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Open House Lisboa convida a descobrir uma cidade em transição

No próximo fim-de-semana, 11 e 12 de Maio, o Open House volta a abrir portas na cidade de Lisboa. Com mais de 74 locais para descobrir, a programação inclui ainda uma variedade de actividades, como passeios guiados.

Bairro das Fonsecas e Calçada (fotografia LPP)

São dois dias do fim-de-semana de 11 e 12 de Maio para visitar 74 espaços, dos quais 48 são estreias no Open House Lisboa 2024, num total de 866 visitas guiadas totalmente gratuitas. Destaque para o Bairro das Fonsecas e Calçada (SAAL), o Teatro Thalia, o Colégio Militar, o Centro Ismaili, o renovado Liceu Camões, a premiada Escola Básica Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, o novo edifício do ISCTE-IUL, a Brotéria, o Edifício João XXI (actual sede da CGD), o novo hotel da estação de Santa Apolónia, a Fábrica da Nacional ou ainda o estaleiro do Plano Geral de Drenagem em Campolide.

Todos os espaços podem ser conhecidos aqui. As visitas são gratuitas e poderão ser feitas de forma livre ou guiada nos horários previstos, sendo necessária marcação prévia para algumas delas, como é o caso da visita à obra de drenagem.

Mapa dos 74 espaços do Open House Lisboa 2024 (DR)

Comissariado pela socióloga Sandra Marques Pereira e pelo arquitecto Alexandre Marques Pereira, esta edição do Open House Lisboa destaca as mudanças pelas quais Lisboa tem passado ao longo do tempo, e que acontecem através de transições que permanecem com maior ou menor longevidade.

A mudança é uma característica intrínseca das cidades. Formas, materiais, métodos, funções ou vivências aparentemente inconciliáveis vão-se misturando ao longo do tempo. Não há cidades estáticas. No entanto, a mudança acontece através de transições que não são apenas o antes, nem só o depois. Não são exclusiva ou exactamente isto, nem aquilo – são o que está entre.

Regra geral são imperceptíveis, adaptando-se às necessidades espontâneas do seu tempo: das habitações construídas em espaços originalmente para outro fim, a conventos e palácios que tiveram ao longo da história muitas utilizações, ou territórios urbanos que mantêm vestígios do seu passado rural. Em Lisboa, muitas transições permanecem com maior ou menor longevidade em diferentes escalas.

Ser onde nunca foi, passar a ser, voltar a ser, deixar de ser. Olhar para a hibridez que compatibiliza o que parece ser contraditório é compreender a complexidade implícita em transformar a cidade, seja através da ruptura, continuidade ou tudo o que está pelo meio.

Visita ao estaleiro do Plano Geral de Drenagem, em Campolide (fotografia LPP)

Além das visitas a espaços, a programação do Open House Lisboa compreende inclui cinco passeios por diferentes bairros de Lisboa; o passeio sonoro “Coisas e Pessoas de Muitos Sítios do Mundo”, assinado pela antropóloga Filomena Silvano, que convida a encontrar o mundo inteiro e as suas diferentes culturas entre as praças da Figueira, Martim Moniz e do Chile; e um programa júnior com leituras, oficinas e duas visitas conduzidas por jovens (uma no Centro Ismaili, no sábado de manhã, e outra e na Escola do Castelo, no domingo de manhã). Destaque também para a programação “Plus”, que promete enriquecer com 12 eventos extra (um documentário, dois concertos, dois workshops e sete exposições) as visitas aos espaços do Open House.

Com a tónica na acessibilidade, esta 13ª edição oferece visitas sensoriais tácteis para pessoas cegas e amblíopes, através de materiais e maquetas tridimensionais, em quatro equipamentos da EGEAC (Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, Atelier-Museu Júlio Pomar, Galeria da Avenida da Índia e Galeria Quadrum). Estão previstas ainda visitas com tradução em Língua Gestual Portuguesa, nomeadamente na visita ao Bairro das Fonsecas e Calçada, um dos bairros SAAL, no domingo às de manhã, e actividades adaptadas a pessoas com mobilidade condicionada, como é o caso de um percurso urbano em Telheiras Sul no sábado à tarde.

Em 2024, o Open House Lisboa envolverá mais de 100 especialistas e uma equipa de mais de 250 voluntários, que tornarão possível esta grande festa da arquitectura a 11 e 12 de Maio, dias em que o Open House também vai estar a decorrer em Málaga (Espanha) e Rosário (Argentina).

Recorde-se que o Open House é um conceito criado em 1992 por Victoria Thornton, e que conta hoje quase 60 cidades por todo o mundo, como Londres, Maputo, Osaka, Tessalónica, Zagreb ou Buenos Aires. Em Lisboa, o Open House acontece anualmente desde 2012, sendo uma co-organização que junta a Trienal de Arquitectura de Lisboa e a EGEAC. Propõe uma selecção nova para descobrir espaços de diferentes naturezas que demonstram o papel decisivo da arquitectura na vida das pessoas e exemplificam o valor do património edificado. Desde 2020 o programa integra os passeios sonoros guiados pelo imaginário de lisboetas muito especiais.  Em 2023, passou a integrar o Open House Europe, um consórcio que reúne onze organizações culturais, de Vilnius a Lisboa, que este ano se debruçaram sobre a dimensão da acessibilidade na arquitectura.

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