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A comunidade juntou-se para plantar na horta… e foi bonita a festa, pá!

Na Horta do Alto da Eira, todos semeiam e todos colhem.

Fotografia de Mário Rui André/Lisboa Para Pessoas

Uma horta que é de todas as pessoas e onde todas as pessoas podem semear, colher e também, claro, brincar. É assim a dinâmica da Horta do Alto da Eira, na Penha de França. Aqui não há talhões individuais – a horta é mesmo comunitária, é mesmo de todas as pessoas. O projecto está a ser dinamizado pela associação Regador com o apoio logístico da Junta de Freguesia da Penha de França e financiamento do programa BIP/ZIP.

A Horta do Alto da Eira começou a ser criada em Dezembro. O primeiro passo foi reunir a comunidade interessada, incluindo moradores locais, e fazer uma apresentação geral do projecto. Desde então, têm sido promovidos encontros à base semanal – anunciados tanto nas redes sociais do Regador, como num placard instalado à entrada da horta. Em comunidade, sábado após sábado, a Horta do Alto da Eira foi ganhando forma.

Um dos primeiros passos foi limpar e tentar nivelar o terreno, criando socalcos para que a futura horta se pudesse desenvolver em altura. Foi criada uma pequena casinha em madeira para arrumar os materiais e desenvolvido um workshop de fabrico de telhas em barro para que essa casinha – baptizada entretanto de “Casa da Horta” – ganhasse um telhado. E foram plantadas uma dezena de árvores de fruto (“medronhos, maçãs, peras, nêsperas…”) e mais de 60 arbustos silvestres “que nos vão dar amoras, framboesas, morangos…”, diz-nos Maria Freitas, uma das responsáveis da associação Regador. “As videiras ali ainda estão tímidas mas a ideia é que abracem estas ramadas”, acrescenta, apontando para um conjunto de estruturas de madeira onde se espera que no futuro exista uma vinha sumarenta para comer ou beber.

Tudo o que se planta nesta horta é de todos – poderá ser colhido pelas pessoas que se quiserem envolver no projecto. No dia 7 de Maio, deu-se a Festa do Plantio. O Regador lançou o convite, trouxe as plantas, cervejas e convidou dois músicos amigos da associação: Catherine Morisseau deu-nos música de piano e Daniel Neto algum jazz, animando uma tarde que se revelou bastante quente (temperaturas de 30º). Toalhas de piquenique foram estendidas e, durante a tarde, famílias inteiras instalaram-se ali a ouvir a música e a conviver. Crianças corriam de um lado para o outro. Conversas desenvolviam-se ao sabor de uma cerveja fresca.

A Horta do Alto da Eira é mais que uma horta – “é um espaço de encontro, um espaço social, onde muita coisa pode acontecer”. Já aqui decorreram conversas e debates e, para este mês de Junho, estão previstos alguns arraiais “para descentralizar um bocadinho os Santos Populares” dos bairros mais tradicionais, conta-nos Maria. “A terra une-nos.” A Festa do Plantio foi, acima de tudo, uma festa – mas também se trabalhou. Muitos foram os que quiseram meter as mãos na terra para plantar uma alface, couve portuguesa, beringela ou o feijão verde. “Isto agora cresce num instante. É preciso é regar”, atira um dos participantes. A rega cabe a todos também – afinal de contas, esta é uma horta verdadeiramente comunitária.

A Horta do Alto da Eira tem atraído muitas famílias de fora, mas também algumas pessoas do bairro. Nem sempre corre tudo bem, mas os problemas acabam por se resolver de uma forma ou de outra. Está a ser “tudo feito do zero”, salienta Maria, lembrando que em Dezembro aquele era um terreno sem nada, só com mato. Foi deixado um pouco desse prado natural pré-existente para preservar a memória do baldio.

O Regador diz que já está à procura de novas oportunidades de financiamento para que o projecto da Horta do Alto da Eira possa continuar para lá do BIP/ZIP a que se candidataram. E têm planos para esse eventual futuro, como criar um moinho de vento que possa automatizar a rega da horta. Por agora, ainda há muito a fazer. Depois das festas dos Santos Populares, ainda será organizado um cine-concerto aqui na Horta e haverá, claro, uma Festa da Colheita. Se tiveres interesse em acompanhar este projecto, o melhor será seguir a associação Regador no Facebook e no Instagram.