A Carris apresentou esta segunda-feira 29 novos autocarros eléctricos. Financiados pelo PRR, vão entrar em circulação já na próxima semana, a tempo do regresso às aulas.

Uma parte significativa da frota da Carris está envelhecida e a chegar ao limite. As avarias vão-se sucedendo, por mais trabalho de manutenção que exista nesses veículos, e por mais empenho que os motoristas ponham na sua conservação. A renovação da frota tem sido feita nos últimos anos com viaturas novas – algumas a gás natural e outras eléctricas –, mas ainda há um caminho a percorrer. Nesta segunda-feira, 7 de Agosto, a Carris apresentou no Terreiro das Missas, em Belém, 29 autocarros eléctricos convencionais que, a partir da próxima semana, vão regressar às aulas com as crianças e jovens da cidade.
“A Carris tem hoje 103 autocarros eléctricos e, quando estiverem em funcionamento estes 29, mais de 50% dos nossos quilómetros percorridos serão por viaturas não diesel”, destacou Rui Lopo, Presidente da Carris, explicando que a aquisição dos 29 veículos novos esteve em risco de não acontecer “por problemas vários, muito típicos da nossa forma de funcionar”, o que levaria a empresa a perder os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“A 30 de Janeiro decidimos novamente comprar os autocarros. A 19 de Fevereiro adjudicámos a proposta. A 9 de Abril assinámos o contrato. Em junho os autocarros estavam prontos. Em Julho estavam na Carris. Em Agosto foram preparados. E, para a semana, estarão em funcionamento no arranque do período escolar”, detalhou o responsável. “As nossas crianças, as crianças da cidade de Lisboa, vão poder utilizá-los nas suas deslocações para as escolas. Quero aqui publicamente reconhecer e agradecer o empenho e desempenho das equipas da Carris e dos nossos parceiros, que não desistiram em pleno mês de Agosto e trabalharam para esta concretização.”
“Um ambicioso programa de renovação de frota”

Segundo Rui Lopo, a Carris tem em marcha “um ambicioso programa de renovação de frota, que será maioritariamente eléctrica e uma operação descarbonizada em 2030. Serão 150 autocarros novos a cada ano”. Lopo disse ainda que a Carris em 2029 já vai ser “muito diferente” da Carris de hoje: “Transportará mais passageiros, emitirá muito menos gases com efeito estufa e contribuirá decisivamente para os objetivos climáticos do país e de Lisboa.” O Presidente da Carris referiu ainda ser “imprescindível” continuar a haver “pacotes de estímulos e ajudas financeiras” para concretizar esta renovação de frota e para “maximizarmos as escassas oportunidades do quadro financeiro plurianual da União Europeia de 2028 a 2034”.
Os 29 novos autocarros integram foram financiado pelo PRR através do Fundo Ambiental. Os veículos – fabricados pela empresa chinesa Yutong, que também é a marca de vários autocarros ao serviço da Carris Metropolitana – contam com três portas, a facilitando a saída dos passageiros ao longo do percurso, e entradas USB-A e USB-C em todos os bancos. Para os motoristas, os autocarros contam com sistemas de retrovisores com câmaras a 360 graus, sem ângulos mortos, que apoiam uma condução mais segura.
De resto, os veículos têm as funcionalidades habituais: rampas e espaço para cadeiras-de-rodas, bem como carrinhos-de-bebé; lugares prioritários para pessoas com idosos, grávidas e pessoas com bebé ao logo, wi-fi e ecrã para informações a bordo durante a viagem (percursos e paragens).
“É dinheiro dos europeus”

Rui Lopo referiu que, com esta aquisição bem sucedida, a “Carris executa 100% do seu PRR. São quase 32 milhões de euros, dos quais 15 milhões do seu próprio orçamento, que permitiu a aquisição de 25 postos de carregamento, 29 mini-autocarros e 49 autocarros standard desde 2022”. Com esta incorporação, a empresa passa a contar com 103 autocarros eléctricos, dos quais 78 foram adquiridos com financiamento do PRR.
“É dinheiro dos europeus”, sublinhou Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deixando um agradecimento “à Europa”. “Nós estamos aqui para agradecer ao Governo, para agradecer à Europa, e para agradecer sobretudo aos trabalhadores e trabalhadoras da Carris pelo trabalho que, todos os dias, fazem pela nossa cidade”, adicionou o autarca.
“Em 2021, quando comecei como Presidente da Câmara, 70% dos autocarros desta cidade eram a energias fósseis. 70%. Hoje já estamos mais ou menos nos 50%, ou abaixo dos 50%”, destacou Moedas, referindo que a Carris tem hoje 379 autocarros a diesel – menos 145 que há cinco anos. Para o Presidente da Câmara, os novos veículos “são o concreto na política pública da transição climática”. Moedas sublinhou que essa transição tem de ser feita feita “no concreto” e lembrou que Lisboa é uma das 100 cidades que assinou “com a Europa” um contrato climático para a neutralidade carbónica até 2030.
A renovação da frota da Carris não se resume, contudo, à sustentabilidade ambiental. Com uma fatia considerável dos veículos em fim de vida e a operar no limite até à chegada de reforços, a entrada destes 29 autocarros permite encostar as viaturas mais velhas. O resultado é um serviço mais fiável e confortável, dotado de comodidades ausentes na frota antiga.









