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Vandalismo com “efeito devastador” na GIRA ainda não está solucionado

A EMEL ainda não conseguiu travar a vaga de criminalidade “violenta” e “gratuita” que tem afectado a rede de bicicletas GIRA desde o final de 2025. Foram registados “mais de 700 actos de vandalismo” e 30 estações estão actualmente fora de serviço. Prejuízos ascendem aos 400 mil euros, diz a empresa municipal.
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A EMEL ainda não conseguiu travar a vaga de criminalidade “violenta” e “gratuita” que tem afectado a rede de bicicletas GIRA desde o final de 2025. Foram registados “mais de 700 actos de vandalismo” e 30 estações estão actualmente fora de serviço. Prejuízos ascendem aos 400 mil euros, diz a empresa municipal.

Desde o final de 2025 que a GIRA tem enfrentado “uma nova vaga de criminalidade mais agressiva, focada na destruição de docas para furto de bicicletas” (fotografia LPP)

A EMEL ainda não conseguiu resolver o vandalismo que tem afectado gravemente a disponibilidade e estabilidade do sistema de bicicletas partilhadas de Lisboa. Desde o final de 2025 que a GIRA enfrenta “uma nova vaga de criminalidade mais agressiva, focada na destruição de docas para furto de bicicletas”, com o registo de “mais de 700 actos de vandalismo” só neste ano, informa a empresa municipal numa nota enviada ao LPP.

Conforme o LPP reportou no passado mês de Maio, várias docas GIRA têm sido danificadas, com a “destruição de tampas, cablagens e sensores eletrónicos”, com o intuito de roubar as bicicletas nelas atracadas. Segundo a EMEL, “esta nova vaga de crimes contra a rede GIRA ocorre de forma violenta, gratuita e inesperada” e “tem tido um efeito devastador na disponibilidade do serviço”. Com efeito, mais de 30 estações estão actualmente fora de serviço, sendo as freguesias de Arroios e de Santa Maria Maior as mais afectadas.

O problema tem acontecido em estações e docas que a EMEL já tinha reparado. Aliás, em Maio, as estações ao longo do eixo da Almirante Reis já tinham sido danificadas mas, depois de reparação, foram postas novamente em serviço até serem novamente vandalizadas. “Só no decorrer de 2026, mais de 1.400 docas foram destruídas. Neste mesmo período, foram registadas mais de 1.000 bicicletas retiradas temporariamente do sistema com recurso a este método (arrancadas das docas)”, informa a empresa.

Há inúmeras docas destruídas pela cidade (fotografia LPP)

“Para travar esta escalada”, a EMEL diz que “está a implementar medidas de reforço em duas frentes”. Uma primeira, de curto prazo, que já tinha sido revelada pelo LPP em Maio, consiste na instalação nas docas de “novos equipamentos mais robustos e resistentes ao arrombamento”. “Devido a este redesenho do equipamento, os tempos de intervenção técnica aumentaram temporariamente”, explica, referindo-se à demora na reparação das docas. A médio prazo, a EMEL está a preparar a “introdução de um nível de segurança mecânico adicional para mitigar o furto de bicicletas”.

“Em paralelo, a EMEL tem participado estas ocorrências junto das autoridades policiais e está a desenvolver um trabalho de proximidade com as Juntas de Freguesia, associações locais e escolas, com o intuito de promover o diálogo e o envolvimento da comunidade como forma de incentivar condutas mais responsáveis”, informa a empresa tutelada pela Câmara de Lisboa.

Vandalismo na rede GIRA já custou mais de três milhões de euros desde 2017

Uma estação vazia no eixo da Almirante Reis (fotografia LPP)

Se a situação que a rede GIRA atravessa actualmente é considerada pela EMEL como um “momento crítico”, não é a primeira vez que o vandalismo afecta o sistema de bicicletas públicas partilhadas de Lisboa. “Desde o início da operação, o custo acumulado com danos, reparações e equipas de recuperação ultrapassa os três milhões de euros. Deste valor, cerca de 400 mil euros dizem respeito exclusivamente ao actual ciclo de destruição iniciado há poucos meses”, indica a empresa municipal. A EMEL estima que “as 30 estações inoperacionais representem mais de cinco mil horas de indisponibilidade potencial, dado que a reparação de uma única estação demora, em média, uma semana”.

A empresa municipal de mobilidade de Lisboa indica que desde o lançamento da GIRA, em 2017, que o sistema sempre enfrentou problemas de vandalismo “mas estes eram focados essencialmente nas bicicletas, com episódios de arrancamentos forçados, danos em componentes e abandono das mesmas”. A EMEL considera que o ciclo de vandalismo contra a rede pública iniciado no final de 2025 “muito mais gravoso”, uma vez que envolve “o arrombamento e a destruição deliberada das próprias docas e estações”.

Entre 2017 e 2025, a empresa contabiliza mais de 12 mil intervenções de reparação por actos de vandalismo, “um número que ilustra a dimensão do desafio logístico e financeiro para manter o sistema de mobilidade suave a funcionar na capital”.

Entre as estações vandalizadas e inoperacionais estão algumas importantes da rede GIRA, como a da Gare do Oriente, a da estação de comboios de Benfica, a do Metro de Carnide ou praticamente todas as estações entre a Alameda e a Baixa, ao longo da Avenida Almirante Reis.

Mapa das estações vandalizadas e indisponíveis à data de 7 de Agosto de 2026 (via EMEL)

PCP pede explicações, Moedas desculpa

As tampas são arrancas para danificar os componentes das estações (fotografia LPP)

Apesar da gravidade da situação que se tem passado com a GIRA ao longo de mais de meio ano, o silêncio da oposição na Câmara de Lisboa tem-se feito notar. Apenas o Vereador do PCP, João Ferreira, se tem mostrado preocupado com o tema, tendo esta semana apresentado um requerimento para pedir esclarecimentos ao Presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD), sobre “os graves problemas existentes no funcionamento da rede GIRA”.

“O funcionamento da Rede GIRA, em especial ao longo do último mês, depara-se com graves problemas, como docas e estações danificadas ou desligadas, bicicletas estragadas sem a devida reparação, problemas de comunicação entre a aplicação e as estações, ausência de funcionamento do atendimento telefónica e ausência de resposta a reclamações, através do e-mail geral do serviço. São várias – e justificadas – as referências ao colapso do sistema, por parte de muitos utilizadores”, indica o PCP em comunicado.

No requerimento apresentado, João Ferreira pergunta a Moedas se tem conhecimento da situação e que medidas estão previstas com vista a repor o funcionamento adequado da GIRA. O Presidente da Câmara não respondeu (ainda?) ao vereador comunista, mas, algumas semanas antes, pedia desculpa a uma utilizadora do sistema de bicicletas no seu espaço de comentário televisivo no canal NOW. “Bruna, desculpa, não deveria acontecer. Estamos sempre a arranjar. Infelizmente ainda há vandalismo”, disse Moedas, em relação a um vídeo partilhado no TikTok por uma nova utilizadora da GIRA, que se viu confrontada com dificuldades na utilização do sistema. “Infelizmente há muito vandalismo”, disse o autarca, falando num “problema muito sério”.

A resposta vaga e pouco concreta de Carlos Moedas indicia que o Presidente da Câmara não estará ocorrente de toda a situação que a GIRA tem atravessado nos últimos meses – e que a própria EMEL classifica com palavras como “violenta” e “gratuita”.

GIRA perde utilizadores

Uma das poucas estações em funcionamento no eixo da Almirante Reis (fotografia LPP)

Para quem utiliza a GIRA regularmente, problemas com a rede de bicicletas partilhadas não são propriamente uma novidade – apesar de os constrangimentos que se estão a sentir terem uma dimensão nunca antes vista no sistema. O LPP sabe que são várias as pessoas que desistem de utilizar a GIRA, o que tem levado o serviço a perder utilizadores ao longo do tempo – mas como essas perdas são compensadas por novos registos, impulsionados também pela expansão que a rede tem tido na cidade nos últimos anos, o saldo acaba por ser positivo.

Não obstante, existe uma incapacidade de a GIRA reter muitos dos utilizadores que se registam e começam a utilizar o serviço. Por fóruns como o Reddit ou nas redes sociais, multiplicam-se testemunhos de pessoas que desistiram do sistema porque perderam confiança no mesmo.

Entre os principais problemas, está a aplicação oficial, que continua a mostrar o ecrã de login a utilizadores com sessão activa ou ainda a apresentar sinais de lentidão, comparativamente às alternativas não oficiais. Está também o facto de muitas bicicletas ficarem presas nas docas como indisponíveis, apesar de não estarem nem a carregar nem avariadas. A empresa tem estado a corrigir ambos os problemas, mas as soluções têm demorado a chegar ao terreno – e o flagelo do vandalismo não tem ajudado, uma vez que é mais um problema para resolver e mais um problema a consumir recursos financeiros públicos.

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