Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária lança campanha por ruas limitadas a 30km/h

Fotografia cortesia de Américo Simas Coelho/CML

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) iniciou esta segunda-feira, início da Semana Mundial da Segurança Rodoviária, uma campanha em Lisboa com o objectivo de “sensibilizar e envolver os cidadãos para a importância e os benefícios de se redesenharem e adaptarem as ruas urbanas para que os limites de velocidade sejam de 30km/h”.

A campanha, intitulada Compromisso 30 – Ruas Com Vida, consistirá em 14 acções de sensibilização em vários locais da cidade de Lisboa até ao próximo domingo, dia 23 de Maio. Nesta segunda-feira, dia 17, a ANSR marcou presença na Ribeira das Naus, mas também em Sete Rios, tendo alertado condutores para a importância de reduzirem a velocidade a que circulam, em particular nas zonas com presença de peões, mas também o cuidado que os peões devem ter de forma a salvaguardarem que são vistos pelos condutores.

Fotografia cortesia de Américo Simas Coelho/CML

O limite de 30 km/h é tido como o mais seguro em ambiente urbano. Em caso de colisão de um veículo com um peão, a sobrevivência deste é de 90% à velocidade de 30 km/h, de acordo com dados do European Safety Council (ETSC), cotados pela ANSR. O actual limite urbano é de 50 km/h, o que leva a que perante um sinistro semelhante a probabilidade de o utilizador vulnerável falecer seja muito superior, de cerca de metade. Além disso, a 30 km/h a visibilidade do condutor de quem está na rua é maior do que a 50 km/h e o seu tempo de reacção é também maior, segundo compilou o município de Bruxelas neste site informativo.

A velocidade urbana de 30 km/h não só permite poupar vidas, mas também reduzir o ruído urbano e o consumo de combustível, uma vez que há menos aceleração e travagem. Ao mesmo tempo, circular a 30 km/h não significa mais congestionamento pois o limite de velocidade afecta todos os veículos; permite uma melhor coexistência com bicicletas, por exemplo; e também não faz as viagens demorarem mais tempo – dado que, apesar de um carro poder acelerar numa determinada rua, é obrigado a abrandar para parar num semáforo, numa intersecção ou porque alguém está à procura de um lugar de estacionamento.

​A campanha da ANSR realiza-se em parceria com a Câmara de Lisboa, a Polícia Municipal e ainda a Carris, e insere-se na sexta edição da Semana Mundial da Segurança Rodoviária, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) baptizada, este ano, com a hashtag #love30 e dedicada ao tema do limite urbano de 30 km/h. Qualquer cidadão pode assinar a carta da campanha da ANSR, Compromisso 30 – Ruas Com Vida, através deste link.

Segundo dados da ANSR, em 2020, registaram-se 3 528 atropelamentos, que provocaram 59 mortes, 290 feridos graves e 3 441 feridos ligeiros. Lisboa manteve-se como o distrito com maior sinistralidade rodoviária, tendo registado 12 óbitos. “A velocidade a que os veículos circulam é especialmente determinante para a gravidade das lesões dos utentes vulneráveis, como os peões e os ciclistas”, refere a ANSR num comunicado enviado às redacções.

Bruxelas, capital belga, começou 2021 a abrandar praticamente toda a sua cidade, juntando-se a cidades como Helsínquia, na Finlândia, Zurique, na Suíça, Granobra, em França, ou ainda Valência ou Bilbau, em Espanha. Espanha, aliás, determinou recentemente que 30 km/h passará a ser a norma nas ruas urbanas, mantendo-se o limite de 50 km/h apenas nas avenidas distribuidoras, isto é, naquelas artérias com duas ou mais vias em cada sentido. Esta alteração significará que 70% dos arruamentos espanhóis passarão a estar limitados a 30 km/h. Em Portugal, o limite urbano continua a ser de 50 km/h, mas cidades como Lisboa têm reduzido a velocidade no interior dos bairros para 30 km/h através de medidas físicas de acalmia de tráfego como a introdução de barreiras ou o estreitamento de vias.