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“Arrábida Sem Carros” regressa com um vaivém gratuito entre praias

Com o início da época balnear, a 1 de Junho, regressaram os autocarros para as praias da Arrábida. Este ano, com uma novidade: um mini-autocarro gratuito entre as praias do Creiro, dos Galapinhos e dos Galapos.

A Carris Metropolitana assegura, uma vez mais, o transporte público nas praias da Arrábida (fotografia LPP)

A época balnear arrancou, o que em Setúbal significa o regresso do programa Arrábida Sem Carros. Desde 1 de Junho e até final de Setembro, está de volta o condicionamento de trânsito automóvel às praias de Albarquel, do Creiro e do Portinho da Arrábida. Uma medida que visa optimizar o limitado estacionamento que existe nas zonas balneares e, assim, garantir os acessos de emergência, e que é também apresentada como uma iniciativa ambiental e de promoção do transporte público.

Uma vez mais, as pessoas são convidadas a deixar o seu carro no parque do centro comercial Alegro ou da Fábrica Secil-Outão, e apanhar aí um dos muitos autocarros da Carris Metropolitana para a praia. As frequências variam entre os 10 e os 30 minutos, e quanto menos trânsito houver (ou seja, quantas mais pessoas decidirem não levar a sua viatura para a Arrábida), mais fiável será o transporte colectivo. Os autocarros amarelos passam também no centro da cidade de Setúbal, bem como à porta da estação de comboios (em particular a linha 4474) e no terminal rodoviário da Várzea.

Linha gratuita entre praias

A linha 4477 na Arrábida (fotografia LPP)

O Arrábida Sem Carros funciona neste ano num modelo já familiar e semelhante a anos anteriores, com uma novidade: há, desta vez, uma linha gratuita a ligar três praias: Creiro, Galapinhos e Galapos. A linha 4477 é uma resposta ao condicionamento existente na estrada costeira – a Rua Círio da Arrábida –, que está cortada, desde Fevereiro de 2023, entre as praias do Creiro e da Figueirinha devido ao perigo de queda de um bloco rochosos (falamos deste assunto mais adiante).

Na Praia do Creio, não só termina a linha 4470 (que passa no ITS/estação de comboio de Setúbal e em Azeitão) como existe o último parque de estacionamento antes do principal troço condicionado à circulação automóvel no âmbito do Arrábida Sem Carros – entre as praias do Creiro e dos Galapos, só se pode circular de mota, de bicicleta, a pé ou de táxi/TVDE.

Percurso da linha 4477 (via Carris Metropolitana)

Assim, a linha 4477, assegurada por pequenos autocarros, permite chegar em poucos minutos e de forma gratuita às praias do Creiro, Galapinhos e Galapos, a partir da Praia do Creiro. O serviço funciona aos fins-de-semana e feriados durante o mês de Junho e todos os dias a partir de 1 de Junho, com frequências de 30 minutos entre as 8h30 e as 20 horas.

Horários da linha 4477 (via Carris Metropolitana)

Segundo a Câmara de Setúbal, este vaivém gratuito é “um passo fundamental para a assegurar a mobilidade sustentável e a preservação das áreas naturais do concelho”, e vai “ao encontro das estratégias municipais de descarbonização e promoção de um turismo sustentável, assegurando que as praias de Galapos, Galapinhos e Creiro continuem a ser acessíveis por todos”. A gratuitidade da linha 4477 é regida por um acordo entre a Câmara de Setúbal e a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), responsável pela operação da Carris Metropolitana. A autarquia vai pagar à TML a realização deste serviço de modo gratuito e, por sua vez, a TML irá compensar a operadora Alsa Todi.

De transporte público para as praias

Parque Natural da Arrábida (fotografia LPP)

A melhor forma de chegar às praias da Arrábida será com a linha 4474, que liga directamente às principais interfaces de transporte de Setúbal e ao centro comercial Alegro, onde podes deixar o carro gratuitamente. A 4474 leva-te directamente à Praia da Figueirinha. A partir daqui, podes ir a pé até à Praia dos Galapos pela estrada costeira que se mantém cortada devido ao perigo de queda de um grande bloco rochoso (a circulação pedonal – ou ciclável – no troço interdito não é recomendada e existe sinalização a proibi-la, mas várias pessoas fazem-no por sua conta e risco).

A partir da Praia dos Galapos, tens acesso à linha gratuita 4477, que te dá boleia até à Praia do Creio. Podes também fazer este percurso a pé ou de bicicleta. Entre a Figueirinha e o Creiro, são cerca de 40 minutos a pé, 15 de bicicleta; entre a Figueirinha e os Galapos, são 20 minutos a andar, 5 a pedalar.

Outra forma de chegar às praias é usar a 4470, que te leva directamente à Praia do Creio. Podes apanhar esta linha em Setúbal (por exemplo, à saída do comboio) ou em Azeitão, onde tens ligações directas para Lisboa (Sete Rios, mais concretamente) com a linha 4730.

As linhas 4470, 4471 e 4476 funcionam somente aos fins-de-semana e feriados em Junho, mas todos os dias entre Julho, Agosto e o início de Setembro (quando o período escolar retomar em Setembro, as linhas voltam a ser exclusivas de fins-de-semana e feriados). A linha 4474 funciona todos os dias entre Junho e Setembro, com mais frequência fora do período escolar.

  • A linha 4470, que liga Setúbal (ITS) e Azeitão à Praia do Creio, teve um reforço de seis novos horários e ajustes em cada sentido. No ano passado, havia apenas dois horários por sentido; este ano estão a ser disponibilizados oito horários por sentido. A 4470 é a única linha de autocarro que permite chegar à Praia do Creio, uma viagem que dura cerca de uma hora devido ao problema do bloco rochoso, que se mantém e que continua a obrigar ao corte da estrada costeira. A partir do ITS (estação de comboios e terminal rodoviário), a 4470 parte às 8h30, 10h, 11h30, 13h, 14h30, 16h, 17h30 e 19h. Da praia, a última partida é às 20h;
  • A linha 4471, como no ano passado, manterá uma frequência de horários a cada 20 minutos nos fins-de-semana e a cada 30 minutos nos dias úteis e ligará a baixa de Setúbal (Avenida Luísa Todi) às praias de Albarquel. Funciona entre as 9 e as 20 horas;
A linha 4474 à saída da Praia da Figueirinha (fotografia LPP)
  • A linha 4474 permite chegar à Praia da Figueirinha, ligando ao centro comercial Alegro, onde se pode deixar o carro, mas também ao ITS (estação de comboio) e ao terminal rodoviário da Várzea. À semelhança do ano passado, a linha terá dois percursos de ida para a Praia da Figueirinha, com saídas alternadas do Alegro e do terminal da Várzea. No regresso da praia, haverá um percurso que passará pelo ITS, Várzea e Alegro. Fora do período escolar, esta linha terá 51 circulações diárias durante a semana e 67 circulações diárias nos fins-de-semana e feriados. A frequência varia entre os 10 e 20 minutos. (Em Junho e Setembro, poderás usar a linha 4472 como alternativa à 4474; esta linha também liga a Praia da Figueirinha ao ITS);
  • A linha 4476, como no ano passado, terá sua primeira partida marcada para as 8h30 e a última para as 20 horas, com intervalos de 30 minutos entre cada partida. Esta linha continua encurtada devido ao problema do bloco rochoso e liga a Praia da Figueirinha ao estacionamento da Fábrica Outão. Serão feitas 25 circulações diárias.

Todos os horários e percursos podem ser consultados aqui. Mais informações sobre o Arrábida Sem Carros podem ser encontradas nos sites da Carris Metropolitana e da Câmara de Setúbal.

Estrada costeira mantém-se cortada

A Rua Círio da Arrábida, a estrada que percorre a costa da Arrábida, no troço entre as praias da Figueirinha e do Creiro, continua cortada à circulação automóvel, ciclável e pedonal, devido ao risco de queda de um bloco rochoso fraturado na encosta da Serra da Arrábida – uma situação que se arrasta desde Fevereiro de 2023. O bloco rochoso em risco tem cerca de mil toneladas e está localizado em terrenos propriedade da empresa Secil, mas ainda não tem uma solução.

O corte obrigou também à revisão temporária da oferta de transporte público no local. A linha 4472, que assegurava a ligação entre Setúbal e as praias da Figueirinha e do Creiro durante todo o ano, encontra-se actualmente encurtada à Praia da Figueirinha; também a linha 4476, que percorria várias praias entre a Figueirinha e o Creio, tem tido o seu trajecto habitual alterado.

Em Fevereiro, o presidente da Câmara de Setúbal, André Martins, dizia que ia pedir uma reunião ao novo Governo de Luís Montenegro para se avançar com uma solução, depois de ter encontrado silêncios e inércias da parte do Executivo de António Costa. “Vamos continuar a insistir com o Governo para que assuma as responsabilidades que já reconheceu e, no primeiro dia em que o novo Governo estiver em funções, tomarei a iniciativa de pedir de imediato uma nova reunião com quem tiver a tutela desta área, para avançar para as necessárias soluções“, afirmou.

O bloco rochoso em risco (fotografia LPP)

André Martins explicou, também em Fevereiro, que a decisão de encerrar a estrada foi tomada “na sequência de uma reunião da Comissão Municipal de Proteção Civil, e perante a evidência das imagens que foram apresentadas” quanto ao risco de queda do rochedo. “O risco de queda do bloco está bem documentado por análises técnicas que não podemos ignorar. É manifestamente perigoso circular por aquela estrada nas actuais circunstâncias”, disse na altura.

O Presidente da Câmara de Setúbal referiu que, do contacto com o anterior Ministério do Ambiente, em Julho de 2023, tinha resultado o compromisso de solucionar o problema com financiamento do Fundo Ambiental e com o lançamento de um concurso público, para que fosse realizado um estudo técnico que pudesse sustentar a resolução concreta do problema. “Da reunião conjunta realizada em Junho do ano passado” com as secretarias de Estado do Ambiente e da Conservação da Natureza “resultou a decisão de realizar um estudo técnico para definir as condições da intervenção para resolução deste grave problema”, referiu. Na mesma reunião foi decidido “que era necessário contactar empresas da especialidade com o objectivo de ajudarem na definição do caderno de encargos e do valor base para o lançamento do concurso público para a elaboração do referido estudo”, tendo a Câmara enviado aos gabinetes dos governantes “o resultado dos contributos das empresas” em Outubro de 2023.

Mas, segundo André Martins, não houve depois resposta das secretarias de Estado do anterior Executivo para se avançar com a realização do tal estudo técnico e resolver uma situação que está localizada “em propriedade privada situada num parque natural, onde a Câmara Municipal não tem competências para intervir”. O tema estará agora nas mãos da nova Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e do Secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa.

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