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A quem interessa o Passe Ferroviário Nacional de 49 € na área metropolitana de Lisboa?

O Passe Ferroviário Nacional permite, desde Agosto, viajar em todos os comboios Regionais do país por 49 €/mês. Em breve, deverá passar a incluir os InterRegionais. Mas será que este passe, tal como está em vigor actualmente, serve quem se desloca para a área metropolitana de Lisboa?

Fotografia LPP

Em Agosto de 2023 foi colocado à venda, a 49 €, um passe válido para qualquer viagem ferroviária no território nacional, exclusivamente nos comboios de categoria Regional. Estes comboios, de classe única, prestam um serviço dimensionado para as curtas e médias distâncias, unindo localidades próximas entre si e estas aos principais centros urbanos ou até estações onde se acede à rede nacional de transportes. O serviço é relativamente eficiente, seja pelos horários, pelas frequências, pela acessibilidade ou pelos tempos de percurso.

Sem omitir o necessário debate sobre horários mais frequentes, sobre o conforto e as amenidades a bordo ou sobre os tempos de percurso do serviço Regional, tanto na amL (área metropolitana de Lisboa) como na restante rede ferroviária, nos últimos tempos tornava-se cada vez mais premente aprofundar a conquista que foi o passe social intermodal na amL, o Navegante, para simplificar o acesso ao transporte ferroviário de proximidade a todo o país. Porém, essa proximidade é sempre medida de um modo relativo e com muita parcimónia porque na realidade não alcança todo o território – com serviço ferroviário – pela política comercial da CP.

Quanto ao novo Passe Ferroviário Nacional, sendo este válido, para já, apenas no serviço Regional, os comboios que complementam a oferta regional em várias linhas, desde os Intercidades, aos InterRegionais e aos Urbanos, ficam de fora. Uma boa ressalva: no final de 2023, a Assembleia da República votou favoravelmente pela inclusão dos InterRegionais e de alguns Urbanos e Intercidades neste passe – aqueles que acabam por fazer um serviço mais regional que outra coisa – neste Passe. Em termos práticos, quando esta medida prevista no Orçamento de Estado avançar, o Passe Ferroviário Nacional vai tornar-se mais inclusivo e caem as barreiras que impediam a utilização plena do transporte ferroviário nas deslocações de âmbito regional na esmagadora maioria da geografia ferroviária.

Neste artigo, falamos do Passe Ferroviário Nacional tal como está em vigor: apenas para o serviço Regional. A quem pode interessar este passe?

Segmentar os comboios ou as tarifas

Por exemplo, tanto na linha da Beira Alta quanto na linha da Beira Baixa, o serviço comercial “Intercidades” encontra-se enquadrado com a oferta do tipo regional naqueles territórios, efetuando paragem nos locais de maior demanda.

A sul, nas linhas do Alentejo e do Sul, são os comboios “Intercidades” e “Alfa Pendular” que prestam este serviço de proximidade, sob a modalidade “segmentar as tarifas mas não os comboios”, o mesmo é dizer um modelo de sinergia em que a mesma composição tanto oferece lugares do serviço comercial de longo curso de Lisboa para Évora/Beja/Algarve, quanto disponibiliza lugares para o tráfego de proximidade em determinados trajetos.

A nível tarifário, é disponibilizada uma assinatura mensal de preço semelhante à dos comboios de natureza regional e também os bilhetes ocasionais têm um preço similar aos regionais para o mesmo percurso.

Todavia, o Passe Ferroviário é imune a essas borlas de sinergias e assume tudo baixo a mesma batuta: ao regional o que se chama Regional. Portanto, se constantemente te deslocas entre Évora, Cuba, Beja, Alvito, o vale do Sado e a amL, continua com a tua escolha modal e tarifária. O Passe Ferroviário Nacional não te traz vantagem. O mesmo não é dizer que procures pressionar e lutar para que haja um regime especial para o espaço onde habitas! E, também, mais horários de comboios.

E na amL, onde todas as categorias confluem?

Na amL, os serviços “Regionais” agrupam-se em dois eixos:

  • os “Tomarenses” que se destinam a Entroncamento/Tomar;
  • e o “Oeste”, coincidentes com as manchas de maior concentração populacional, mas com uma oferta distinta em ambos os cenários.

Vamos compreendê-los melhor, à luz da tabela horária que entrou em vigor em Dezembro de 2023 e do tarifário que entrou em vigor no início deste ano.

Entroncamento/Tomar: a linha do Norte

Este é um eixo há muito tempo atendido por unidades triplas elétricas com ambiência de transporte suburbano, cujos horários estão baseados num sistema cadenciado horário com terminal na estação de Lisboa Santa Apolónia. No Entroncamento, a 106 quilómetros de Lisboa, a maioria estabelece enlaces para Coimbra e, algumas vezes por dia, para os comboios das linhas da Beira Baixa e do Leste, todos de categoria “Regional”, ou seja, onde o novo passe ferroviário nacional também é válido. Aos fins-de-semana e feriados a oferta reduz-se, perdendo o cadenciamento horário, mas funcionando em rede com os enlaces acima indicados.

Serviço Regional entre Lisboa e Entroncamento/Tomar (grafismo via CP)

Até aqui tudo bem, salvo um par de (mínimas) nuances:

  • nos dias úteis, no período de ponta, a oferta é complementada por comboios da categoria “InterRegional” na qual os passes e as assinaturas mensais são válidas;
  • na amL, os “Tomarenses” sobrepõem-se integralmente à família “Azambuja” dos comboios “Urbanos” da CP.

Nestes dois casos, enquanto o novo passe não é admitido, existem alternativas que permitem combinar com outros passes. Veremos mais à frente como o fazer.

Oeste: é até à Figueira, é até Leiria, é até Caldas? é Regional, é Urbano ou InterRegional?

A linha do Oeste tem quase 200 quilómetros e serve todo o litoral do território nacional entre as estações do Cacém e da Figueira da Foz. O seu modelo de exploração comercial estabilizou no final da década de 90 do século passado, baseado numa oferta para norte das Caldas da Rainha e noutra para sul das Caldas da Rainha, a qual rebate nos comboios “Urbanos” da linha de Sintra.

Desde a abertura da autoestrada do Oeste têm vindo a ser ensaiadas múltiplas versões de comboios “Intercidades” e “InterRegionais” entre Lisboa, Cacém, Figueira da Foz e Coimbra, infelizmente todas de fraco sucesso por não ser atrativa para as longas distâncias nem por convencer para o transporte regional pelo reduzido número de paragens.

Serviços que operam na Linha do Oeste [a laranja, o Regional; a vermelho, os Urbanos; a azul, os InterRegionais] (grafismo via CP)

Subsiste a função primordial de tráfego local mas os comboios que efetuam este serviço dividem-se em três categorias: Regional, InterRegional e Urbano, o que impede a ampla utilização das vantagens do actual Passe Ferroviário Nacional na linha do Oeste, de um modo que se possa afirmar análogo ao do da linha do Norte.

Posto isto, por sentido, existem sete comboios “Regionais” diários entre as estações das Caldas da Rainha e de Meleças. Destes, dois continuam para Lisboa (Santa Apolónia), enquanto nos outros cinco comboios, para aceder a Lisboa, é necessário apanhar um comboio “Urbano” em Meleças e que serve todas as estações e apeadeiros da linha de Sintra até à estação central do Rossio.

Das Caldas da Rainha para norte, por sentido, existem três comboios “Regionais” para Leiria, dos quais um segue para a Figueira da Foz e outro para Coimbra-B e, na maior parte das vezes, a automotora que procede do lado sul continua para norte e vice-versa. A divisão de número de comboio nas Caldas da Rainha acautela aquelas situações técnicas de rotação de material circulante ou de reabastecimento obrigando, então, nesses casos, a mudança de composição.

Adicionalmente, mas sem por enquanto poder ser utilizado pelos portadores do actual Passe Ferroviário Nacional, das Caldas da Rainha para Coimbra existe uma oferta de três comboios “InterRegionais”, por sentido. No lado sul, isto é, entre Caldas da Rainha e Lisboa, existe um comboio por sentido do serviço “InterRegional”. Se no caso norte, a oferta InterRegional existe pela vantagem em se oferecer um conjunto de comboios em “marcha acelerada”, do lado sul trata-se uma recategorização recente de um comboio “Regional” e cujo efeito prático mais visível foi o aumento do custo do bilhete. Esta decisão, sem qualquer efeito prático na qualidade de serviço, consubstancia uma barreira à acessibilidade tarifária ao novo passe, mas também no bilhete ocasional: este comboio “InterRegional” continua para Coimbra-B com a categoria “Regional”, obrigando o passageiro que transponha as Caldas da Rainha a comprar dois bilhetes com a respetiva penalização tarifária.

Confuso? É só mais um pedacinho, que estamos quase a chegar à Figueira da Foz. Pode ser que ainda antes de lá chegar e de fazer contas a tantas modalidades de passes e tipos de comboios, haja novidades em relação à inclusão dos InterRegionais no novo passe ferroviário nacional e assim tornar tudo mais fácil e acessível.

Este troço mais a norte da linha do Oeste, encontra-se integrado no sistema de comboios Urbanos de Coimbra com um sistema tarifário próprio onde não é válido o novo passe ferroviário. Como o sistema comercial ferroviário tem tanto de rígido quanto de flexível, neste troço de comboios Urbanos existe o Regional das Caldas da Rainha para Coimbra-B (sai às 19h e volta às 05h) e o das Caldas da Rainha para a Figueira da Foz (sai às 14h e volta às 17h).

Posto tudo em cima da mesa, ou dentro da mala, ainda nos acompanhas nesta viagem atribulada na linha do Oeste?

Fora destas linhas e palavras, é bem mais simples na prática: salvo mui contada e honrada situação, enquanto o novo passe ferroviário nacional não permitir viagens nos InteRegionais, Urbanos de Lisboa e Urbanos de Coimbra, não te confere vantagem na linha do Oeste e, portanto, se comprares o novo passe ferroviário nacional para a linha do Oeste, certamente vais andar sempre a desembolsar trocos para os bilhetes! As atuais assinaturas de base quilométrica são mais vantajosas e caso faças viagens pela amL conjuga-as sempre com o passe social intermodal Navegante Metropolitano.

Fotografia LPP

Ainda assim, moro junto da linha do Oeste e quero aproveitar o passe ferroviário nacional. Consigo ser criativo/a?

Dada a criatividade deste modelo de exploração, um habitante de uma localidade servida pela linha do Oeste e que queira usar este Passe para vir a Lisboa tem de fazer pontaria aos dois únicos comboios “Regionais” que o fazem: ou o que chega a Lisboa pelas 15 horas ou o que chega às 21 horas. No sentido inverso, para sair de Lisboa, a escolha acontece sempre antes do almoço: ou às 5 horas ou às 11 horas. À semelhança de outros modelos tarifários, viajar fora de horas tem vantagens no preço do bilhete: mas tem cautela! Se chegares a Lisboa de graça, tens de regressar a pagar.

Por isso, para utilizar a linha do Oeste no troço dentro da amL, o passe Navegante Metropolitano possibilita mais escolhas. Por 40 €, tem-se acesso a toda a oferta (Urbanos, Regionais e InterRegionais) entre Lisboa, Meleças, Malveira e Jerumelo. Por mais 49 € tem-se acesso à restante linha do Oeste até à Figueira da Foz ou Coimbra, mas condicionado aos horários dos comboios “Regionais”.

Para utilização da linha do Oeste, exclusivamente fora da amL, existem 518 possíveis combinações de viagens a fazer para se usar o Passe Ferroviário Nacional, já descontando aquelas que foram excluídas por pertencer aos Urbanos de Coimbra. Das 518, excluem-se as 71 possibilidades inferiores a 49 € mensais, ou seja, existem 447 pares origem/destino cuja assinatura mensal tem um valor superior ao do Passe Ferroviário Nacional.

Quando consideramos o desconto jovem nas assinaturas mensais, passa a 413 pares origem/destino onde este Passe pode dar vantagem face às assinaturas mensais para jovens.  Porém, esse número sozinho não nos garante redução de preço, porque acima das Caldas da Rainha, os comboios InterRegionais constituem metade da oferta e acima de Leiria são a maioria da oferta.

Por exemplo, os dois seguintes casos dão conta da importância da inclusão dos InterRegionais e dos Urbanos no Passe Ferroviário Nacional. Atualmente, para os passageiros da linha do Oeste que optam por este Passe, a diferença de custo é paga pelos próprios que se veem obrigados a adquirir viagens simples para usar aqueles comboios excluídos do passe, pese a sua função de transporte de caráter regional. Para a maioria dos casos, a atual assinatura mensal acaba por ser mais vantajosa em termos de preço, o que significa dizer que os passageiros da linha do Oeste acabam por ficar afastados desta dinâmica de vantagens que o Passe Ferroviário Nacional supõe, que incluem a utilização do comboio fora das necessidades quotidianas e o usufruto de um meio de transporte confortável para as deslocações fora das pendularidades diárias, permitindo a descoberta da região ou os reencontros familiares e entre amigos, com uma importante economia para a carteira e para o ambiente.

Os exemplos centram-se nos percursos entre Leiria e a Figueira da Foz, e entre Leiria e as Caldas da Rainha, cujo resumo se encontra no quadro seguinte:

PercursoNº de comboios (por sentido)Assinatura Mensal (para todos os comboios)Nº de comboios R (por sentido)Preço de viagem (Inteiro, Ida) em IRPFN + bilhetes IR em 22 dias laboraisO PFN permite poupança?
Leiria – Figueira da Foz5124,90 €15,95 €179,90 €Não.  Ao longo do mês de trabalho, implica 55 € de gasto adicional 
Leiria – Caldas da Rainha6127,60 €36,20 €185,40 €Sim, se se utilizar o comboio InterRegional num máximo de 12 vezes ao mês; caso seja utilizado 22 vezes, ao longo do mês de trabalho, implica 57,80 € adicionais
R = Regional / IR = InterRegional / PFN = Passe Ferroviário Nacional

No primeiro exemplo, de Leiria à Figueira da Foz, a assinatura mensal custa 124,90 €, sendo válida para os cinco horários entre as duas cidades. O passe de 49 € é efetivamente mais económico, mas só permite a viagem num único comboio: das 15h11 de Leiria para a Figueira e que regressa às 17h17. Cada viagem de InterRegional de Leiria para a Figueira custa 5,95 €. Contas feitas, para quem opte pelo Passe Ferroviário Nacional, nos 22 dias laborais que sai de Leiria para a Figueira no InterRegional das 06h58 e regresse no Regional das 17h17, acarreta uma despesa total de 179,90 €, o que é 55 € acima do preço da assinatura mensal para o trajeto em causa! Portanto, sem grande erro pode-se dizer que acima de Leiria este passe não tem interesse: estes 55 € adicionais não pagam as possíveis viagens que se façam fora da rotina quotidiana “para aproveitar o passe”.

No segundo exemplo, entre Leiria e Caldas da Rainha já pode ter algum interesse: em seis comboios, três são Regionais: 06h23, 12h13 e 18h13 desde Leiria para sul e 08h30, 14h20 e 19h06 desde as Caldas da Rainha para Leiria. O valor da assinatura mensal entre ambas as cidades custa 127,20 € e a viagem de InterRegional custa 6,20 €. Neste caso, o Passe Ferroviário Nacional só representaria poupança se utilizares – neste percurso – o InterRegional até um máximo de 12 viagens ao mês. Neste caso, o Pase pode ser uma vantagem, desde que consideres que o valor extra das viagens em InterRegional que terás de adquirir vão acabar pagando as outras viagens em comboios Regionais que farás nos tempos livres fora do percurso habitual que, neste caso, é entre Leiria e as Caldas da Rainha.

Vamos a contas? Aos 49 € do Passe Ferroviário Nacional, somas as 12 viagens de InterRegional (74,40 €) e dá 123,40 €. A assinatura mensal, recorda, são 127,20 €. Para a poupança resultar, acautela-te para não fazeres mais do que 12 viagens de InterRegional. Mas, se as fizeres, recorda que com o Passe Ferroviário Nacional sempre podes viajar para qualquer destino da rede de comboios Regionais, como, por exemplo, apanhar um Regional das Caldas da Rainha para sul sem pagar mais.

Que fazer então? Aproveita e visita Torres Vedras. Ou a Roliça, saindo no apeadeiro de São Mamede e caminhando um pouco na direção poente. Certamente descobrirás formas de rentabilizar o passe, aliando a fruição da natureza e do património na tua região.

Tudo será diferente quando os InterRegionais passarem a fazer parte do Passe Ferroviário Nacional

Estas contas deixam de fazer sentido e, nessa altura, com um só passe poderás viajar em todos os comboios entre Meleças e a Figueira da Foz, ou Coimbra. Nessa altura, se viajares entre Leiria e a Figueira da Foz diariamente, o Passe Ferroviário Nacional de 49 € irá substituir a assinatura mensal de 124,90 €. E se viajares entre Leiria e as Caldas da Rainha, poderás pagar um passe de 49 € em vez da atual assinatura de 127,20 € e que te obriga a comprar um bilhete sempre que pretendes viajar para o Bombarral ou para Torres Vedras.

Um cenário diferente é entre Caldas da Rainha e Meleças, onde a maioria da oferta é em comboios Regionais. Neste troço, existem 210 possibilidades de assinaturas mensais e dentro da amL todas as assinaturas têm um valor superior ao Navegante.

Existem quatro exceções decorrentes da dualidade de tarifários entre o monomodal e o intermodal: se a deslocação quotidiana mensal ocorrer exclusivamente entre a Pedra Furada e uma das três paragens no município de Mafra (Mafra Gare, Malveira e Jerumelo) ou ainda exclusivamente entre Sabugo e Mafra Gare e sem necessidade de qualquer outro transporte. Embora valham o que valem, têm que ficar escritas para que não haja contas escondidas e sem que isso signifique que na próxima atualização tarifária permaneçam tal como hoje.

Portanto, feito o parêntesis para a introdução desta exceção para estes quatro percursos demasiado particulares, podemos referir que a resposta dentro da amL é óbvia: Navegante.

São vários os percursos nesta parte sul da linha do Oeste que hoje em dia podem tirar vantagem com o Passe Ferroviário Nacional, dado que apenas dois dos comboios são InterRegionais – um por sentido. Com um valor superior a 49 € encontram-se, por exemplo, assinaturas entre Malveira e Torres Vedras – 67,10 € -, na qual há poupança com o Passe se não fizeres mais do que cinco viagens de InterRegional (conta-as bem, não te deixes esbarrar com o prejuízo). Também entre Dois Portos e Bombarral – 80,30 € – poupa com o Passe quem não fizer mais do que sete viagens de InterRegional (à oitava entra em prejuízo, cautela!). Já entre Bombarral e Caldas da Rainha – 50,60 € –, apenas uma viagem de InterRegional já cai fora da poupança que o novo passe permite.

Porém, uma ressalva. Um ressalva, sim, para ir para a praia! Neste último caso a assinatura jovem válida para todos os comboios custa 37,95 €, mas entre Bombarral e São Martinho do Porto a assinatura jovem custa 56,45 €. Para os estudantes do Bombarral, o Passe Ferroviário Nacional não compensa para ir às aulas nas Caldas, mas pode compensar para ir à praia: sair do Bombarral às 7h46 ou às 13h54 e depois voltar às 12h56 ou 18h54. Horários a jeito de uma ida à concha.

Em resumo, para todos os casos a sul das Caldas da Rainha, é só preciso evitar o comboio que sai de Lisboa às 16h53 e o que sai das Caldas da Rainha às 6h21, que são os “InterRegionais”. No caso da amL, a inclusão dos comboios Interregionais e dos Urbanos no novo passe ferroviário nacional, permite equiparar as vantagens do passe ferroviário entre os passageiros da linha do Oeste com aquelas que os passageiros da linha do Norte já tinham, não por qualquer motivo infraestrutural mas sobretudo porque o regulamento do novo passe ferroviário nacional se encontrava desajustado daquela que é a política de oferta de serviços comerciais da CP.

Fotografia LPP

E nas atuais combinações de passes, como posso tirar proveito?

Atualmente, o passe social intermodal – Navegante Metropolitano – tem o custo de 40 € e é válido para toda a amL e para todos os modos de transporte. Por mais 0,50 €, o passageiro consegue ter o seu passe válido na CP até à Azambuja (Complemento Azambuja).

No caso da linha do Oeste, um habitante das Caldas da Rainha, do Bombarral ou de Torres Vedras que queira alcançar algum ponto da amL e usar o comboio frequentemente, paga como, até agora, o Navegante Metropolitano acrescido de um assinatura entre Malveira (notar que InterRegional não faz paragem no apeadeiro de Jerumelo que constitui o limite da amL) e o seu destino final. As contas são fáceis: para quem usa o InterRegional, necessita de continuar a comprar o Navegante Metropolitano (40 €) mais a assinatura entre Malveira e o seu destino:

  • 67,10 € para Torres Vedras,
  • 114,15 € para o Bombarral,
  • 147,80 € para as Caldas da Rainha.

Para quem usa exclusivamente o Regional, nas idas e voltas para a amL, compensa comprar o Passe Ferroviário Nacional em complemento ao Navegante Metropolitano. Enfim, algo de bom finalmente se perspetiva na notícia!

Porém, atenção. É que há exceções que permitem poupar algum dinheiro: se tiver como destino Sapataria, Pêro Negro, Zibreira, Feliteira ou Dois Portos, as assinaturas têm um custo inferior a 49 € e não faz falta o Passe Ferroviário Nacional. Deste modo, para utilizar a maior parte da oferta ferroviária entre Caldas da Rainha e Lisboa, o custo dos passes diminui dos 187,80 € para os 89 €. Os horários são, com partida das Caldas:

  • 5h20 para chegar ao Rossio às 8h;
  • 7h25 para chegar ao Rossio às 10h;
  • 11h16 para chegar ao Rossio às 14h;
  • 13h16 direto a Santa Apolónia! Chega às 15h41;
  • 16h16 para chegar ao Rossio às 19h;
  • 17h35 para chegar ao Rossio às 20h;
  • 19h23 directo a Santa Apolónia, chegando às 21h43.

Ou seja, válido para todas as viagens exceto a do comboio InterRegional com partida às 6h21 das Caldas da Rainha para Lisboa (Santa Apolónia), onde tem a sua chegada prevista às 08h30. À data de escrita deste artigo, apenas se prevê a inclusão dos InterRegionais para o primeiro semestre de 2024. Não obstante, a inclusão dos Urbanos de Lisboa não está prevista, o que significa que dada a opção estratégica da CP em fazer da estação de Meleças o terminal dos comboios da linha do Oeste, comprar o passe Navegante para alcançar Lisboa será sempre necessário. Enquanto na linha do Norte, os 49 € mensais de Passe Ferroviário Nacional são suficientes para se chegar a Lisboa, com comboios de hora a hora, na linha do Oeste serão necessários 89 € mensais de passe, escolher um dos 8 comboios com tempos de transbordo em Meleças que rondam os 30 minutos e ainda fazer as contas aos últimos comboios do dia: 19h23 das Caldas para Lisboa e 19h30 de Meleças para as Caldas!

As ligações Urbanas na área metropolitana de Lisboa [grafismo via Plano Ferroviário Nacional]

Sou do Oeste: tenho algo mais para saber?

Só para relembrar: convenhamos que os 80 € do passe da Rodoviária do Oeste com a Carris e o Metro em Lisboa acabam por ser um convite mais aliciante para a maioria das viagens com destino a Lisboa. Esta discriminação aos comboios do Oeste soma-se à histórica discriminação pela falta de serviços diretos à estação de Lisboa Rossio, ou pela falta de um serviço cadenciado horário, ou pela falta de estações e apeadeiros onde os passageiros se sintam acolhidos e informados sobre o estado das circulações.

Mesmo com esta redução de preço, a linha do Oeste está ainda bastante longe de poder ser uma oferta de qualidade no acesso a Lisboa. E mesmo para a utilização dos comboios da linha do Oeste, o novo passe não traz novidades aliciantes: continua praticamente tudo na mesma mas com um cartaz a anunciar o novo passe ferroviário nacional.

Quem utiliza o serviço Regional da linha do Norte tem melhor sorte com o novo passe?

Nos dias laborais são apenas dois os comboios InterRegionais que chegam a Lisboa e outros dois que saem. De hora a hora há comboios Regionais para Santarém e Entroncamento, muitos dos quais prosseguem para Tomar e têm enlace para Coimbra, Beira Baixa e Leste.

As contas para averiguar qual a combinação mais vantajosa são sempre demasiado personalizadas não só pelo desconto de estudante, mas também porque, com grande probabilidade, para acederes a Lisboa, vinhas combinando uma assinatura mensal da CP até Vila Franca de Xira com o Navegante Metropolitano, por ser a opção mais económica e que te dá acesso aos comboios Regionais e InterRegionais mais a todos os transportes dentro da área metropolitana de Lisboa. Em alternativa, podes também optar pela combinação da assinatura mensal da CP até à Azambuja, com o Navegante Metropolitano e o Complemento Azambuja, o que concede ainda maior vantagem mas só permite a utilização dos comboios que param na Azambuja, que ainda assim constituem a maioria.

Os preços são variáveis e quem embarca nos apeadeiros de Virtudes, de Reguengo ou na estação do Setil – primeiras paragens após a Azambuja, onde termina o Complemento Azambuja do Navegante – para Lisboa gasta 75,40 € de passe, preço que vai aumentando à medida que a distância aumenta. Focando no troço até Santarém, essa junção de passes tem preços que oscilam dos 75,40 € desde Virtudes aos 144,55 € de Santarém, o que permite utilizar qualquer comboios Regional ou InterRegional, segundo o caso em que efetuem paragem.

OrigemViagem nos Regionais [1]Viagem em todos os Regionais e InterRegionais [2]
Virtudes (ap.)75,40 €N/A
Reguengo (ap.)75,40 €103,65 € (a)
Setil75,40 €N/A
Santana-Cartaxo (ap.)82,30 €N/A
Vale de Santarém (ap.)94,55 €N/A
Santarém111,05 € (b)144,55 € (c)
[1] Assinatura Mensal até Azambuja + Navegante Metropolitano com Complemento Azambuja; [2] Assinatura Mensal até Vila Franca de Xira + Navegante Metropolitano

Algumas notas: [a] atualmente, o apeadeiro de Reguengo é servido por um IR em cada sentido, de 2ª a 6ª exceto feriados oficiais; [b] exceto comboios Regionais 5600 e 5416 que não efetuam paragem na Azambuja. Este caso rege-se como o dos InterRegionais: deve ser adquirida a combinação do passe até Vila Franca de Xira; [c] comparativamente à opção da esquerda, este passe que custa mais 33,50 EUR, permite viajar nos comboios 920, 922, 5600, 5416 e 820 entre Santarém e Lisboa e nos comboios 5601, 921 e 923 entre Lisboa e Santarém.

Com o Passe Ferroviário Nacional, essa despesa mensal cai para os 49 € caso venhas de Regional para uma estação de Lisboa e não precises de mais transportes. Nesse caso, a escolha é bem óbvia: tens a poupar com o Passe. A poupança é distinta se tiveres de usar outros transportes em Lisboa e/ou se a tua rotina implica o uso de comboios InterRegionais ou de Regionais que não param na Azambuja. São pequenas nuances que te podem causar transtorno na hora da tua deslocação e que vamos analisar abaixo.

Se uso outros transportes em Lisboa, que opções tenho? Podes escolher uma assinatura mensal desde a tua origem e combinar com um passe para a cidade de Lisboa. Tens quatro hipóteses: Navegante Metropolitano desde a Azambuja (40,50 €) ou desde Vila Franca de Xira (40 €), o Navegante Lisboa (30 €) ou uma assinatura mensal de 1 zona da CP Lisboa (29,15 €). Vamos excluir esta última, porque por mais 85 cêntimos mensais, tens acesso a todos os transportes da cidade e não apenas o comboio.

A soma fica fácil: por 49 de um passe mais 30 do outro, podes alcançar Lisboa e andar em todos os transportes da cidade por 79 € mensais Quais as restrições? Só não podes usar os dois InterRegionais que existem por sentido aos dias úteis ou o que existe ao final das tardes de domingo para chegar a Lisboa.

Mas então, ao combinar as atuais assinaturas mensais não fica mais barato?

A opção de conjugar os 40,50 € do Navegante Metropolitano com Complemento Azambuja, que somam com o valor da assinatura mensal até ao teu destino, apresenta vantagem sempre que a soma for inferior aos 79 € propostos acima. Para utilização exclusiva dos Regionais, tal é verdade para Virtudes, Reguengo e Setil, cujo valor é 75,40 €, mas para o apeadeiro seguinte, Santana-Cartaxo, fica já por 81,30 € e para o seguinte, Vale de Santarém, 94,55 €. Daqui para a frente, sempre a aumentar!

No caso da combinação mais barata – passageiros de Virtudes, Reguengo e Setil, é convosco! – que, recorde-se, custa 75,40 € e permite viajar em todos os comboios Urbanos e Regionais apenas desse percurso, vai acabar excluindo a restante rede de comboios da categoria “Regional” do restante país. Fica a questão: compensa-te essa poupança, ou por mais 3,60 € mensais não gostarias de ter um Passe que te permitisse ir até, por exemplo, Santarém sem pagar qualquer outro bilhete? Ou, por mais 13,60 € mensais, teres possibilidades praticamente ilimitadas de usufruir da rede de transportes coletivos de serviço público da amL e dos comboios Regionais de todo o país?

E no caso de Santarém para Lisboa, enquanto o Passe Ferroviário Nacional não for válido nos InterRegionais? Ao comprar Passe, quantas viagens de IR posso fazer sem destruir a poupança? Por exemplo, se vieres de Santarém para Lisboa, tens as seguintes modalidades:

  • 49 € – apenas comboios Regionais e se não precisares de qualquer outro transporte à chegada ao Oriente ou a Santa Apolónia;
  • 79 € – apenas comboios Regionais, mais todos os transportes dentro da cidade de Lisboa;
  • 89 € – apenas comboios Regionais, mais todos os transportes da amL;
  • 144,55 € – todos os comboios Regionais e InterRegionais e com acesso a todos os transportes da área metropolitana de Lisboa, com a assinatura entre Santarém e Vila Franca de Xira, mais o passe Navegante Metropolitano.

Posto isto, caso optes pelo Passe Ferroviário Nacional para as tuas deslocações de Santarém a Lisboa, utilizando os transportes da capital, estás a poupar 65 €!

Acreditamos que, por algumas vezes, precises de usar a oferta InterRegional de Santarém a Lisboa. Nesse caso, poderás fazer oito vezes sem que isso arruíne a tua poupança (oito viagens de InterRegional custam 63,60 €) e ficas ainda com um passe que te permite viajar nos tempos livres de Santarém para Abrantes,Tomar, Elvas, Castelo Branco, Coimbra, Aveiro ou qualquer outro destino intermédio, quantas vezes te apeteça.

Avalia se consegues evitar os InterRegionais, porque a poupança é demasiado boa: aos dias úteis partem de Santarém para Lisboa às 6h47 e às 7h33, aos domingos parte um às 22h58 e de Lisboa partem aos dias úteis às 17h15 e 18h15. Conquanto evites esses, estás sempre a poupar e podes (re)descobrir outros destinos sem pagar mais.

Que contas práticas posso fazer para poupar e poder andar nesses Regionais pelas linhas do Norte, Beira Baixa e Leste?

Grosso modo, se vens para Lisboa e apenas usas os Regionais, sais sempre a ganhar com o Passe Ferroviário Nacional: com 49 euros mensais tens o assunto tratado e centenas de quilómetros para descobrir nos tempos livres. Mas se o teu destino fica longe da estação do Oriente ou de Santa Apolónia, e se a tua origem for qualquer estação ou apeadeiro acima do Setil, poupas com a combinação com o Navegante Municipal de Lisboa (30 €), ou seja, por 79 € podes apanhar qualquer Regional até Lisboa e depois qualquer transporte dentro da capital. Repara que a análise ganha mais sensibilidade pelas múltiplas combinações que se podem fazer, mais os descontos para jovens e para estudantes nas assinaturas e passes mensais.

Em qualquer caso, é bom lembrar que podes comprar uma combinação num mês e outra no mês seguinte. E voltar à anterior sempre que precisares porque, em boa razão, as caraterísticas do Passe Ferroviário Nacional que causam estas restrições nos horários quotidianos acabam por ser bastante úteis nos tempos livres, ou até nas viagens de fim-de-semana para o reencontro familiar: viajar por todo o país em comboios Regionais com o Passe com que vais para a escola, faculdade ou trabalho é algo que te permite poupar. Esta realidade voltamos a recordar: é sobretudo válida para deslocações que se centram na linha do Norte, para distâncias até, grosso modo, 200 km, onde a oferta “Regional” é frequente, relativamente rápida e com grande amplitude horária! Com a ajuda dos comboios de fim-de-semana. És professor/a numa escola em Lisboa e todos os fins de semana vais até à tua família em Pombal? Seguramente que o Passe Ferroviário Nacional vai ao encontro da tua deslocação e te permite poupar uns bons dinheiros: 42,80 € num mês.

No caso da linha do Oeste, os benefícios vão-se fazer sobretudo sentir quando os comboios InterRegionais, Urbanos de Coimbra e também os Urbanos de Lisboa passarem a estar incluídos neste Passe Ferroviário Nacional, atenuando aquelas pequenas barreiras que – afinal – constituem grandes dificuldades para aceder ao serviço ferroviário e usufruir deste modo de transporte sem significativas diferenças na qualidade do serviço prestado numa e noutra região. E é disto que se trata, particularmente. Dado que está o primeiro passo, importa aprofundá-lo rumo a um serviço ferroviário de proximidade que seja fácil e intuitivo utilizar. É que além das diferenças de material circulante empregue, da qualidade da infraestrutura, da rapidez dos serviços ou da respetiva frequência, o Passe Ferroviário Nacional veio tornar mais evidentes as diferenças do serviço que se presta.

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