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Automóvel, “a pé” e autocarro continuam a ser os modos mais usados para ir para a escola

Foram divulgados os resultados do inquérito anual Mãos Ao Ar!, realizado pela Câmara de Lisboa para traçar uma radiografia da mobilidade escolar na cidade. Em 2022, registou-se um aumento da quota modal do autocarro, mas também da bicicleta. Automóvel continua a ser rei.

Imagem de Lisboa Para Pessoas a partir de grafismo da CML

Anualmente, a Câmara de Lisboa promove um inquérito junto da comunidade escolar com o intuito de traçar um retrato de como as crianças e jovens se deslocam para a escola. O pequeno estudo – baptizado de Mãos Ao Ar! porque as respostas são obtidas com o levantar do braço na sala de aula – foi uma vez mais feito em 2022 e os resultados agora divulgados

Uma análise comparativa do relatório de 2022 com os do ano anterior deve ser sempre realizada com cautela, até porque as participações variam de inquérito para inquérito. No ano passado, das 231 escolas da cidade, participaram 158 (menos 21 que em 2021) – o que corresponde a cerca de 68% do universo escolar de Lisboa e de 50% da população escolar. A participação divide-se em 119 escolas públicas (75%) e 39 escolas privadas (25%).

Os resultados globais foram os seguintes:

Apesar dos programas de mobilidade que a autarquia tem vindo a lançar, como os Comboios de Bicicleta e mais recentemente o Amarelo, um projecto-piloto em que as crianças são acompanhadas em autocarros da Carris, a mobilidade escolar no panorama geral da cidade não se tem vindo a alterar. Note-se, no entanto, que esses programas têm ainda uma presença geográfica baixa na cidade e estão ainda numa fase inicial.

Relativamente aos resultados de 2022 face a anos anteriores, verificou-se ainda uma ligeira tendência de diminuição do uso do automóvel, que aparenta ter sido transferido, sobretudo, para o uso do autocarro que foi o modo que apresentou maior variação positiva. A utilização da bicicleta continua a denotar uma tendência de ligeiro crescimento, em contraste com o modo pedonal, que sofreu uma diminuição, com menos estudantes das escolas públicas a optar pela utilização deste modo. Os dados do Mãos Ao Ar! 2022, mostram um aumento da quota modal do autocarro de 14,1% para 17,2%, e da bicicleta de 1,5% para 1,7%.

Modo de transporteQuota 2022Quota 2021
Automóvel45,4%48,2%
Pedonal24,5%25,8%
Autocarro17,2%14,1%
Metro5,0%4,9%
Comboio2,0%2,2%
Bicicleta, trotineta, skate e patins1,7%1,5%
Transporte Escolar1,3%1,4%
Mota0,7%0,9%
Eléctrico0,4%0,4%
Outro0,9%0,6%

De qualquer modo, os dados obtidos este ano ajudam a validar os resultados de edições anteriores, uma vez que existem semelhanças e padrões que podem ser apontados de ano para ano. Por exemplo, a dependência do automóvel vai diminuindo com o aumento da idade dos alunos, é maior entre os alunos de escolas privadas e é apenas no ensino secundário que a utilização dos transportes públicos nas deslocações para a escola é superior à do carro.

O inquérito Mãos Ao Ar! é realizado nas salas de aula, junto das crianças e jovens; os professores pedem para levantarem a mão, indicando como vão para a escola habitualmente, apresentando como opções de resposta os diferentes modos de transporte. Entre 2019 e 2022, houve um total de 224 escolas a participar neste inquérito e, destas, 110 escolas participaram em todas as edições e houve seis a participar pela primeira vez neste inquérito em 2022. Em média, verificou-se, no ano passado, uma participação de 50% da população escolar de cada freguesia, sendo que Areeiro, Avenidas Novas, Belém, Benfica, Estrela Marvila e Santo António foram as freguesias com mais participação.

“Não estamos de todo satisfeitos. Temos todos nós muito trabalho pela frente. Um trabalho que temos de conseguir fazer em conjunto”, comentou a Vereadora da Educação, Sofia Athayde, na apresentação dos resultados deste inquérito, que decorreu nos Paços do Concelho. “Queremos tirar as crianças e jovens do mundo pequeno que é o carro e dar-lhes o mundo grande que é a cidade. Queremos que vivam as oportunidades que a cidade têm para ela.” Fernando Rosa, da Direcção Municipal de Mobilidade, salientou que “o automóvel é o padrão mais negativo” com que a autarquia tem de lidar e revelou que “tem um impacto no transito da cidade, já que cerca de 20% do transito de manhã é resultado das deslocações para a escola”. Rosa adiantou ainda que “a relação com o transporte publico saiu um pouco ferida com o impacto da pandemia” e que é agora que a “estamos a tentar fazer inverter”, mostrando-se optimista com medidas como a gratuitidade dos passes para os jovens estudantes.

A Câmara de Lisboa tem vindo a desenvolver algumas iniciativas para tentar mudar o paradigma da mobilidade escolar. O Amarelo é um deles. Trata-se de um projecto-piloto que está a ser desenvolvido em escolas nas freguesias dos Olivais e de Benfica, e que consiste no acompanhamento de viagens de autocarro para a escola por monitores adultos. “Queremos dar aos pais a confiança de deixarem as suas crianças na paragem de autocarro e que depois a viagem prossegue em segurança até à paragem da escola”, disse Carlos Miguel, da Carris, que está a desenvolver o Amarelo com a autarquia. O piloto conta com 73 inscritos e nove escolas participantes à data, e será avaliado para uma eventual continuidade no ano lectivo seguinte. Para já, até ao final do presente ano lectivo, a Carris e a autarquia querem alargar o Amarelo a mais uma escola, a EB 2,3 de Telheiras, na freguesia do Lumiar, e ainda a alunos dos jardins de infância nas freguesias referidas.

Fotografia de Lisboa Para Pessoas

Outra iniciativa em curso são os Comboios de Bicicleta, que permitem a alunos de várias escolas da cidade irem em grupo e de bicicleta para as aulas. Os Comboios são também “uma forma de resolver o congestionamento automóvel junto às escolas em hora de pico”, referiu André Dias, da Bicicultura, cooperativa que operacionaliza este programa em conjunto com a Câmara de Lisboa No ano lectivo 2021-22, participaram 11 escolas, número que cresceu para 15 no ano lectivo seguinte. “Neste ano lectivo, já vamos com 23 escolas a participar no programa. O nosso objectivo e o da Direcção Municipal da Mobilidade é continuarmos a crescer e temos lançado o desafio a novas escolas”, referiu André. “Estamos a preparar as crianças tanto para a utilização das infraestruturas exclusivamente cicláveis, como das infraestruturas que também têm direito a ocupar como ciclistas.”

A Câmara de Lisboa está agora a lançar um programa municipal de cicloficinas em escolas e também de aulas de condução de bicicleta dirigidas a crianças e jovens. Este projecto está a ser lançado pela associação Cicloda em conjunto com o município em seis escolas, três do 1º Ciclo e três dos restantes ciclos de ensino.

Ana Raimundo, Directora Municipal de Mobilidade, desafio o projecto Mãos Ao Ar! tornar-se um estudo de toda a área metropolitana de Lisboa, salientando que o inquérito já esta a ser realizado em Cascais. O relatório completo sobre 2022, com todos os dados, pode ser consultado na íntegra aqui em baixo. Podes consultar os dos anos anteriores nesta página.

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