A TTSL lançou uma nova ligação fluvial entre Algés e a Trafaria, com passagem por Porto Brandão. Os barcos atracam num novo cais construído na Doca de Pedrouços, a cerca de 10 minutos a pé da estação de comboios de Algés.

O metro ligeiro deverá chegar à Trafaria em 2029 e, nesse ano também, está prevista uma linha de BRT que ligará Algés a Alcântara e Benfica. Ao mesmo tempo, há um túnel rodoviário planeado entre a Trafaria e Algés. Enquanto estes grandes investimentos não avançam, já está criada uma ligação fluvial entre as duas margens do Tejo, ligando Oeiras a Almada. Um investimento feito em poucos meses pela TTSL e suportado com a ajuda da Câmara Municipal de Oeiras, que há muito tempo expressava interesse numa ligação rápida por transporte fluvial a Almada. A ligação funciona apenas nos dias úteis e nas horas de ponta, em regime experimental; mas, se tudo correr bem, passará a definitiva e será alargada.
Fase experimental
A nova linha fluvial da TTSL funciona liga Porto Brandão e Trafaria, em Almada, ao novo cais criado na Doca de Pedrouços, em Algés. Nesta fase experimental, há apenas seis circulações diárias aos dias de semana: três de manhã, entre as sete e as nove horas; e três de tarde, entre as 17 e as 19 horas. Uma viagem simples tem o custo de 1,50 €, o mesmo valor da viagem para Belém, que se mantém. É possível pagar com cartão bancário contactless nos validadores – uma estreia na rede da TTSL – e, claro, usar o passe Navegante.

“Teremos duas operações em simultâneo nesta zona do estuário do Tejo”, explica Rui Rei, Presidente da TTSL. Por um lado, a ligação que sempre existiu entre Belém e a Trafaria; e por outro, a nova ligação entre Algés e a Trafaria. Ambas passam por Porto Brandão. “Nós tínhamos um triângulo que era Belém-Porto Brandão-Trafaria, e o que agora acrescentamos a esse triângulo é mais uma ligação, que o transforma num quadrado, que é Belém-Porto Brandão-Trafaria-Algés.”
A ligação de Belém é em ferry, permitindo o transporte de carros e de outras viaturas; a de Algés é apenas serviço de passageiros. Rui Rei deixa em aberto a possibilidade de haver ferry também em Algés, o que dependerá da capacidade da TTSL de manutenção e recuperação da sua frota. “Nós estamos a enfrentar alguns desafios no que diz respeito aos nossos ferries, mas dentro de um mês e meio teremos os problemas todos debelados”, assegurou.
“Estamos em carácter experimental até ao fim do ano e vamos ajustando a oferta. Seguramente que até ao fim do ano transportaremos uns milhares de pessoas”, garantiu Rui Rei. “Vai ser um crescimento gradual”, acrescentou, explicando que é preciso que os cidadãos percebam que “há regularidade, fiabilidade e dedicação”. “Até ao fim do ano, transportaremos uns milhares largos de cidadãos de clientes quer para o trabalho, quer a universidade, quer para a ida às praias, que é algo também muitíssimo importante nesta zona.”

Com a introdução da ponte fluvial em Algés, tanto Porto Brandão como a Trafaria ganham um total de seis novos horários nas horas de ponta, um acréscimo de oferta significativo naquela parte do concelho de Almada, que contava com 14 horários de partida para Belém nos dias de semana. O barco demora apenas 10 minutos entre a Trafaria e Algés, mais 15 para quem partir de Porto Brandão. “Em 10 minutos, as pessoas passam de uma margem para a outra. E em meia dúzia de minutos chegam a qualquer zona do concelho de Oeiras ou de Lisboa. Portanto, é um ganho de qualidade de vida extraordinário”, aponta Rui Rei.
O Presidente da TTSL acredita que “a ligação Algés-Trafaria será a prazo uma ligação muito importante” e vai crescer à medida que captar a confiança dos passageiros. “Neste momento, começamos às 7 da manhã, terminaremos cerca das 8 da noite. Mas vamos chegar às 10 da noite. E não temos dúvidas que, no Inverno, quando começarmos a estabilizar a operação, esta terá que começar mais cedo de manhã cedo e terminar pela meia-noite”, refere. Esta nova ligação terá um período experimental de seis meses.
Mais oferta em Porto Brandão e Trafaria

Com o contributo financeiro da Câmara Municipal de Oeiras e o apoio da autarquia de Lisboa, foi construído um novo terminal fluvial na Doca de Pedrouços, a cerca de 10 minutos a pé da estação de comboios de Algés. Há um pontão para o embarque e desembarque de passageiros, dois torniquetes com validadores, um contentor que servirá de bilheteira e de apoio, e uma zona de espera ensombrada. A concretização desta nova ligação foi possível também graças à colaboração com a Administração do Porto de Lisboa.
A estreia da ligação fluvial para Pedrouços/Algés coincidiu com a realização do festival NOS Alive, tendo sido operados barcos especiais para o Cais do Sodré e Cacilhas. No dia 9 de Julho, numa cerimónia que juntou as câmaras de Lisboa e de Oeiras (de assinalar a ausência da Câmara de Almada), bem como a TML e a APL, Rui Rei declarou: “Nós que marcamos hoje o fim de um certo declínio que foi acontecendo ao longo dos anos na área metropolitana de Lisboa no que diz respeito ao transporte público fluvial.”
O Presidente da TTSL destacou a requalificação feita da Doca de Pedrouços: “Parece simples, mas quem conhecia este espaço antes desta intervenção percebia que era um espaço que estava abandonado desde o Volvo Ocean Race há 20 ou 30 anos.” Acrescentou: “É um trabalho extraordinário, quer com todas estas árvores e arbustos que foram aqui plantados, quer com iluminação pública, quer com tudo o que existe aqui de apoio à fruição”, disse, deixando uma garantia: “Se tudo correr normalmente estaremos em condições de no próximo ano podermos encarar o Parque das Nações como uma realidade, obviamente preparando a empresa com os recursos humanos e os materiais que são necessários.”

Por seu lado, Isaltino Morais, Presidente da Câmara de Oeiras, reconheceu o trabalho de “cooperação ou de integração de políticas” entre municípios, algo que referiu ser raro. “Não é normal, não se verifica com frequência. Eu devo dizer-vos que, há muitos anos, que defendo uma maior integração e cooperação activa entre os municípios da área metropolitana de Lisboa. Na realidade, vivemos muito de costas voltadas uns para os outros”, lamentou o autarca.
Quanto à ligação fluvial entre Trafaria e Algés, Isaltino lembrou que “há 20 ou 30 que já se falava realmente desta possibilidade, mas a verdade é que nunca se concretizou”. “Portanto, em primeiro lugar, está de parabéns o Presidente da TTSL, porque independentemente da vontade política das tutelas, é discutível que alguém tem que ter a dinâmica e a iniciativa para pôr as coisas a funcionar.”
“Todos falamos na cidade, das duas margens, todos enchemos a boca nos discursos, na retórica, mas a verdade é que este rio, em vez de unir, tem-nos separado”, destacou Isaltino Morais. “As pessoas só deixam de usar o automóvel se tiverem alternativas. É preciso criar alternativas seguras, confortáveis, que sejam viáveis em termos de tempo. Se isso acontecer, as pessoas têm condições para deixar o transporte individual”, referiu o autarca. “A mudança desses hábitos é muito difícil. Às vezes, demora gerações.”
Paralelamente à oferta nos dias úteis entre Trafaria e Algés, com passagem por Porto Brandão, a TTSL está a experimentar na ligação Belém-Porto Brandão-Trafaria-Algés aos fins-de-semanas. O primeiro teste (e, até agora, o único) foi feito no passado domingo, 19 de Julho com o prolongamento de todas as carreiras entre Belém e a Trafaria até Algés.








