A história de (mais) uma bicicleta roubada em Lisboa

A bicicleta de Lenon Reis (fotografia cortesia do próprio)

Mais dia, menos dia, há uma palavra que volta a aparecer nos grupos de Facebook onde habitualmente os ciclistas urbanos se encontram: “ROUBADA”. A avaliar pelo histórico de um desses grupos, pode induzir-se que os furtos de bicicletas na cidade de Lisboa são frequentes: acontecem na rua, em garagens, à luz do dia ou de noite. O canal de YouTube One Cyclist In Lisbon chegou a apanhar um desses episódios em pleno Saldanha, no meio da confusão.

Lenon Reis, 31 anos, natural de Salvador, Brasil, está há dois anos em Lisboa, foi uma das pessoas que, de um momento, para o outro ficou sem a sua bicicleta e que usou o Facebook para partilhar a situação, na eventualidade de alguém saber algo e poder ajudar. “A minha bicicleta nunca dormia na rua, fica dentro do meu quarto. Mas nesse dia à noite tinha-a deixado na frente da casa porque ainda ia sair com ela. Deixei-a presa onde sempre a deixava”, conta-nos. Lenon foi apenas a casa durante umas horas, sempre observando a bicicleta da janela para ver se estava tudo bem com ela. “Às 22 horas, 22h30, mais ou menos, quando fui pegar na bicicleta para dar uma volta, ela já não estava mais lá.”

Quem já passou pelo mesmo, compreenderá a dor que Lenon terá sentido nesse momento. O jovem dirigiu-se de imediato à esquadra da polícia mais próxima, deu todas as informações sobre a bicicleta para registar a ocorrência e fez o que muitos costumam fazer, com mais ou menos esperança: esperar e ficar atento às plataformas online de comércio mais usados. Lenon teve sorte. No dia seguinte, encontrou a bicicleta num desses sites – o Facebook Marketplace –, entrou em contacto com o suposto vendedor e dirigiu-se de novo à esquadra.

“Falei com os polícias, eles disseram que não podiam fazer muita coisa porque o local onde tinha marcado com o vendedor estava fora da jurisdição deles.” Mas Lenon saiu com o contacto de um agente de Benfica, “que trabalha com investigação”, e a quem entregou depois o local e hora que combinara com o vendedor da sua própria bicicleta. O resto é história: a PSP (Polícia de Segurança Pública) tratou da falsa compra e trouxe a bicicleta para a esquadra, onde Lenon fez o reconhecimento da mesma enquanto sendo a sua bicicleta. “Consegui fazer por fotografias, a minha bicicleta não tem número de série mas tem detalhes específicos que eu dei aos agentes quando registrei a ocorrência”, refere. “O suposto vendedor vai responder a um processo por furto de terceiros. Agora no que isso vai dar não sei.”

Lenon Reis e a sua bicicleta (fotografia cortesia do próprio)

O roubo de bicicletas não é um problema exclusivo de Lisboa e acontece um pouco por todo o mundo. O New York Times, por exemplo, escrevia em Outubro do ano passado que os furtos aumentaram 27% com a pandemia na cidade de Nova Iorque, tanto na rua, como em garagens e arrecadações. Contactado pelo Lisboa Para Pessoas, a PSP informou que foram registados entre 78 e 81 furtos de bicicletas em Lisboa nos últimos dois anos, tendo sido recuperados apenas quatro desses veículos. É possível que muitos destes ilícitos nunca cheguem a ser contabilizados pelas autoridades.

Estas situações desagradáveis não deverão ser dissuasoras do uso da bicicleta como meio de transporte. Os utilizadores poderão proteger-se adquirindo e usando cadeados com níveis de segurança elevados – costuma dizer-se como regra que o cadeado deve custar 10% do valor da bicicleta. À partida, quanto mais caro o cadeado melhor ele será. Recomendam-se cadeados fortes e em U. A bicicleta deve ser prendida pelo quadro, nunca pelas rodas; e devem ser privilegiados suportes na rua que estejam bem presos ao chão e que permitam essa forma de aparcamento. Não é invulgar a utilização de dois cadeados.

Numa cidade como Lisboa, as bicicletas eléctricas – de valor mais alto que as convencionais – oferece uma solução tecnológica às subidas e descidas e existem cada vez mais bicicletas eléctricas em circulação, como apontam os dados recentes do Instituto Superior Técnico. Em resposta, aos furtos e além de um bom cadeado, impera também a cidade encontrar respostas, como é o caso dos novos parques subterrâneos da EMEL, de acesso reservado e com videovigilância, que em breve estarão espalhados pela cidade.