tempo de espera do próximo comboio, como dos dois comboios seguintes, ajudando os passageiros a planear melhor as suas viagens.
“Na estação Jardim Zoológico encontra-se em funcionamento, desde Maio de 2026, o projecto-piloto do novo sistema de informação ao cliente, no âmbito da estratégia de modernização tecnológica da empresa”, indica o Metro de Lisboa em comunicado, explicando que o objectivo da empresa é “reforçar o modo como informa e acompanha os seus clientes dentro das estações”.
As estações do Metro não só vão ter novos painéis nos cais de embarque, como também nos átrios, o que permite aos passageiros saberem, finalmente, quanto tempo falta para o próximo comboio antes de descerem para a plataforma. Dessa forma, conseguem ajustar o passo e evita-se corridas descenecessárias só porque o próximo metro pode estar a vir.


“Do átrio ao cais, o cliente passa a ter acesso a informação integrada sobre os próximos três comboios, o estado de circulação das quatro linhas e a disponibilidade dos elevadores, podendo decidir melhor, gerir o seu percurso e orientar-se com mais autonomia dentro da estação”, indica a empresa, explicando que se pretende dar informação em tempo real “onde os clientes mais necessitam dela”.
Cidadãos propõem melhorias

Um grupo de cidadãos através do grupo Fórum Cidadania Lx já propôs ao Metro de Lisboa algumas melhorias. Referindo-se à introdução do novo modelo informativo como uma mudança “muito bem-vinda” e um upgrade significativo “face aos painéis que existem, pouco consentâneos com uma capital europeia”, o colectivo cidadão diz haver “uma oportunidade única” de colocar mais informação nestes painéis e a fazer outras alterações, nomeadamente:
- a inclusão de cor e nome da linha de forma destacada, explicando que “em estações de cruzamento – Alameda, Marquês de Pombal, Rato, São Sebastião –, a ausência desta informação obriga o passageiro a inferir o serviço apenas pelo destino, o que é insuficiente e pode induzi-lo em erro”. “O metro de Paris (RATP) e o de Londres (TfL), por exemplo, desde há décadas que identificam em todos os painéis da plataforma a linha com cor de fundo correspondente”, explicam;
- mudar a cor de fundo dos painéis. “O tom de azul nos painéis actualmente em teste parece-nos excessivamente vibrante e pode tornar-se visualmente cansativo o que não acontecerá com um tom mais sóbrio e neutro, preferencialmente o azul-escuro já presente no Manual de Normas Gráficas da empresa”, dizem;
- voltar a introduzir os segundos no tempo de espera. “A informação apresentada apenas ao minuto reduz a percepção da precisão do sistema e gera situações em que o passageiro vê repetidamente o mesmo tempo de espera durante quase um minuto completo”, referem;
- distinguir o tempo programado do tempo real, isto é, “o painel deveria indicar explicitamente quando um serviço está atrasado e em quantos minutos, com diferenciação visual clara”. Os cidadãos dão como exemplo o metro de Londres que mostra “delayed” em todos os casos de desvio ao horário previsto, e do metro de Berlim que indica o atraso a vermelho com o número de minutos entre parêntesis correspondente a esse atraso;
- na mesma lógica, indicar quando existem supressões. “Quando uma composição é suprimida, o painel deveria comunicar esse facto dando-lhe destaque visual distinto e indicando o tempo de chegada da próxima composição”, notam, referindo ainda que “a ausência desta informação é uma das principais causas de frustração dos passageiros e de convencimento dos mesmos que há uma falha de fiabilidade do sistema”;
- mostrar só o tempo de espera de dois comboios. “Na prática, a esmagadora maioria dos passageiros consulta o painel apenas para saber quando chega o próximo comboio e, em alguns casos, o seguinte. A informação relativa a uma terceira circulação tem utilidade muito reduzida para a maioria dos utilizadores, ocupando espaço que poderia ser utilizado para aumentar o tamanho dos caracteres, melhorar a legibilidade geral do painel ou destacar informações operacionais mais relevantes”, escrevem;
- indicar o nível de ocupação esperada por carruagem, “permitindo uma distribuição mais equilibrada dos passageiros na plataforma e reduzindo o tempo de embarque”;
- mostrar as principais paragens intermédias, ajudando o passageiro a “confirmar o serviço correcto”, uma prática corrente em sistemas holandeses e alemães;
- evidenciar o último serviço da noite “com destaque visual específico nos painéis”. “Esta funcionalidade, presente em vários sistemas europeus, evita que o passageiro perca a última composição por falta de aviso atempado”, dizem.
O Metro de Lisboa está neste momento a recolher feedback sobre os novos painéis. A expansão deste novo sistema está prevista para mais nove estações até ao final de 2026, “reforçando o compromisso do Metro de Lisboa com a melhoria contínua da experiência dos clientes e com a modernização dos seus sistemas de informação”. Neste momento, a transportadora quer “avaliar o desempenho da solução tecnológica e recolher contributos para a sua futura implementação noutras estações da rede”.









