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A Voz dos Bairros: um jornal comunitário para contar histórias de Marvila

A Voz dos Bairros é “a voz do povo” dos bairros dos Alfinetes, Salgados, Marquês de Abrantes e Quinta do Chalé, todos em Marvila — um jornal comunitário, feito pela comunidade e para a comunidade.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

Chama-se A Voz dos Bairros e procura ser isso mesmo: a voz dos bairros dos Alfinetes, Salgados, Marquês de Abrantes e Quinta do Chalé, todos em Marvila — um jornal comunitário, feito pela comunidade e para a comunidade. O lançamento foi feito nesta quinta-feira, 29 de Setembro; moradores e amigos de fora do bairro puderam conhecer o número um deste jornal, cujo futuro é e será sempre incerto: dependerá da vontade das pessoas e, claro, também da existência de financiamento.

A história do jornal começa no Rés do Chão. O espaço térreo que esta associação de “regeneração urbana” ocupa na Rua Luís de Sttau Monteiro, em Marvila, foi no início de 2021, por força da pandemia, reconvertido. A Rés do Chão, que tinha aquele lugar para desenvolver as suas actividades, cedeu uma parte à comunidade – com uma população pouco à vontade com a tecnologia e, parte dela, sem internet em casa, havia necessidade de criar um posto de atendimento e conexão, para ajudar no que fosse preciso. Assim nasceu – primeiro de modo informal e depois mais formal – uma loja comunitária.

Com o apoio da Junta de Freguesia, da Santa Casa da Misericórdia e do programa Bairros Saudáveis, a loja comunitária mantém-se até hoje. Está aberta de segunda a sexta, de manhã ou de tarde, dependendo do dia, e há sempre alguém disponível – um(a) “facilitador(a) comunitário/a” para atender os moradores dos bairros. Recebem entre 30 a 40 pessoas por semana, ajudando com marcações no Centro de Saúde, pedidos junto da Segurança Social, questões no Portal das Finanças ou até mesmo na elaboração de currículos. Mas ao longo do tempo, a loja foi tornando-se um ponto de encontro e ganhando “funcionalidades”.

Ali, quem quiser, pode consultar o projecto do futuro Parque Urbano da Quinta do Marquês de Abrantes e saber exactamente o que está planeado, ou então ver o Semáforo, um mapa feito à mão que a população local vindo a construir ao longo do tempo e que mostra as lacunas da freguesia. A loja é ainda a casa do 4Crescente, o grupo comunitário que acolhe e dá estrutura a todas estas dinâmicas sociais. Constituído por pessoas dos quatro bairros já referidos – Alfinetes, Salgados, Marquês de Abrantes e Quinta do Chalé –, o grupo conta com uma série de parcerias na zona, como a Biblioteca Municipal de Marvila, a Junta de Freguesia, a PSP, o agrupamento de escolas de Marvila, associações de moradores, grupos culturais e desportivos, a empresa municipal de habitação Gebalis, a própria Rés do Chão, entre outras entidades.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

O jornal A Voz dos Bairros é assim mais uma iniciativa entre as muitas que têm sido dinamizadas pelo 4Crescente e, como as outras iniciativas comunitárias, foi desenvolvido em comunidade. O nome foi decidido por todos e todos participaram também na elaboração dos conteúdos. Editado em papel, com uma tiragem de 200 exemplares e distribuição gratuita, A Voz dos Bairros pretende ser o veículo de comunicação de um grupo de pessoas e entidades com vontade de melhorar a vida dos seus bairros. O número um tem apenas oito páginas mas são suficientes para relatar o 4Crescente tem andado a fazer. 

Há uma crónica de um morador, uma notícia sobre os canteiros floridos que moradores criaram e mantém junto à linha de comboio, um destaque sobre o projecto Sê Bairrista, que procura envolver a população na transformação do seu espaço público, uma entrevista com as duas “facilitadoras comunitárias” da loja e ainda informação sobre o projecto Semáforo.

Ernestina Spínola, ou Tina como é mais conhecida entre os vizinhos e vizinhas, foi a primeira “facilitadora comunitária” da loja e a quem foi incumbida a missão de apresentar o jornal. “Este projecto foi realizado pelo nosso grupo comunitário e é a voz do povo. Foi muito batalhado, muito estudado. Todos os pormenores. Os nossos bairro precisa de mais coisas, apesar de já temos muitos projectos concretizados e outros por concretizar.” Tina está de saída da “por causa do meu problema de saúde” e está a ser substituída na loja pela vizinha Rossana, que estava desempregada e para quem ser “facilitadora comunitária” e ajudar as pessoas tem sido mais que um trabalho, conforme conta ao jornal.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

O A Voz dos Bairros foi lançado no dia em que a loja comunitária foi reinaugurada. Obras feitas no espaço, com a ajuda dos vizinhos e um orçamento contido, permitiram dar-lhe um novo conforto e ao mesmo tempo separar melhor a parte de atendimento do espaço de trabalho do Rés do Chão. “Quando eu vim para aqui era um frio de rachar ou então um calor de matar, mas eu sobrevivi. E estou muito feliz por termos o nosso jornal e a loja renovada e a funcionar”, disse Tina. “A Rossana está aqui para me substituir. Mas quando for preciso, eu também venho aqui, dou uma ajuda. Estamos aqui para ajudar.”

Além da apresentação da nova loja e do jornal, foi também mostrado o novo site do 4Crescente, onde está a nascer uma plataforma local de partilha de recursos. A ideia é, por exemplo, se um vizinho tiver um berbequim que esteja disposto a partilhar, possa registá-lo no site e, assim, quem precisar de um berbequim, escusa de o ir comprar. A loja vai ajudar os menos literados digitalmente a fazer o registo nesta plataforma, onde também haverá um espaço de notícias curtas sobre o grupo comunitário e sobre os bairros.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

E porque o financiamento do programa Bairros Saudáveis não dura para sempre, o 4Crescente está a preparar um conjunto de formações para que mais moradores, em regime de voluntariado, possam ir rodando no atendimento da loja (por agora, tem sido possível ter uma “facilitadora comunitária” a receber a tempo parcial). O grupo 4Crescente reúne-se todos os meses, na 2ª quinta-feira de cada mês, para discutir os temas dos bairros dos dos Alfinetes, Salgados, Marquês de Abrantes e Quinta do Chalé, e da freguesia de Marvila. Quanto ao jornal, um segundo número está garantido, mas ainda não tem data de saída prevista.