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Arrancaram as obras do Metro em Santos com grandes alterações à mobilidade na 24 de Julho

Linha de Cascais vai ser desviada, linha dos eléctricos da Carris também, e haverá um momento em que um troço da avenida estará cortada ao trânsito rodoviário. Mobilidade pedonal e ciclável também vão ser afectadas, mas estão garantidas. E há árvores que serão removidas.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

Um pequeno troço da Avenida 24 de Julho na zona de Santos vai ficar irreconhecível durante vários meses devido às obras de expansão do Metro de Lisboa. Os trabalhos do Lote 2 da empreitada da Linha Circular – correspondente à construção da estação de Santos e do túnel entre essa estação e o Cais do Sodré – já arrancaram e, por agora, há pequenos desvios na mobilidade pedonal e ciclável na Avenida 24 de Julho, mas as interferências da obra no local serão significativas. Até a Linha de Cascais vai ser desviada.

As interferências da empreitada na vida normal da Avenida 24 de Julho serão resolvidas considerando três fases temporais (divididas em várias sub-fases) de desvios de trânsito, com diferentes soluções para cada uma. Além da 24 de Julho, também serão afectadas a Avenida D. Carlos I, a Rua D. Luís I, a Calçada Ribeiro Santos e toda a envolvente de Santos junto ao Largo Vitorino Damásio. Dada a importância de todas essas ligações rodoviárias, pedonais e cicláveis, a obra e os desvios foram planeados no sentido de haver o mínimo de vias suprimidas, de serem mantidos ao máximo os esquemas de sinalização horizontal, vertical e luminosa existentes, e de serem mantidos os percursos pedonais e cicláveis, e de não haver supressão de carreiras de eléctrico da Carris.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

Assim, e de acordo com a documentação de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) relativa a este Lote 2 da empreitada da Linha Circular, estes serão os condicionamentos:

  • vai ser feita uma ligação das linhas dos eléctricos da Carris no cruzamento rodoviário entre a Avenida 24 de Julho e a Calçada Ribeiro Santos (ao lado do Jardim de Santos). Esta ligação – conhecida como o “X” da Carris – permitirá desviar a carreira 25E da Avenida D. Carlos I para a Avenida 24 de Julho;
  • será feito um desvio da Linha ferroviária de Cascais e da linha dos eléctricos da Carris (a da carreira 15E, entre outras) para a zona rodoviária da Avenida 24 de Julho;
  • numa fase inicial, o troço da Avenida 24 de Julho afectado pela obra será integralmente cortado ao trânsito rodoviário, sendo o mesmo desviado para ruas paralelas e perpendiculares, que serão ajustadas para receberem esse trânsito. Posteriormente, será reposta a circulação na 24 de Julho com uma via em cada sentido na zona da obra;
  • a circulação pedonal e ciclável na zona do passeio largo da Avenida 24 de Julho será mantida, ainda que com condicionamentos.
Numa primeira fase, o trânsito na 24 de Julho será desviado totalmente (imagem via AIA/ML)
Numa fase posterior, o trânsito será reposto e as linhas do eléctrico e comboio serão desviadas (imagem via AIA/ML)
O “X” da Carris previsto ao lado do Largo de Santos (imagem via AIA/ML)
O desvio das linhas do comboio e do eléctrico 15 (imagem via AIA/ML)

Os desvios e alterações na Avenida 24 de Julho devem-se à execução do novo túnel do Metro, entre a futura estação de Santos, que ficará mais acima, na Avenida Carlos I, e a estação do Cais do Sodré. Esse túnel será construído com duas técnicas:

  1. primeiro, entre a futura estação e o atravessamento da Rua da Esperança, o túnel será escavado e sustentado no subsolo com o método NATM (sigla em inglês para “Novo Método Austríaco de Tunelamento”), que também tem sido usado para a execução do túnel no Lote 1 (correspondente à ligação entre o Rato e Santos, passando pela Estrela);
  2. depois, entre esse atravessamento e o término do túnel da estação do Cais do Sodré, a obra será feita a céu aberto, com a abertura de uma trincheira, razão pela qual existirão todos os condicionamentos na 24 de Julho e envolvente. A técnica será Cut&Cover, permitindo a execução faseada do túnel.

A empreitada implicará a remoção de algumas árvores, alterações na zona do passeio da 24 de Julho e o corte de uma parte do separador central da avenida. Todas estas estruturas serão repostas tal como estavam após a conclusão da obra. Os desvios já começaram a ser preparados no local com obras no passeio e marcações várias para permitir os futuros desvios rodoviários. Por agora, foram assinalados dois desvios para os tráfegos pedonal e ciclável, devidamente separados um do outro.

O Presidente do Metro de Lisboa, Vítor Domingues dos Santos, avisou na cerimónia de início da empreitada do Lote 2 que esta seria a obra mais exigente ao “obrigar a novos horários, percursos e hábitos”. A inauguração da Linha Circular está prevista para 2024 – tinha sido anunciada a abertura no 1º trimestre de 2024, mas a informação afixada no estaleiro do Lote 2 em Santos aponta o 2º trimestre desse ano. Certo é que as primeiras previsões apontaram para a conclusão de todas as empreitadas relacionadas com a Linha Circular para o final de 2023, início de 2024.

A futura estação de Santos ficará localizada junto ao antigo edifício do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. A estação Santos terá acessos na Travessa do Pasteleiro e na Avenida D. Carlos I, mais concretamente na zona do Largo da Esperança, que será totalmente renovado. O acesso principal ficará no Largo da Esperança, integrando o elevador dos bombeiros. Existirá também um acesso ao Bairro da Madragoa por elevador. Na actual estação do Cais do Sodré será criado um novo átrio poente com novos acessos: um exterior na zona do Mercado da Ribeira, e outro com ligação à Linha de Cascais.

A nova linha de Metro na zona de Santos (imagem via AIA/ML)
A nova estação de Santos (imagem via AIA/ML)
Perfil da nova estação de Santos (imagem via AIA/ML)
O novo átrio da estação de Cais do Sodré na zona do comboio (imagem via AIA/ML)