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Sensores distribuídos. Cinco dezenas de ciclistas vão andar a medir a poluição atmosférica

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

Cinco dezenas de ciclistas urbanos da cidade de Lisboa vão ajudar a monitorizar a poluição do ar de Lisboa. O projecto chama-se Open Seneca, foi desenvolvido por uma equipa de investigadores do Reino Unido, e está a ser lançado na capital portuguesa juntamente com a capital sueca, Estocolmo. O grande intuito é aproximar os cidadãos da cidade.

O Open Seneca consiste, para já, num pequeno dispositivo de monitorização da poluição do ar, da temperatura e da humidade que pode ser encaixado em qualquer bicicleta. O dispositivo é capaz de ler os diferentes indicadores e de armazenar esses dados internamente num pequeno cartão microSD, mas, quando emparelhado com a app da Open Seneca no telemóvel, pode enviar a informação recolhida para uma nuvem centralizada.

No caso de Lisboa, os dados de poluição, temperatura e humidade vão ser estar acessíveis ao público – e de forma anónima, claro – através da plataforma Lisboa Aberta, complementando a informação recolhida pelos sensores fixos da autarquia e que se encontram espalhados pela cidade. Neste projecto da Open Seneca, que junta a equipa britânica, o FabLab Lisboa e a Câmara Municipal, estão a participar cerca de 50 ciclistas, que se voluntariaram através de uma folha de inscrição e que foram seleccionados com base em alguns critérios como a periodicidade com que circulam de bicicleta e as zonas por onde pedalam – um dos esforços de quem seleccionou os candidatos foi ter pessoas que cobrissem diferentes partes da cidade.

Os participantes receberam os dispositivos Open Seneca num encontro informal na última sexta-feira à tarde, em Entrecampos. Antes os voluntários participaram num workshop onde aprenderam a mexer no aparelho e onde tiveram também oportunidade de o montar. Só não o levaram logo consigo porque os sensores estiveram a ser calibrados, precisamente na estação fixa de monitorização de Entrecampos – mesmo ali ao lado.

Cada pessoa poderá participar neste projecto durante pelo menos seis meses, mas se se ausentar de Lisboa por um período prolongado deverá devolver o dispositivo para dar lugar a outra pessoa em lista de espera. O Lisboa Para Pessoas conversou com alguns dos voluntários. Um deles, Tiago, disse-nos que já tinha tido a ideia de criar um sensor deste tipo através da plataforma e da tecnologia Arduino, mas que depois teve conhecimento do Open Seneca e inscreveu-se de imediato. Já Gonçalo espera levar os sensores para perto das escolas de forma a monitorizar a poluição que se acumula nesses locais, às entradas e saídas das aulas, devido à acumulação de veículos; diz querer esses dados para sensibilizar pais, educadores e directores dos agrupamentos escolares para esse problema invisível.