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Shifter: a revista que dá que pensar organiza primeira conferência em Lisboa

Como está a Inteligência Artificial a transformar o jornalismo e o ecossistema da informação? É essa a pergunta que vai reunir jornalistas, investigadores e políticos na Inferência, primeira conferência da revista Shifter, a 26 e 27 de Setembro, em Lisboa.

Como está a Inteligência Artificial a transformar o jornalismo e o ecossistema da informação? É essa a pergunta que vai reunir jornalistas, investigadores e políticos na Inferência, primeira conferência da revista Shifter, a 26 e 27 de Setembro, em Lisboa.

Carolina Franco e João Gabriel Ribeiro, editores do Shifter, estão a organizar a Inferência, uma conferência para pensar o jornalismo, a informação e os direitos de autor numa era dominada pela Inteligência Artificial (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

Apareceu em 2013, mas foi em 2020 que se começou a afirmar como uma revista de pensamento crítico, dedicada a explorar os grandes temas do presente e do futuro, com um foco na tecnologia. Nesse ano, em plena pandemia de Covid-19, o Shifter lançou a primeira edição em papel – uma revista compacta sobre um ano em que tudo parecia mudar. Seis anos volvidos, são já nove as revistas editadas pelo Shifter, que complementam uma edição online pautada por ensaios, entrevistas e reportagens que ajudam a compreender melhor este mundo em digitalização que nos rodeia. Mas como esta reflexão não pode ficar apenas por escrito, o Shifter vai promover a sua primeira grande conferência, a Inferência.

Durante dois dias, 26 e 27 de Setembro, a Inferência vai colocar Lisboa a debater a informação e o jornalismo num tempo cada vez mais marcado pela Inteligência Artificial (IA). O evento reunirá jornalistas e profissionais dos media, políticos, especialistas em IA e investigadores em debates, workshops e palestras. Em conjunto, vão discutir o futuro do jornalismo, os direitos de autor e os desafios colocados pela crescente utilização de IA na produção e circulação de informação online.

Do online ao offline, uma revista para pensar o mundo

O Shifter surgiu em 2013. Na altura, os smartphones eram uma novidade e a web social estava a rebentar. Ter um telefone que permitia aceder a uma série de serviços e aplicações digitais em qualquer lugar era algo ainda pouco comum, os pacotes de dados móveis eram curtos, e o Facebook, o Twitter (hoje X) e o Instagram estavam a dar os primeiros passos, vocacionados sobretudo para a partilha de conteúdos entre as nossas redes alargadas de amigos.

Na altura, ainda não havia uma consciência muito clara dos impactos que esta conectividade viria a provocar: menor capacidade de atenção, mecanismos de dopamina explorados pelas próprias plataformas, dependência dos ecrãs, efeitos negativos na saúde mental, algoritmização da informação, a proliferação de desinformação, a influência em actos eleitorais, ascensão de populismos, concentração de poder nas mãos de um punhado de grandes tecnológicas, disrupção do modelo de negócio do jornalismo, cada vez mais dependente destas plataformas para chegar ao público.

Foi para pensar na tecnologia e nos seus impactos que o Shifter se reposicionou em 2020. Deixou de falar do último lançamento do iPhone ou da nova funcionalidade do Instagram, para começar a pensar criticamente e com tempo sobre o mundo em digitalização. Passou a criar debates e a lançar perspectivas amplas sobre temas que na altura eram – e ainda hoje o são – pouco explorados nos principais órgãos de comunicação social, abrindo espaço para jornalistas e não jornalistas escreverem ensaios, análises e crónicas, e explorarem assuntos com profundidade. No fundo, tornou-se o sítio de eleição para quem quer saber mais sobre o mundo que nos rodeia, um mundo que precisa de falar sobre os efeitos da evolução tecnológica na sociedade, na economia e na cultura, ou sobre os direitos humanos e as ameaças que estes enfrentam, muitas vezes à boleia da tecnologia – e não só.

“O Shifter é uma revista de reflexão e crítica que pensa os grandes temas da contemporaneidade. Claro que isto é um desafio demasiado grande para aquilo que nós conseguimos fazer, mas é a proposta que vai guiando aquilo que é a nossa linha editorial”, explica Carolina Franco. É directora do Shifter e, juntamente com João Gabriel Ribeiro, editora da publicação. Jornalista profissional, Carolina tem escrito ao longo dos anos sobre cultura, juventude e internet, e pensado muito sobre questões de literacia mediática e representatividade nos media. Já João, ensaísta, é uma pessoa movida a curiosidade e um autodidata por natureza, habituado a explorar os mais diversos temas, da tecnologia à filosofia, e a encontrar relações relevantes entre eles. As funções e tarefas de ambos fundem-se numa publicação de pequena escala que, não só por isso, foge aos padrões habituais dos órgãos de comunicação social.

O Shifter é uma revista quadrimestral que pensa os grandes temas do presente e do futuro, através de ensaios, reportagens, entrevistas e outros textos aprofundados (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

Carolina e João têm o desafio diário de editar uma revista num mundo que parece cada vez mais polarizado pelas pessoas e, sobretudo, pelos algoritmos. Enquanto revista independente, mas “altamente subfinanciada, feita com muito sacrifício e abnegação”, os recursos são escassos, mas a responsabilidade é enorme. E a dedicação é ainda maior. “A tecnologia está no ADN do Shifter desde que o projecto surgiu. Mas a forma como o Shifter foi olhando para a tecnologia é que se foi metamorfoseando e adaptando aos desafios dos tempos”, explica Carolina Franco. “Para nós, hoje, pensar a linha editorial do Shifter é pensar como é que a tecnologia está na nossa vida, como é que a nossa relação com a cultura, a política, a economia, a identidade… é mediada pela tecnologia e pela internet, sendo nós somos parte de uma geração que se formou também numa relação mediada pela tecnologia e internet.”

Os artigos que o Shifter publica são na sua maioria originais – resultado de uma comunidade de colaboradores com diferentes proveniências, que ajudam a manter uma editoria plural, participativa e com propriedade sobre os diversos temas tratados. Mas há também espaço para a publicação de excertos de livros e traduções internacionais, o que permite ao Shifter ter um pé em Lisboa e outro no mundo.

O trabalho de Carolina e João passa, sobretudo, por ter os olhos bem abertos, ao que se passa cá dentro e lá fora. E definir, mês a mês, um calendário editorial que espelhe o caminho que o Shifter quer seguir.  “Para nós é importante pensar, por um lado, nos temas que estão a ser falados, mas que, ao estarem a ser falados, continuam a ter muitas linhas que estão a ficar fora da conversa. E, por outro, nos assuntos que não estão a ser falados e que nós achamos que mereciam uma outra atenção ou um outro destaque. E cada vez mais, em muitos destes temas, vamos falar sobre tecnologia”, nota Carolina. “Ao refletirmos sobre as mudanças da sociedade, estamos mais directa ou mais indiretamente a reflectir sobre tecnologia. Esta ideia de isolar a tecnologia como uma coisa única é muito recente”, diz João.

Não há dúvidas de que a tecnologia é um dos principais eixos programáticos do Shifter, mas isso não faz do Shifter uma revista sobre tecnologia. O tema atravessa hoje praticamente todas as dimensões da vida contemporânea e também o online e offline do Shifter. As revistas publicadas ao longo destes seis anos, juntamente com a edição online contínua, provam a amplitude do trabalho desenvolvido pelo Shifter, e como a tecnologia encaixa de forma natural e transversal na linha editorial. Desde uma edição dedicada à deficiência e neurodiversidade, uma revista sobre o lado político, social e antropológico da comida; outra que analisa uma desordem mundial enquanto condição política, estética e emocional de um presente marcado por guerras, crises e disputas; ou uma revista que convida a enterrar uma certa visão pré-concebida da internet e do papel que ocupa nas nossas vidas. No portefólio, encontramos também uma revista sobre Inteligência Artificial, mas já lá iremos.

Os debates sobre IA são “extremamente polarizados”

“A tecnologia está sempre presente”, sintetiza João. “Seja no dating, no trabalho, na forma de comer, tudo isto é mediado por tecnologia. Pode ser de forma mais ou menos óbvia, mas tudo isso é tecnologia. Por absurdo, a revista de comida fala sobre restaurantes chineses, mas se calhar não havia tantos restaurantes chineses se não houvesse aviões que trouxessem as pessoas para cá em determinado momento. Portanto, todas essas coisas são mediadas por tecnologia, embora nem sempre pareça.”

O acompanhamento tecnológico feito pelo Shifter destaca-se no panorama mediático português, marcado por um certo “deslumbramento”, como aponta Carolina. “O smartphone marcou o nosso crescimento e a nossa relação com a tecnologia. Mas essa relação não é neutra e é importante pensar nela criticamente, não é? É importante nós pensarmos sobre o que está para lá desses objectos e desses lançamentos, e que estruturas de poder é que existem na tecnologia”, diz Carolina, referindo-se ao facto de muito do noticiário sobre tecnologia continuar centrado em  lançamentos de gadgets ou apps, sem existir um espírito crítico por detrás. “Embora haja algumas posições mais críticas da tecnologia, muitas vezes também são sem a nuance e a profundidade devidas. Vão do 8 ao 80, não é? Ou a Inteligência Artificial vai salvar-nos ou vai destruir toda a humanidade. Não há propriamente o rigor e a nuance que nós tentamos dar ao nosso trabalho”, completa João.

“O Shifter já dava atenção à Inteligência Artificial muito antes do ChatGPT” (fotografia de Bárbara Monteiro/LPP)

Também a Inteligência Artificial se tornou um tema transversal na contemporaneidade e no Shifter. “O Shifter já dava atenção à Inteligência Artificial muito antes do ChatGPT. Sempre tivemos essa intuição de que ia ser uma das grandes forças transformadoras do nosso tempo, mais do que um novo iPhone ou da tendência dos telefones que se dobram”, aponta João Gabriel Ribeiro, co-editor do Shifter.

O espaço que o Shifter procurou ocupar neste tema foi o mesmo que noutros temas: trazer profundidade à discussão. “Aquilo que vemos nos debates em torno da IA é extremamente polarizado. São umas pessoas que dizem que nunca vão usar e que falam como se fosse uma tecnologia demoníaca, e outras que falam como se fosse espectacular e a melhor coisa de sempre. Achámos que podíamos ter este papel de mediar uma discussão séria, rigorosa, profunda, plural, sobre um tema que normalmente é tão polarizador e gera discussões tão superficiais.”

Além de um ensaio de João Gabriel Ribeiro lançado em 2021 (esgotado em formato físico mas disponível em e-book), de uma revista dedicada ao tema em 2023 e de vários trabalhos publicados online, o Shifter tem feito workshops, dinamizado ciclos de conversas e moderado debates sobre IA em diferentes pontos do país. “Ao longo dessa experiência fomos percebendo a importância de levar estes temas para espaços de debate que não sejam condicionados pelos algoritmos. Portanto, a conferência surgiu de uma forma bastante natural”, diz João. A Inferência nasce também porque, no último ano, o Shifter ganhou um par de mãos extra: o Marco Brandão, que se tornou responsável pela comunicação do Shifter e, agora, pela produção e concretização desta conferência, permitiu ao projecto aventurar-se num formato de maior envergadura.

Inferência: dois dias de discussão e um livro para o futuro

Nos dias 26 e 27 de Setembro, o espaço Unicorn Stage, localizado ao lado da Casa Capitão, no Beato Innovation District, vai receber a primeira edição do Inferência – um novo encontro organizado pelo Shifter dedicado à relação entre Inteligência Artificial (IA), jornalismo e direitos de autor. Ao longo de dois dias, a Inferência propõe pensar as transformações que a Inteligência Artificial está a provocar no ecossistema da informação. A programação é composta por debates, palestras, entrevistas ao vivo e dois workshops, mas há espaço na agenda também para uma assembleia de jornalistas, uma discussão entre deputados e… uma festa.

Cartaz da conferência Inferência (DR)

“Esperamos que seja uma conferência plural com várias pessoas e perspectivas diferentes sobre Inteligência Artificial, e que haja espaço para esse debate sem ser rapidamente resumido a rótulos. Convidámos pessoas de diferentes áreas profissionais e de especialização e de diferentes quadrantes políticos, e também pessoas que não estão tão ligadas à IA, como investigadores das ciências sociais. Queremos que possam estar na mesma mesa que pessoas mais ligadas à IA”, explica. “Não queremos que seja só uma conferência sobre Inteligência Artificial, jornalismo e direitos de autor, mas uma conferência ampla sobre o mundo em que vivemos, porque, como temos visto nos últimos anos, a informação tem esse poder também de moldar comportamentos e decidir resultados de eleições.”

Que consequências pode ter a crescente intermediação da informação por sistemas de IA para a democracia? Quem paga pelos dados utilizados para treinar modelos de IA? Que impacto terão estas tecnologias nas redacções e no trabalho dos jornalistas? Que políticas são necessárias para garantir a sustentabilidade do jornalismo? Estas são algumas das questões que vão atravessar o programa da Inferência.

Entre os participantes já confirmados estão Ana Marta M. Flores (investigadora no iNOVA Media Lab), Daniel Moura Borges (deputado do BE), Diogo Matos (jornalista do ZeroZero), Eduardo Santos (Knowledge Rights), Flávia Brito (jornalista da RTP), Flávio Nunes (jornalista do ECO), G. C. Viegas (jornalista do Fumaça), Gonçalo Almeida (jornalista do Expresso), Kenia Nunes (produtora & gestão de redes), Margarida Davim (jornalista da VISÃO), Maria João Faísca (advogada na CS’ Associados), Mariana Mortágua (economista e professora), Mário Figueiredo (investigador no Técnico), Marta G. Franco (Redes Nuestras), Nuno Artur Silva (autor e ex-Secretário de Estado), Paulo Lopes Silva (deputado do PS), Rúben Tiago Pereira (jornalista do Expresso), Salomé Leal (jornalista do Polígrafo), Vania Baldi (OberCom), Vilma Reis (jornalista da Coimbra Coolectiva), entre outros nomes a anunciar.

Além de três painéis de debate com especialistas nacionais, a programação integra duas palestras com “presenças internacionais para nos darem uma perspectiva como é que se olha para estas mudanças lá fora”, e duas entrevistas ao vivo “com pessoas que trabalham e pensam sobre estas grandes transformações”, explica João Gabriel Ribeiro.. Vai haver uma discussão entre partidos com representação parlamentar, para “os políticos também estarem presentes e podermos ouvir, do seu lado, como é que imaginam políticas para salvaguardar o jornalismo e combater a desinformação”, e ainda uma “uma assembleia de jornalistas e profissionais dos media, em que queremos ouvir as pessoas individualmente e em representação de alguns títulos para perceber como é que as diferentes redacções estão a tirar partido da IA ou não”.

Destacam-se ainda dois workshops, da autoria do Shifter: um sobre como pensar e usar criticamente a IA, com o João; outro como escrever para e sobre a internet, com a Carolina. Ambos os workshops vão ser certificados pelo Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), um dos parceiros do certame. A entrada, quer na conferência quer nos workshops, é gratuita, mediante reserva de bilhete. Os workshops vão requerer inscrições à parte, que vão abrir em breve. 

E como a vida não é sempre séria, no primeiro dia de Inferência está prevista uma festa no Terraço da Casa Capitão – um final de tarde com música e espaço para conhecer pessoas, conversar e, claro, dançar.

“Pensar em informação é pensar uma questão quase civilizacional”

Voltando à vida séria: as reflexões do Inferência não terminam no evento. O Shifter vai editar um pequeno livro em formato físico e digital que reunirá e prolongará algumas das ideias e contributos apresentados durante os dois dias, juntamente com participações de outros convidados. “Acreditamos que pode ser uma ferramenta útil não só para jornalistas, mas também para leitores e todos os que queiram pensar nestes temas”, explica Carolina Franco.

Na verdade, a Inferência não é uma conferência só para jornalistas. “A desinformação é um dos grandes problemas do nosso tempo. Acho que toda a gente já percebeu isso – até a nível político e nas grandes instituições”, diz João. “Pensar em informação é pensar uma questão quase civilizacional, uma questão que marca uma era, uma geração. Portanto, acho que toda a gente tem de estar – ou deve estar – interessada neste tema. As nossas conversas não são muito específicas. Vamos debater temas muito abertos como a democracia, como as políticas públicas para o jornalismo. São coisas que influenciam, impactam toda a gente e não só jornalistas ou as redacções”, acrescenta o co-editor do Shifter. 

“Nós queremos que as pessoas assumam uma postura mais proactiva. Vamos ter uma dinâmica no espaço da conferência para que as pessoas possam dar os seus contributos, porque o jornalismo é uma prática muito unidirecional na forma como é feita mas nós acreditamos que um dos segredos para o futuro do jornalismo – e precisamente para conseguirmos tirar partido da tecnologia – é fazê-la de forma mais colaborativa, mais bidirecional, mais aberta aos próprios leitores”, diz.

Há, no entanto, questões específicas para os profissionais do sector da comunicação social. ”Desde que se começou a questionar se a IA ia acabar com determinados empregos, os empregos que têm na base a escrita foram logo aqueles de que se começou a falar mais. E de repente já se dizia que a IA ia acabar com o jornalismo. Interessa-nos perceber quais é que são as ameaças, mas também quais é que são as potencialidades de uma tecnologia como esta dentro das redacções”, explica Carolina. “Ao mesmo tempo, também achamos importante reflectir sobre terminologias e sobre as dinâmicas que estão por trás das grandes empresas de desenvolvimento de Inteligência Artificial, sobretudo norte-americanas, porque sentimos que também é importante reflectir sobre a forma como se fala sobre estes assuntos na própria comunicação social.”

A Inferência vai contar com o apoio da Visapress, que financia parte do evento, do CENJOR, “que nos vai certificar os workshops”, da OberCom, “que vai estar presente num dos momentos do evento e também contribuir com um texto para o nosso guia”, e ainda do Institut-Français du Portugal e a Fundação Friedrich Ebert, “que vão promover a vinda a Portugal de uma pessoa de França e da Alemanha, respectivamente, o que nos permite dar a dimensão ao evento”. “Nós procurámos parceiros que pudessem complementar o evento, pudessem trazer algumas coisas que nos faziam falta, literalmente, e que pudessem também oferecer mais às pessoas”, destaca João.

“Para além disso, escolhemos o Unicorn Stage, porque é um espaço com muitas condições, bastante próximo da Casa Capitão – o que nos permite fazer uma festa num dos dias – e muito orientado para o futuro”, detalha ainda o responsável. Outro dos parceiros a destacar é a Well Read, uma livraria perto da Baixa lisboeta e que é o ponto de venda físico da revista do Shifter na cidade, e onde Carolina e João encontraram “um catálogo que está muito alinhado também com as referências que nós vamos trazendo para os nossos textos e ensaios”.

A primeira edição irá definir o futuro da Inferência. Reconhecendo ser um “meio com uma escala pequena, sem os recursos que pessoas com grandes financiamentos têm”, o Shifter promete, ainda assim, “uma coisa à grande e que possa ter consequências” – uma conferência que “seja o mais bem feita possível, para que os eventos de jornalismo como estes não tenham sempre a fama de que são coisas feitas sem ambição”.

Certo é que o nome Inferência permite uma continuidade, com o tema da Inteligência Artificial ou não. “Quando um modelo de IA está a pensar, chama-se ‘fazer inferência’, e pareceu-nos um nome bastante ajustado. Também é uma palavra que tem múltiplos significados e, portanto, acho que se permite afastar destes temas, embora como nós vamos dizendo, a Inteligência Artificial veio para ficar e, seja em que forma for, acho que a inferência vai estar cada vez mais presente nas nossas vidas. esmo que falemos de outras coisas, a IA pode ser sempre um substrato, digamos assim, subjacente a tudo isto”, conclui João Gabriel Ribeiro.

Além da Inferência, o Shifter vai continuar a publicar, todas as semanas, textos com profundidade no site, bem como a lançar três revistas por ano. E realizar outros eventos como conversas e workshops, promovendo a reflexão sobre os grandes temas dos nossos dias pelo país. “Lisboa dá acesso a muito mais oportunidades de fazer coisas, que se calhar noutros sítios não teríamos, pelo menos com a mesma frequência. Mas achamos que este tipo de oportunidades não se deve cingir apenas a Lisboa e por isso é que nos é tão caro continuarmos a levar o Shifter a outros lugares, sobretudo através dos nossos workshops”, refere Carolina Franco. 


Nota de transparência: o Mário Rui André foi co-fundador do Shifter e esteve envolvido nos primeiros anos do projecto, colaborando ainda esporadicamente com o mesmo. O Shifter e o LPP pertencem à mesma empresa, a Shifter Generation, com gerência partilhada entre o Mário Rui André e o João Gabriel Ribeiro. Apesar de “partilharem casa” e haver uma partilha de recursos, o Shifter e o LPP são geridos de forma independente. O Shifter é actualmente um projecto “comandado” pelo João Gabriel Ribeiro e Carolina Franco.

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