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Utilizadores queixam-se de estacionamento recorrente da polícia na ciclovia da Rua da Prata

Viaturas da PSP e da Polícia Municipal têm estacionado em cima do novo percurso ciclopedonal da Rua da Prata. Ciclistas dizem que a polícia deveria dar o exemplo.

Um carro da PSP estacionado na ciclovia da Rua da Prata (fotografia LPP)

Carros da Polícia de Segurança Pública (PSP) e às vezes também da Polícia Municipal (PM) têm sido vistos estacionados no novo percurso ciclopedonal que a autarquia criou na Rua da Prata. A denúncia chega-nos da MUBi, associação que defende uma mobilidade urbana em bicicleta.

A situação tem acontecido no quarteirão da Rua da Prata entre a Rua da Conceição e a Rua de São Julião, onde existe uma esquadra da PSP. Sem estacionamento à porta, era comum, antes do encerramento da Rua da Prata aos carros, os agentes pararem as suas viaturas no canal rodoviário da Rua de São Julião, deixando desimpedida uma das duas vias de sentido único desta rua.

Mas, desde que a Rua da Prata ficou exclusiva para peões, ciclistas e para o eléctrico 15, que os carros da PSP têm ficado parados em cima do percurso ciclopedonal criado pela Câmara de Lisboa. E algumas vezes não estão sozinhos, mas acompanhados por viaturas da PM, da responsabilidade directa da autarquia. “Quase diariamente a PSP e a PM tem os seus carros estacionados sobre a ciclovia da Rua da Prata”, critica a secção local de Lisboa da MUBi, salientando que “a polícia teria a obrigação de agir nos seus deveres profissionais com o máximo de atenção pelo exemplo”.

Segundo a MUBi, esta situação obriga quem se desloca de bicicleta a desviar-se para o carril do eléctrico, onde não só pode estar a circular a carreira 15, como também viaturas municipais autorizadas. Por vezes, esse desvio tem de ser feito em contra-mão. Também pode dar-se o caso de o eléctrico estar parado no semáforo, não deixando espaço na estrada para quem circule de bicicleta seguir o seu caminho em segurança. “Além de dar um péssimo exemplo, a polícia comete diariamente uma ilegalidade e obriga quem segue de bicicleta no sentido Praça da Figueira-rio a cometer outra, sujeitando quem pedala a prosseguir em contra-mão ou no passeio”, diz a MUBi.

Segundo a secção local de Lisboa da associação, a ciclovia partilhada com peões da Rua da Prata “já peca de origem por misturar bicicletas e peões no mesmo canal, é um pouco como meter o Rossio na Rua da Betesga”, mas “cabem lá todos, e todos os dias também lá cabe o estacionamento da polícia”.

A Baixa “já deveria ser uma zona de tráfego condicionado há várias décadas. É mais do que óbvio: uma zona histórica, para a qual a cidade tem ambições legítimas e merecidas a património da humanidade, deve ser uma zona com prioridade aos modos activos, com velocidades reduzidas e acesso motorizado quase exclusivo a residentes, transportes públicos e cargas/descargas”, defende a MUBi. “Mas em Lisboa, é o que temos: num contexto de quase catástrofe com abatimentos do solo na Rua da Prata, e perante a evidência de que abrir aos carros é mesmo o pior que se pode fazer, optou-se por uma medida frouxa: a criação de uma ‘ciclocoisa’, sem convicção”, acrescenta.