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Parque Urbano do Vale de Santo António começa a ganhar forma

É o primeiro passo para transformar o Vale de Santo António. Foi lançado o concurso público para o desenho do parque que será o elemento agregador do novo bairro que a Câmara de Lisboa quer promover naquele vazio urbano. Serão 7,8 hectares de espaços verdes, de lazer e de desporto.
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É o primeiro passo para transformar o Vale de Santo António. Foi lançado o concurso público para o desenho do parque que será o elemento agregador do novo bairro que a Câmara de Lisboa quer promover naquele vazio urbano. Serão 7,8 hectares de espaços verdes, de lazer e de desporto.

O local do futuro Parque Urbano do Vale de Santo António (fotografia LPP)

É o primeiro grande passo para mudar o Vale de Santo António, nas freguesias de Penha de França e São Vicente. Foi lançado o concurso público internacional para o desenho do futuro Parque Urbano do Vale de Santo António, uma mancha verde de 7,8 hectares que ajudará a ligar os novos arruamentos, praças e edifícios que vão nascer naquele vazio urbano da cidade.

De acordo com o programa preliminar, o Parque Urbano do Vale de Santo António terá como espaço central um anfiteatro natural, amplo e luminoso, com sombras pontuais, capaz de reunir várias pessoas para eventos culturais ocasionais e de se transformar, na época das chuvas, numa extensa área de infiltração natural. É a partir daqui que se organiza o resto do parque: encostas modeladas e revestidas de vegetação arbórea, arbustiva e herbácea para evitar erosão, e uma sensação de “interioridade” face à envolvente urbana, conseguida através de um jogo de topografia e vegetação.

À volta deste anfiteatro, está prevista uma rede de equipamentos de lazer e desporto, nomeadamente um parque infantil inclusivo, um parque canino, uma zona de merendas sombreada, com mesas e bancos, acompanhado por um espaço informal complementar para piqueniques no prado, um quiosque com esplanada e sanitários, localizado perto do parque infantil, um parque de fitness e ainda um circuito de manutenção com estações de exercício organizadas segundo uma lógica sequencial, para várias faixas etárias.

O Parque Urbano funcionará como um elemento estruturante de toda a requalificação que a Câmara de Lisboa quer fazer no Vale de Santo António, que é actualmente uma área degrada mas onde irá nascer o novo bairro do Vale de Santo António. O programa preliminar define quatro objectivos estratégicos para o Vale: um território ecológico, com uma componente verde abrangente e unificadora; acessível e inclusivo, reaproximando bairros hoje desconexos entre si; identitário e vivencial, agregando actuais e futuros moradores; e resiliente, com enfoque nos vectores económico, social e cultural. A ideia de proximidade é central: pretende-se um bairro onde as actividades diárias e essenciais ficam acessíveis num raio de 10 minutos a partir de casa, aliviando a pressão sobre o transporte público e o automóvel.

Ao fundo, o Alto da Eira (fotografia LPP)

Voltando ao Parque Urbano, um dos eixos centrais da proposta é a infraestrutura azul: bacias de retenção, poços de infiltração, zonas húmidas, jardins de chuva e espelhos de água pensados não só para gerir as cheias, mas para criar habitats e tornar visíveis os ciclos naturais da água. Este sistema azul deve funcionar em conjunto com a infraestrutura verde, que consistirá em vegetação maioritariamente autóctone, escolhida a pensar na sombra no Verão, na entrada de sol no Inverno e na protecção contra o vento, reduzindo a necessidade de rega e reforçando a biodiversidade. A água e a vegetação vão fazer deste futuro parque um Refúgio Climático, capaz de mitigar o efeito de ilha de calor e de melhorar o micro-clima da zona.

Área do futuro parque assinalada com as áreas definitivas e provisórias (via Lisboa SRU)

Ao nível da mobilidade, o parque terá uma rede de percursos pedonais e cicláveis contínuos: percursos principais, acessíveis, com pelo menos 1,20 metros de largura livre, que ligam entradas, equipamentos e áreas de actividade, complementados por caminhos secundários mais informais e exploratórios, muitos deles localizados em zonas sombreadas. A ideia de “safe design” está presente em todo o programa: legibilidade, continuidade visual, ausência de zonas isoladas ou pouco visíveis, vigilância natural garantida pela diversidade de actividades e pela presença contínua de utilizadores ao longo do dia. A acessibilidade universal é um requisito transversal, com percursos e equipamentos preparados para pessoas com mobilidade condicionada e diferentes capacidades físicas, sensoriais e cognitivas.

O programa preliminar sublinha o carácter evolutivo do parque, que, nos primeiros anos de existência, vai conviver com várias obras em seu redor. Por isso mesmo, num primeiro momento, parte da vegetação do parque será provisória, sem árvores ou arbustos de grande porte. Isto porque, antes de qualquer plantação definitiva, há um volumoso trabalho de movimentação de terras que terá de ser feito do planalto do Alto da Eira para o vale, visando reduzir o desnível entre as encostas norte e sul e criar as bacias de retenção. À medida que os bairros em redor forem sendo construídos, o parque deverá reforçar a sua função de ligação entre eles.

O Vale de Santo António vai ser transformado totalmente (fotografia LPP)

O concurso público internacional para o desenho do Parque Urbano do Vale de Santo António foi lançado pela Lisboa SRU; as equipas de arquitectura paisagística interessadas podem apresentar propostas até 998,32 mil euros. Quanto à obra do parque, o valor máximo estimado para a execução é perto de 25 milhões de euros.

Aprovado em 2024, o Plano de Urbanização do Vale de Santo António resolverá um enorme vazio no coração da cidade de Lisboa. Trata-se de um plano para 12 anos, que implicará um investimento total de 750 milhões de euros. O plano prevê 2 400 casas “a afectar a programas de arrendamento a custos acessíveis” com o intuito de fixar no território “famílias e população jovem”. Podes ler mais sobre este Plano de Urbanização aqui.

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